31 de jan de 2013

Photo of the moon


A brisa do mar tocava minha pele, me arrepiando. Observava enquanto o clima se tornava ameno, o sol ia baixando e a lua tomava seu lugar no céu.
Acho que nunca fiquei tanto tempo tentando tirar uma foto. E nem consegui tira-la. Mas fiquei tão encantada com aquele lugar, o sol quase tocando o mar, o brilho da lua iluminando a água. Queria mergulhar.
A água estava fresca, temperatura ideal para o verão.
Quando finalmente me dei conta, a lua já se encontrava no topo do céu: meia noite.
Peguei minha câmera, verifiquei as chaves no bolso e fui até o meu carro. Guardei todo o equipamento e dei fim à aquela hipnose.
Talvez a lua tenha sorrido para mim naquele dia.
Nunca mais me esqueci daquele luar, daquele brilho, daquele encanto.
Todos os dias, enquanto passava por aquela rua, indo em direção ao trabalho e olhava para o céu, me perguntava quando novamente teria uma daquelas noites tão brilhantes com o céu novamente.
Acho que nunca.
A poluição aumentou desde então e eu comecei a procurar mais longinquamente aquele luar. Acabei que não encontrei.
Ficou só a decepção: Deveria ter tirado a foto.

30 de jan de 2013

Vida finita


Ela tinha um segredo que era tão bem guardado que, por vezes, esquecia-se.
Ela tinha também um desejo tão bem estimulado que, por vezes, tornava-se realidade.
Foram tantas e infinitas vezes em que ela se afogou em próprios pensamentos, sorriu para a ilusão e disse adeus à falsa solidão.
Sozinha, foi feliz.
Não necessitou daquele que a completasse, desde que, todos os dias, pudesse transformar sua realidade em uma história tão simples e criativa quanto podia.
Mudanças: Sempre necessárias.
Sonhos: Sempre indispensáveis.
Ironia: Realidade.
A ironia tornou-se sua realidade e o ato de sonhar, por si só, era uma ironia em que convivia aleatoriamente com o que realmente queria, escondendo-se dentro de si.
Não foi fácil viver numa opressão, regressão e dispersão de si.
Queria voltar ao início da história e finalmente sorrir, após meses de discussão.

Ela não tinha um segredo bem guardado. Considerava-se como um livro, todos podiam ler.
Ela também não tinha um desejo pré determinado e estimulado o que, por vezes, surpreendeu-a.
Foram tantas e infinitas vezes em que ela se afogou em próprios pensamentos, sorriu para a realidade e disse adeus à ilusão.
Sozinha, foi feliz.
Não necessitou daquele que a completasse, desde que, todos os dias, pudesse transformar sua verdade em uma história tão simples e criativa quanto podia.
Mudanças: Sempre necessárias.
Sonhos: Sempre dispensáveis.
Ironia: O ato de planejar.
Ela decidiu que viver uma vida planejada em que tudo já tem um roteiro é tão triste e mesquinho, pois, não elimina ao todo os erros e acertos feitos dentro da realidade na qual vive, tornando quase tudo impossível.
Não foi fácil viver uma opressão, regressão e dispersão de si.
Todavia, não quis voltar ao início da história e finalmente sorriu, após meses de discussão.

Ela tinha alguns segredos bem guardados e outros não. Não se considerava uma dádiva, nem nada.
Ela também tinha alguns planos, sonhos mas, adorava surpreender-se.
Foram tantas e infinitas vezes em que ela se afogou em próprios pensamentos, sorriu para a ironia e disse adeus para à ilusão.
Sozinha, foi feliz. Em um grupo ou casal, também.
Necessitou em alguns momentos de alguém que a completasse, pois a solidão as vezes é mais amarga que doce.
Mudanças: Sempre possíveis.
Sonhos: Sempre desejáveis.
Ironia: O ato de viver.
Ela decidiu que viver uma vida planejada é impossível, porém, que viver uma vida a mercê da espera também. Colocou alguns planos em prática, viveu o que apareceu e tudo cedeu.
Foi fácil, afinal.
E nunca, nunca desejou voltar ao início da história, pois havia sorrido demais durante o caminho e seus olhos brilhavam de felicidade ao ver novas possibilidades.

