24 de jan de 2013

As cartas


“Bom dia, querido.
Queria começar essa carta com todo o amor existente no começo de nosso namoro. Aquela paixão revigorante, que traz uma paz quase irreversível.
Queria que no meio do parágrafo, eu falasse das nossas pequenas brigas, dos nossos medos e inseguranças, para transformar uma fantasia em realidade.
Queria também que no final, eu pudesse escrever um daqueles épicos finais: A protagonista morre, o protagonista morre, alguém os mata ou eles vivem felizes para sempre.
Acontece que nem saímos do começo. Nem estamos no meio. Acho que nunca chegaremos no final.
Me considero uma eterna apaixonada: Querendo todos os dias seu abraço, todos os dias vivendo numa paz sobrenatural só por te ter ao meu lado e também com os nossos defeitos.
Você é meu companheiro, acima de tudo. Obrigada por isso.

Bom dia, querido.
Queria começar essa carta te contando todas as nossas besteiras, nossas conversas bobas e discussões à toa.
Queria também que no meio do parágrafo, contar o quanto nossa amizade é perfeita e involuntária, o quanto você me faz bem e me traz serenidade.
Queria também no final escrever uma bela história, de um sentimento que se torna amor.
Acontece que já passamos disso. Aliás, foi tudo ao mesmo tempo: Você sempre foi meu melhor amigo. Sempre foi meu amor. Nunca precisamos realmente nos declarar: Sempre estivemos juntos.
Me considero uma sortuda: Tenho você.
Você é meu companheiro, acima de tudo. Obrigada por isso.

Bom dia, querido.
Queria começar essa carta como se ela fosse uma biografia dos meses que estamos juntos. Com toda aquela história de medo, de insegurança, de amizade.
Queria também que no meio do parágrafo, te dizer tudo o que sinto novamente, reforçar nossos votos de companheirismo e sentimentalismo, acontece que não é necessário.
Queria também que no final, tivesse aquela bela história de amor contada e explicada, para todos ficarem com vontade de ter igual, acontece que não é necessário.
Acontece que realmente não é necessário.
Não me considero nada, no momento.
Você é meu companheiro, acima de tudo. Obrigada por isso.

Eu te amo.
Obrigada por existir, querido.
Obrigada pelos dias.
Obrigada pelas versões, carinhos e amor.
Pena que tudo passa.
Jul/93”

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