9 de fev de 2013

TWM - A Voz e o Violão

  Com o carnaval ai não tem como falar de outra coisa a não ser dessa grande festa que toma conta do Brasil de norte a sul.

  Vou indicar para vocês uma ótima trilha sonora para passarem esses cinco dias de diversão. O disco em questão é "A Voz e o Violão" de 1976, o debut do nosso querido Djavan.

Diferentemente dos outros discos dele que tem o Jazz ou o Pop como principal referência, "a Voz e o violão" traz Djavan vestindo o samba na sua mais simples e completa concepção, com faixas como "Flor de lis" e sua harmonia cadenciada, "maçã do rosto" que tem um toque da levada do baião, "Fato consumado" um samba-canção da maior qualidade, "Magia" que é o início do flerte entre Djavan e o Jazz, entre outras faixas igualmente geniais.

  




   “Valei-me Deus/É o fim do nosso amor/Perdoa por favor...”, quem não cantou esses versos naquele ano de 1976, como quem cantasse o samba de um velho ídolo? Pois “Flor-de-lis”, um samba original, com melodia de grudar no ouvido e letra estranhamente triste e esperançosa, foi o clássico instantâneo que transformou Djavan também instantaneamente num compositor e cantor do primeiro time da música brasileira, transformando seu primeiro LP numa das mais impressionantes estreias da história da MPB.

  Foi no velho estúdio da gravadora EMI-Odeon, em Botafogo, e pelas mãos do mítico produtor Aloysio de Oliveira – que produziu de tudo na música brasileira, de Carmen Miranda a Tom Jobim – que “A voz, o violão, a música de Djavan” tornou-se, praticamente, um disco de samba, apresentando o sacudido “Na boca do beco”, o quebra-queixo “Pára-raio”, o autobiográfico “E que Deus ajude”, o épico “Maria das Mercedes”, “Flor-de-lis”, “Fato consumado”, “Muito obrigado”, “Embola a bola”, de feição clássica, mas com o toque de Djavan e ainda, o sofisticadíssimo, afro-jazzístico, “Magia”.
   Acompanhado por músicos ilustres, boa parte deles integrantes da banda de Elis Regina, a maior cantora da época, o resultado não poderia ser outro: um disco que é uma verdadeira obra-prima e o início da carreira um artista novo e original. (Hugo Sukman)

   Espero que se arrepiem como eu me arrepiei da primeira vez que escutei esse disco e que sempre que escutarem alguma música desse album se lembrem de algum momento especial desse carnaval, afinal a única máquina do tempo que de fato existe no mundo é a música, que tem o poder de te transportar para qualquer época de sua vida apenas apertando o play na música certa!

Um ótimo carnaval a todos, segue abaixo o link do disco completo!


A voz e o Violão


8 de fev de 2013

Past


Seu cabelo era colorido e sua banda preferida era Beatles.
Seu tênis era All Star e seu caderno da capricho.
Se achava a rebelde da turma: Suas colegas também.
No auto da sétima série queria ficar com todos os meninos, mas coitada, nenhum menino queria ficar com ela. Então, para ocupar seu tempo, costumava ler alguns livros e brincar com sua coleção de polly pocket.
Quando chegou na oitava série, desencanou dos cadernos da capricho e preferiu algo assim mais dark, foi para plush poison. Seu all star estava o tempo todo desamarrado. Sua banda preferida não era Beatles mais.
Sua blusa preferida era uma preta, que também era única. Sua mãe não a deixava comprar outra.
Calças skinny, all star e blusa preta. Todos os dias: Seu uniforme.
Ganhou fama de emo mas nem ousava passar lápis de olho.
Ganhou fama de menino, mas nem gostava de meninas.
Foi de tudo menos o que queria ser.
Até que o tempo passou: Continuou a mesma droga. Nada mudou.
O all star continua sendo seu tênis preferido e o resto é insignificante, afinal, até a escola já acabou. 

7 de fev de 2013

Ineficácia nas expectativas


É fato que odeio tuas promessas. Todas elas.
Desde o amanhecer até o jantar, você me ilude e me traz falsas emoções: Finalmente irá fazer o que tanto a tanto tempo te peço.
Algumas horas depois você desmente e me diz que tem uma maldita reunião importante.
Já te disse que você devia trabalhar na iniciativa privada? Lá as horas extras seriam remuneradas e o que você já adora fazer, vai lhe trazer dinheiro também.
Idiota.
Detesto ter que te odiar tanto quanto eu te odeio no momento: Só não consigo mais suportar a eficácia com que você destrói dias de expectativas com apenas algumas palavras que só interessam a você.
Eu sei que é teu trabalho e é ele que mantém essa casa, mas, trabalhar mais de doze horas por dia não vai trazer nada também.