29 de jan de 2013

Indesejável


Sua história, de fato, nada ajudou em mudar a sociedade e seu nome não está nos livros de história.
Dentro de si acreditava que era diferente.
Era canhota, o que para época, era nascer de pá virada ou bunda para a lua.
Seu sorriso faltava um dente canino, seus olhos não eram azuis e piscavam constantemente.
Não era loira.
Não era rica.
Não morava em fazendas.
Não foi há escolas da alta sociedade.
Não fez um curso de verão de boas maneiras.
Não sabia costurar (e muito menos cozinhar).
Sabia ler, mal, mas sabia.
O bê-á-bá era incrivelmente difícil sozinha e seu pai insistia em jogar o jornal fora após lê-lo, todas as manhãs, assim teria a certeza de que ela não iria se habituar demais a ser moça da cidade e sem a criação adequada.
Então, quando ela chegou ao alto dos seus quinze anos, uma governanta encarregada de ensinar-lhe tudo que a mãe não conseguiu, chegou.
Alzira era seu nome.
Alzira não rima com maldita, mas é sonoramente compatível, o que trazia a tudo aquilo algum sentido.
Alzira ensinou como ter calos nos dedos costurando, como curá-los com alguma receita que anotou em um caderninho e que cozinhar era terrivelmente ruim.
Mas não superava passar roupas.
Amaldiçoar todos os deuses do olimpo não foi o suficiente.
Todas as vezes que se queimava enquanto usava o ferro, que se machucava costurando com a máquina ou que se cortava fazendo o jantar, se lembrava da Maldita dizendo que nenhum homem iria querê-la.
Ela sabia disso e se empenhou bravamente em tornar isso ainda mais fácil.
Não era prendada, não era estudada, não era nada.
Na verdade, era uma única coisa para a sociedade em que vivia: Indesejável. 
E foi assim que não se casou, não se importou e foi há um único velório conscientemente feliz: O da Alzira, a Maldita.
Sua verdade se propagara: Ela não iria se casar. Assim como Alzira também não.
Foi ai que percebeu suas semelhanças, diferenças e percebeu que não eram tão diferentes quanto supunha: Eram tão iguais na medida do possível.
Desde então é contratada para dar aulas sobre deveres do lar.
Seu nome não rima com Maldita ou Alzira.
E sim com Maligna. Afinal, Mariana era.

28 de jan de 2013

Intocável


Intocável. Esse era seu apelido desde a infância pelos criados de sua casa.
Seu pai, um rico banqueiro da década de 1910, chegava todos os dias com novas boas notícias: As ações aumentaram, tem mais dinheiro, mais carros, mais casas e mais pretendentes para sua querida filha de cinco anos.
Sim, ela tinha cinco anos e pretendentes.
O tempo passou. Ela sempre teve ótimas notas na escola: Era a melhor aluna da sala. A melhor do curso de francês, de espanhol e italiano. Falava fluentemente qualquer uma das três línguas aos 15. Aos 16 passou em Harvard para estudar inglês, mas preferiu se dedicar a qualquer uma das matérias que envolvessem artes, tintas ou coisas do gênero.
Em 1929, com 24 anos, ficou pobre. O curso fora cancelado por falta de pagamento o que acabou deixando-a sem diploma.
Ninguém naquela época precisava de uma secretária poliglota, pois todos estavam falidos. Precisavam menos ainda de uma artista poliglota com uma técnica diferente de pintura.
Seus cavalos foram vendidos, seus carros, suas casas, tudo para liquidar dívidas.
Ficou sem nada.
Começou a lecionar em troca de comida, em um colégio de freiras. Aos poucos fora conquistando a confiança e algum salário em troca.
Mas ainda passava frio nas noites de inverno de New York.
Já na década de 40, no ano de 1945, com seus 40 anos, decidiu se aventurar novamente e gastar o pouco que juntou ao longo de sua carreira como professora: Foi viajar para Paris, conheceu o Louvre e alguns artistas.
Pintou novamente.
Se perdeu também.
Apesar de falar francês, ela tinha sotaque. Não poderia nunca dar aulas ali.
Estava longe de casa, sem dinheiro, sem quadros, sem tinta e sem alunos.
Andarilho virou.
Aos 50, depois de muito mendigar, conseguiu adentrar em um navio para viajar de volta a América.
Seus pais já haviam morrido e seus amigos também.
Preferia ter ido à guerra, dizia ela.
E a crise passou. Uma nova onda de prosperidade chegou. Rica novamente, ficou.
Gastou tudo antes que pudesse ver e quando se deu conta, não havia vida, dinheiro ou vontade de alguma coisa.
Morreu triste, queria mais.
Mais alguma coisa que se perdeu.
Intocável era. Mendiga era. Pobre era. Rica era.  Era.
Se foi. 

