13 de abr de 2013

Sorriso baixo

O seu rosto estava perdido. Perdido em um turbilhão de rugas e linhas com uma história própria, que poderiam, durante algum tempo e observação, contar a vida de quem as tinha.
Poderiam, por exemplo, contar o seu emprego antes de se aposentar, o seu time de futebol preferido e até aquela musica mais querida.
Todavia, não pensava em nada.
O largo chinelo de dedo com as unhas mal cortadas evidenciavam a tardia falta de vaidade. 
Se escondeu em si mesmo, provavelmente. 
Já a calça com a barra dobrada deixava claro que alguém ainda se preocupava. Alguém ainda não havia desistido.
Seu relógio no pulso estava quase caindo, se deixando levar pelos dedos, o que trazia uma constante necessidade de subi-lo com um gesto involuntário.
Sorriu ao ver uma bexiga perdida no meio da praça. E com passos lentos, foi até ela. Vermelha.
Sua camisa colorida fez mais sentido enquanto ele sorria para aquela bexiga.
Imagine quantas lembranças não passaram diante dos seus olhos com apenas um objeto perdido. 
Até que após alguns segundos de dedicação exclusiva, largou-a onde havia encontrado. Voltou lenta e ininterruptamente para onde havia saído.
O sorriso baixou.


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