Eu odeio tuas promessas, mas, dessa vez, você vai cumpri-las, não é mesmo?
Desculpe ter brigado tanto com você, desculpe ter insistido tanto.
Mas é sério, porque falar tanto se não vai cumprir, às vezes?
Deixe de ser idiota.
Você devia trabalhar para a iniciativa privada, repito.
Me ajude só dessa vez!
Por favor, vamos até lá, assine aquele maldito papel.
Eu sei que você não tem tempo, mas eu quero poder sonhar também. Deixe-me sonhar.

Desisto de você. Desisto de acreditar em você. Desisto de criar expectativas.
Não sou eu que estou errada nessa história toda: É você. Só estou avisando.
Tudo vai dar certo no final né? Uma ova.
Esperar não vai mudar nada, não. Tem que fazer acontecer.
Ai como eu queria poder sair dirigindo por ai...
Pô mãe, me leva logo até lá! 

6 de fev de 2013

TWM - Senta que lá vem história - Under the Blade!

Desde que fui convidado a escrever para o blog (mais ou menos um mês atrás) uma pergunta me assombrou durante esse tempo:

_ “Sobre o que vai ser o meu primeiro post?” Afinal, a primeira impressão é a que fica!

Depois de muito pensar decidi escrever sobre uma história que mudou bastante os rumos da música no mundo e o seu direcionamento como produto. SIM!! PRODUTO!! A música hoje em dia é um produto embalado, etiquetado e endereçado; o que não quer dizer que seja ruim ou pior do que antigamente. 



Acredito que todos já viram alguma vez na vida o selo americano de “parental advisory” na capa de algum CD ou DVD que gostava.
A hitória dessa "tag" começou em meados de 1985, Tancredo neves tinha acabado de ser eleito no Brasil nas primeiras eleições após o regime militar, o buraco na camada de ozônio tinha acabado de ser descoberto, grandes clássicos do cinema como "De volta para o futuro" , "Goonies" e "A cor purpura" acabavam de ser lançados. No mundo da música o aconteceu o concerto Live-aid organizado para ajudar as vítimas da fome na África (mais precisamente na Etiópia), a música "We are the wolrd" foi fruto dessa iniciativa, enquanto no e também no Brasil acontecia o primeiro festival "Rock in Rio". Em 1985 também foi criado o comitê Parents Music Resource Center (PMRC), criado com o objetivo de censurar a cena musical da época.



O maior protagonista dessa história toda é Dee Snider o vocalista da banda “Twisted Sister”



Daí você se pergunta: “Como essa bonequicha do mundo canibal, essa lady gaga dos anos 80 pode ser protagonista de uma coisa tão importante assim?”.

Pois foi importante SIM! E MUITO!!

“Pra quem não sabe, o Rock'n Roll já precisou ser defendido num tribunal. Nos anos 80 um grupo de esposas de senadores, (incluindo a esposa de Al Gore), formaram uma comissão e decidiram que várias bandas e músicas de rock 'n' roll deveriam ter suas execuções públicas, televisivas e radiofônicas proibidas por conterem, segundo elas, conteúdo impróprio, pornográfico, incitação a violência, uso de drogas, ocultismo, entre várias outras acusações.” (Whiplash.net)

Esse era o PMRC (Parents Music Resource Center) que nada mais era do que um comitê americano formado para controlar o acesso dos mais jovens à músicas com conteúdo “violento”, sexual ou apologia a drogas. Os antagonias eram nada mais que Al Gore, SIM AQUELE MESMO, o vice-presidente dos EUA, e sua esposa Tipper Gore. O objetivo real do PMRC era fazer uma caça as bruxas, exterminar com jovens que apenas queriam expor sua opinião de como viam o mundo, e seriam bem sucedidos nisso se Dee Snider não tivesse feito um discurso que trouxe guardado no bolso de trás da calça escrito em uma folha de caderno amassada e começou a disparar palavras de um discurso que eram mais certeiras que balas de rifle, como você pode conferir nos vídeos abaixo:












Um pequeno resumo do que ele disse em seu depoimento :
"Não sei se é manhã ou tarde. Eu vou dizer duas coisas. Bom dia e boa tarde.
Meu nome é Dee Snider. S-n-i-d-e-r. Eu gostaria de falar ao comitê um pouco sobre mim mesmo. Tenho 30 anos, sou casado, tenho um filho de 3 anos de idade. Eu nasci e cresci como um cristão e eu ainda creio nos mesmos princípios básicos. Acredite ou não, eu não fumo, não bebo, e eu não uso drogas.
Eu toco e componho as canções para uma banda de rock and roll chamado Twisted Sister que é classificada como heavy metal, e eu me orgulho de escrever canções que sejam consistentes, seguindo assim minhas mencionadas crenças.
Desde que eu pareço ser a única pessoa a ser abordado a esta comissão de hoje, da qual eu tenho sido alvo direto de acusações, presumivelmente responsável, gostaria de aproveitar esta ocasião para falar sobre uma nota mais pessoal e mostrar o quão injusto todo o conceito de lírica interpretação e julgamento pode ser, e quantas vezes isso pode chegar a pouco mais de assassinato de caráter.
Sinto que acusações deste tipo são irresponsáveis, prejudiciais à nossa reputação, e caluniosas.
A beleza da literatura, poesia e música é que eles deixam espaço para o público a colocar a sua própria imaginação, experiências e sonhos em palavras."
Segundo o próprio Dee Snider, uma das melhores partes da audiência foi quando a Sra Gore disse que a música "Under to Blade", (Sob a Lâmina), fazia apologia ao sadomasoquismo. Veja abaixo a resposta de Dee:
"A música mexe com a imaginação das pessoas e as faz pensar o que quiserem. Essa música fala sobre uma cirurgia na garganta de um integrante da banda, o meu guitarrista Eddie Ojeta e o medo que ele tinha dela. A Sra. Gore procurou sadomasoquismo na música e o encontrou. Quem procurar referências cirúrgicas também irá encontrá-las."
No fim dessa comissão em 1985, infelizmente conseguiram aprovar o projeto de colocar essa “tag” do parental advisory nos CD’s e VHS/DVD/BLU RAY e etc. O que gerou a revolta de boa parte dos músicos por que isso é uma censura violenta a qualquer tipo de liberdade de expressão dentro da música.

Bom, essa foi uma versão beeeem resumida da história. Se quiserem saber mais sobre o tema sugiro a vocês o filme “Proibido para Menores” onde ele interpreta a ele mesmo (ISSO É QUE É SER FODA) que explica beeem melhor essa história.

Além dele também teve o depoimento de Frank Zappa "A LENDA DO JAZZ EXPERIMENTAL"
Segue abaixo um trecho do filme, a parte do discurso (infelizmente só encontrei dublado) ·.



É isso! Espero que tenham gostado, pretendo dividir o “Traveling without moving” em colunas essa parte de histórias da música (Senta que lá vem a história) vai ser uma delas!
Ahhh e para algum de vocês que ainda não conhece a banda, segue abaixo alguns dos maiores clássicos da banda:





Morte prévia


Digamos que Carlos não era o melhor carcerário e seu trabalho não era exatamente vigiar encarcerados.
Seu trabalho era importante, certamente. Todavia, insignificante também.
Nunca fora chamado para ir até a escola de seu filho e falar de sua profissão. Nunca nenhum colega dos tempos de escola mostrou ter inveja do seu emprego. Porém, era o que pagava suas contas e de lá não iria sair, afinal, a insalubridade e a garantia de aposentadoria mais cedo era um dos privilégios de ser quem era.
Porém, há uma história que gosta de se lembrar todos os dias.
Enquanto Carlos vigiava fielmente o portão, pensava em como aquilo era exaustivo e em como o dia estava quente. Não podia usar boné e até seu couro cabeludo suava.
Foi então que apareceu uma figura peculiar.
Um cara bem vestido, com um sapato bem polido e o carro do ano, desceu em marcha lenta do carro, parou no portão e acenou para Carlos. Dizia boa tarde, também.
Carlos educadamente não retribuiu nem um pouco a educação e os deveres da sociedade para com o outro. Queria saber o que ele estava fazendo lá.
O cara, então, começou a falar.
Teu nome era Manuel e queria ir preso. Sim, ir preso.
O maldito disse que havia matado alguém e que não merecia mais conviver em sociedade.
Queria ficar em um lugar que pudesse ser igual aos outros; Entrar ali.
Carlos disse para ele ir embora, mas não tão gentilmente: “Seu idiota. Vá embora. Procure teu advogado ou a policia. Ou melhor, fuja. Você nunca irá querer viver aqui”
Não deu certo.
Manuel era extremamente insistente. Ameaçou tentar pular o portão que Carlos tão fielmente protegia.  Levou alguns choques ao chegar ao alto da grade e então caiu estático no chão.
“ESTÚPIDO! BURRO! VOCÊ É UMA ANTA MESMO.” – Berrou Carlos.
E foi ai que Manuel se levantou, chorou ao olhar para Carlos e confessou seu fatídico crime: “Matei a mim mesmo, homem. Deixe-me fugir daqui.”
“Vá embora. De que te adiantou ter dinheiro se ficou louco?”
E Manuel foi.
Nunca mais se viram pessoalmente, até que numa manchete na primeira página o jornal estampou: “Manuel Arruda comete suicídio após matar todos em sua família.”
Ele realmente havia se matado. E matado a outros também.
Ficou a dúvida: Por quê havia confessado tão previamente?