25 de jan de 2013

Memórias escritas


Queria que novamente aquele dia se estendesse em minha memória e me fizesse feliz por alguns saudáveis momentos.
Disse para ela que não deveria ir embora, que não queria, mas fui mesmo assim.
Desisti dela para fugir com o que eu chamava de sonhos não realizados e que ela me impedia de torna-los reais.
Ela me impedia de prosseguir ou ela me segurava e me dava suporte quando mais precisava?
Não devia ter ido embora.
Voltei após algum tempo.
Hoje escrevo só cartas de momentos que passaram.
Não é o suficiente descrevê-la: Não lembro mais a cor dos seus olhos, o som da sua voz e a cor da pele.
Hoje imagino quem ela deveria ser e vendo fotos de nós dois e pensando em quanto tempo já se passou, me deparo com o fato de que ela não é mais quem eu troquei por noites mal dormidas, um curso de verão e sorrisos aleatórios no ônibus.
É lógico que ela nunca respondeu. Talvez ela tenha mudado de endereço ou então tenha se casado.
Acabei queimando sem querer a ultima foto que eu tinha dela e a memória se tornou mais falha e mais vaga.
Me lembrei de alguns momentos juntos, das risadas que dávamos, mas só da sensação que sentia em estar com ela, não dela.
No final, talvez, não sentisse mais falta dela e sim falta de ser feliz.
Me esforcei para provar o fato ao meu cérebro e torna-lo verídico. Tornou-se.
Comecei a sair, a rir e a me divertir com outras, todavia, ainda sentia falta de algo que não sabia denominar.
Um dia encontrei-a na rua e meu coração encheu-se de felicidade, pois todas as memórias recém-apagadas se tornaram tão vivas quanto uma rosa recém-desabrochada.
Me forcei tanto a esquecê-la e ter a certeza de que não era ela quem eu queria, que quando a vi acabei perdendo o rumo.
Ainda sinto sua falta, querida.
Responda a minha carta e marcaremos um encontro. Quando você menos esperar eu irei te namorar e então casaremos alguns meses depois.
Volte para mim e realizaremos aquele seu sonho de viajar à África do Sul e depois ir direito para Paris.
Não me deixe mais sozinho nas noites frias e cuide de mim quando eu pegar um resfriado.
Nunca irei perder a esperança.
Já perdi você. 

24 de jan de 2013

As cartas


“Bom dia, querido.
Queria começar essa carta com todo o amor existente no começo de nosso namoro. Aquela paixão revigorante, que traz uma paz quase irreversível.
Queria que no meio do parágrafo, eu falasse das nossas pequenas brigas, dos nossos medos e inseguranças, para transformar uma fantasia em realidade.
Queria também que no final, eu pudesse escrever um daqueles épicos finais: A protagonista morre, o protagonista morre, alguém os mata ou eles vivem felizes para sempre.
Acontece que nem saímos do começo. Nem estamos no meio. Acho que nunca chegaremos no final.
Me considero uma eterna apaixonada: Querendo todos os dias seu abraço, todos os dias vivendo numa paz sobrenatural só por te ter ao meu lado e também com os nossos defeitos.
Você é meu companheiro, acima de tudo. Obrigada por isso.

Bom dia, querido.
Queria começar essa carta te contando todas as nossas besteiras, nossas conversas bobas e discussões à toa.
Queria também que no meio do parágrafo, contar o quanto nossa amizade é perfeita e involuntária, o quanto você me faz bem e me traz serenidade.
Queria também no final escrever uma bela história, de um sentimento que se torna amor.
Acontece que já passamos disso. Aliás, foi tudo ao mesmo tempo: Você sempre foi meu melhor amigo. Sempre foi meu amor. Nunca precisamos realmente nos declarar: Sempre estivemos juntos.
Me considero uma sortuda: Tenho você.
Você é meu companheiro, acima de tudo. Obrigada por isso.

