14 de jan de 2013

O ímã veloz


Gostaria que não fosse mais uma daquelas histórias de amor.
A primeira vez que o vi, foi naquele parque no centro da cidade. O cigarro no canto da boca, as mãos no bolso e aquele sorriso leve, que parece estar consigo aonde quer que vá.
Sua jaqueta preta semi aberta, sua barba por fazer o tornaram surreal.
Quis beija-lo desde o primeiro instante.
Ele não me olhava, aliás, eu não era notada.
Ele era alto, se destacava no meio da multidão.
Ele era como um imã: Atraia todas as mulheres até ele, com o intuito de um toque de mãos, um convite pra sair e uma troca rápida de telefones.
Algumas, as mais novas, apenas davam gritinhos histéricos como se estivessem vendo alguém famoso.
Ele adorava, via em seus olhos.
Todos os dias, na mesma hora, ele passava por aquela mesma praça. Trocava uma ou duas palavras com o dono de uma floricultura estrategicamente colocada ali, um aceno de mão para o barman dentro de um restaurante todo de vidro e então acendia seu cigarro, colocava-o no canto da boca e o apreciava lentamente, absorvia cada milímetro daquele precioso ar para ele.
Nunca havia ouvido sua voz.
Um dia acabei deixando um de meus desenhos caírem no chão perto dele. Um erro, certamente.
Ele se abaixou, pegou meu desenho, tirou o cigarro do canto da boca, soltou o gás tóxico até então preso dentro de seu corpo e disse olhando para minha boca: “Lindo. Você me desenha muito bem.”
Era ele realmente no desenho.
Ele pediu para ver mais alguns desenhos, o que foi prontamente negado, é claro.
Fugi durante algumas tardes do meu local habitual, porém, voltei. Ele não, estranhamente.
Nunca mais o vi.
Mudei de lugar novamente, de praça, de estação de metrô: Nada.
Continuava desenhando ele, algumas vezes.
Ele, aos poucos, desapareceu da minha mente também.
Se foi como a rápida paixão que senti por ele.
Se apagou como uma borracha apaga um desenho.
Foi levado com o vento, junto com aquele último suspiro enquanto ele olhava meus desenhos. 

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