5 de fev de 2013

Filmoteca: Meryl Streep


Rainha do cinema moderno, inspiração da nova geração de atrizes, sendo ela uma das mais premiadas das últimas décadas: recordista de indicações ao Oscar com nada menos que 17 indicações. No globo de ouro nem se fala, são ainda mais, 26 indicações e 8 vitórias. Meryl fez e faz história no cinema a cada nova interpretação, por mínima que seja, é realizada com um louvor sem igual, uma técnica e um talento invejável.


Cheguei, bjs
Personagens icônicos que ainda hoje são lembrados pelo grande público, como a inesquecível megera Miranda Prestley de “O Diabo Veste Prada”, uma das suas interpretações mais amadas; o filme diga-se de passagem é uma delícia de se assistir, Anne Hathaway e Emily Blunt são uma graça juntas.

No drama, Meryl não deixa a peteca cair e traz o seu melhor, seja na grandiosa Clarissa Vaughan em “As Horas” (a minha atuação preferida da Meryl!) ou no mais recente “Dúvida”.


Meryl é uma daquelas pessoas que aparecem de anos em anos no mundo das artes, seu talento é uma coisa de outro mundo, a sua versatilidade no cinema é incrível, ela já tem sua marca na história da industria cinematográfica e na mente dos amantes da sétima arte, seja por suas performances ou por sua simpatia e modéstia sem igual.


l-i-n-d-a!


Por mim mesma

A desgraça de gostar de escrever é que você sempre se expõe demais, pois, palavras voam com o vento e podem se tornar incompreendidas por onde passarem.
Não venho por meio deste reclamar de alguma situação ou despir-me com as palavras e sim demonstrar o que sinto no momento.
Afinal, para isso esse pequeno lócus dentro da internet foi criado. Um lugar para chamar de meu no meio de toda a metamorfose que vivo constantemente.
Sofro vendo inúmeras coisas na televisão e choro sem pestanejar vendo carrossel. Sim, aquela novelinha do SBT me comove.
Dou risada com os inúmeros e repetidos episódios de Todo Mundo Odeia o Chris na Record.
Adoro uma fofoca do BBB.
Você pode não gostar: Mas não sou menos intelectual por isso.
É um tipo de cultura para massas? Sim. E eu faço parte da massa consumidora, assim como você também, que se diz contra politicamente correto ou se diz o próprio politicamente correto, também consome, afinal, duvido que você escolha sua marca de margarina ou pasta de dente pelos ingredientes.
Fica aqui também minha fé e perseverança de que números, alguns, poucos, não sejam só números no que significa escrever para mim. Tenho algumas, poucas, porém verdades.
Não considero o que acho certo melhor do que o que outro escreve. Há tantas verdades no mundo!
Queria que todos soubessem aprecia-las.
Sigo blogs de todos os tipos, todos os dias. Aliás, é meu ritual diário: Ligar o computador e abrir pelo menos cinco abas no famoso google chrome os meus queridos blogs. Dou risada incansavelmente com as blogueiras e alguns conseguem arrancar verdadeiro sentimento de felicidade de dentro de mim, quando me sinto perdida.
A internet, pra mim, também é um refúgio, como para tantos outros.
Meu sonho, quando era pequena, era ser médica. (Quando cheguei no colegial e tive química e biologia, desisti.) Eu dizia que queria criar uma poção mágica para minha mãe e minha vó viverem pra sempre.
Depois de algum tempo acabei mudando de ideia, quem é que ama a mãe o tempo todo na adolescência? Sonhava em ser feliz.
Sim, em ser feliz.
Dizia que quando eu crescesse, queria ser a pessoa mais feliz do mundo.
Persigo essa felicidade até hoje.
Há quem diga que o texto é descontextualizado, mas sou eu. Goste ou não.
A programação normal há de voltar.
Menos eu.
Quem leu tudo, quem me aguenta, quem tenta me entender, sabe: Não é fácil ser como eu sou. Eu não me aguento o tempo todo.
Sejam compreensivos, sejam mais sensíveis e vivam mais, busquem mais a felicidade.
Acho que só assim o mundo deixará de ser ou tentar ser politicamente correto e se tornar verdadeiramente real. Afinal, todos perseguirão propósitos em comum.
Nunca seja melhor que ninguém, seja igual.
Com um pé na igualdade e o outro na diferença, everything will be ok.