Bom dia, querido.
Queria começar essa carta como se ela fosse uma biografia dos meses que estamos juntos. Com toda aquela história de medo, de insegurança, de amizade.
Queria também que no meio do parágrafo, te dizer tudo o que sinto novamente, reforçar nossos votos de companheirismo e sentimentalismo, acontece que não é necessário.
Queria também que no final, tivesse aquela bela história de amor contada e explicada, para todos ficarem com vontade de ter igual, acontece que não é necessário.
Acontece que realmente não é necessário.
Não me considero nada, no momento.
Você é meu companheiro, acima de tudo. Obrigada por isso.

Eu te amo.
Obrigada por existir, querido.
Obrigada pelos dias.
Obrigada pelas versões, carinhos e amor.
Pena que tudo passa.
Jul/93”

23 de jan de 2013

Vivendo

Todos os dias no mesmo horário, ela abria a janela de modo que o ar pudesse ser renovado e a luz do sol pudesse entrar.
Era incrível como isso fazia parte de sua rotina: Parecia que o dia ainda não havia começado enquanto ela não abria aquela janela, enquanto ela não pudesse sentir o frescor da manhã misturado com café.
Café foi uma de suas recentes descobertas e os dias sem ele se tornaram amargos, apesar de tudo.  Virou um vício.
Ela não desejava que tudo fosse mágico, que seus sonhos se realizassem com um passe de mágica e que sua vida não tivesse problemas: Só queria que fosse o suficiente estudar e ter a certeza do resultado no final. Queria acreditar que conseguiria realizar seus sonhos.
Tentou. E em todas às vezes foi surpreendida com problemas no meio da jornada – como qualquer um – e que a abalaram intensamente.
Ela sofreu muito.  Quase que por nada.
Eram problemas bobos, do tipo sim ou não, que afetaram o resultado final: Não deu certo, é lógico.
No próximo ano, ela decidiu: “Tenho que resolver meus problemas, antes. Tenho que parar de ser assim”.
Tentou ao máximo, se esforçou e percebeu que não era o suficiente. Ela sempre ficaria chateada, ela sempre iria querer chorar, todavia, ela não precisava ficar assim uma semana inteira ou um dia inteiro. Ela aprendeu que deveria dar a atenção certa e o tempo certo para cada coisa.
Com o tempo tudo se encaixou.
É lógico que sonhar, estudar e se dedicar não é a receita mais simples do mundo, todavia, é como uma dieta: É difícil começar. Difícil parar. Sempre difícil.
Depois de meses agindo assim, não se sabe qual o resultado certo que obteve com a aprendizagem, não se sabe também se o sonho dela se realizou, mas há chances de que sim.
Afinal, todo mundo precisa de um pouco de felicidade após um tempo recluso, todo mundo precisa de novas oportunidades.
Dizem por aí que hoje ela sonha novamente, também. Dizem que não é o suficiente mais fazer tudo se encaixar, quer que a vida seja louca, que seja mais do que vida.
Acho que ela descobriu que nem tudo precisa do tempo certo e da atenção certa.
Vai saber até onde ela vai aprender, só sei que não tem um prazo certo para cada lição.
Até que tudo acabará. 

22 de jan de 2013

Filmoteca – TOP 5: Musicais!


Can you hear the people sing? O musical é um gênero de cinema que desperta muitas sensações na audiência, seja o amor dos fanáticos ou o ódio daqueles que não suportam mais de meia hora em um filme cantado. Mas querendo ou não, os musicais seguem sendo bastante populares, arrecadando milhões e tendo reconhecimento da crítica. Contando com produções cada vez mais impecáveis, cenários mais elaborados e roteiros mais instigantes. Sendo assim, não é uma tarefa nada fácil ter que garimpar e escolher apenas 5 representantes do cinema musical para montar um top, ainda mais sendo um gênero tão diversificado que evoluiu junto com o cinema. Sem mais delongas, vamos ao primeiro top 5 da coluna:

5º - Canções de Amor (2007)

Se os musicais ganham cada vez mais destaque pelas produções cheias de grandes cenários, este aqui segue pelo caminho oposto. O cenário aqui são as ruas de Paris, uma Paris gélida (o que só a deixa mais bonita). O filme acompanha a história de um jornalista (Garrel) que tem um vive um romance a três com Alice e Julie. Mas uma reviravolta deixa a vida de todos de cabeça para baixo. O filme ganha bela simplicidade, pelo modo com o drama é abordado e pela beleza da fotografia. Impossível assistir e não suspirar.


