21 de jan de 2013

By myself


Adorava pegar minha bicicleta, ir até o fim da cidade e observar o pôr do sol tomando conta dos prédios, iluminando-os com uma luz laranja, outras vezes rosa.. Um jogo de cores surpreendente.
Quando tirei minha carteira de motorista, fui um pouco mais longe, subi um pouco a montanha e consegui ver quase totalmente o sol se escondendo.
Talvez fosse um ritual, pra mim. Ver todos os dias o sol se escondendo, ir ele aos poucos dando lugar a escuridão e ao brilho da lua.
Meu sonho sempre foi conseguir comprar uma daquelas câmeras fotográficas profissionais e fotografar todos os dias, perceber as diferenças, as semelhanças, as diferentes épocas do ano e quando eu não pudesse mais fazer o meu hábito de todo dia, pegar uma caixa em particular e olhar novamente todas as fotos.
Nunca vou te levar lá, é verdade. Me desculpe por isso, aliás.
É meu lugar. É meu ritual. Por mais que eu adore dividir tudo com você, alguma coisa tem que ser inteiramente minha.
Pode confiar, não vou lá para te trair, usar drogas ou qualquer coisa.
Eu só preciso de um tempo para mim. Talvez seja quando eu consigo me afastar dos problemas e resolve-los.
Mas me desculpe: Olhe as fotos.  Lá é encantador, porém, querida, ainda preciso de alguma coisa só para mim.
Trabalhamos em casa, o carro é nosso, a casa é nossa, a cama é nossa, o sofá é nosso e ainda sim acho que preciso de alguma coisa só para mim.
Vivo tanto tempo contigo que sentir saudade é bom.
Não fique chateada, prometa. Olhe as fotos, acredite.
E o tempo passou.
Ainda sim, quis, um lugar só meu.
Um dia ela foi lá sozinha, sem mim.
Acabou voltando comigo.
Ainda sinto falta de quando tinha algo só meu.
Necessário foi, para que no fim, pudesse perceber a imensidão de tempo que passo sozinho, sem abrir a boca ou dizer o que sinto de verdade.
Querida, eu te amo.
Mas eu ainda preciso ser dono de mim.  

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