“Ama-me menos, mas me ame por mais tempo.”

4º - Dançando no Escuro (2000)

Dirigido pelo polêmico Lars Von Trier (Anticristo) este filme, que foi vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2000, se passa em 1964 e conta a história de Selma, aqui interpretada pela cantora Björk, imigrante que vai para os Estados Unidos trabalhar dia e noite em uma fábrica para pagar uma operação para o seu filho. E é durante o trabalho que cada batida da fábrica se transforma em uma nota musical no mundo imaginário criado por Selma para fugir da realidade que não é nada fácil. O filme é um soco no estômago e se emocionar aqui é regra.


3º - The Rocky Horror Picture Show (1975)

Clássico do cinema Cult e indie, este filme já foi revisitado várias vezes: algumas com resultados bem interessantes (As vantagens de ser invisível) e algumas que não valem ser lembradas (Glee). Um musical cativante, que tem como personagem principal um travesti do planeta Transsexual, que recebe a visita de um casal de noivos que precisa de ajuda. Tudo aqui foge do convencional, é preciso assisti-lo com a mente aberta e se deixar levar pela historia criada pelo diretor Jim Sharman (que fez apenas outros dois filmes, mas nenhum obteve tanto sucesso). Instigante, original, como um comentário no filmow definiu o filme: “uma orgia estranha intergalática”



2º - Chicago (2002)

Se até agora a nossa lista estava indo pelo lado B dos musicais e fugindo do convencional, este aqui é ponto comum quando se fala de uma grande produção, grandes cenários, enfim, tudo muito bem elaborado. A trama se passa em uma Chicago perigosa da década de 20 e traz duas assassinas que viram celebridades na prisão. O filme foi hit absoluto tanto de bilheteria, arrecadou mais de 170 milhões só nos Estados Unidos, quanto de sucesso de crítica, teve 13 indicações ao Oscar de 2003 e levou em 6 categorias, incluindo melhor filme. Para os amantes do gênero, é um prato cheio!


1º - Cantando na Chuva (1952)

Este aqui é soberano quando se trata de musicais: é o primeiro lugar da lista dos “25 Maiores Musicais de todos os Tempos” idealizada pelo AFI e é considerado até mesmo um dos melhores filmes já feitos. E não poderia ser diferente na nossa lista. É um daqueles filmes que te deixam com um sorriso involuntário quando você assiste. Os cenários são lindíssimos, os atores têm química e tudo flui como se fosse mágica. É uma referência que já dura mais de 50 anos e mesmo assim continua atual. Um elenco carismático e números perfeitos. Irretocável. Duas cenas marcantes:





Claro que com um número reduzido muitos clássicos e musicais importantes ficaram de fora, mas que por isso não foram menos importantes para a história do gênero ou não sejam grandes referências. Exemplos disso não faltam: Grease, Moulin Rouge, Funny Girl, Nasce Uma Estrela, entre outros. Até semana que vem!



Diálogo F


Querido, eu sei que eu deveria voltar.
Mas não consigo, essa é a verdade.
Queria poder sonhar e saber que você virá atrás, mas eu não te quero mais comigo. Não agora, não assim.
Eu te amei tanto e você nunca disse o mesmo. Eu esperei tanto de você e acho que no final, a culpa não é sua, é minha.
Não, não faz assim. Não sorri pra mim.
Diz que vai ficar tudo bem, meu amor. Porque eu sei que vai comigo!
Seu sorriso é lindo, para por favor.
Ok. Ok. Ok.
Não diz que eu sou linda, eu não sou. É você!
Você é o cara mais especial que eu já quis amar. Eu deveria te amar.
Me desculpa não conseguir, vai.
É sério, não estou mentindo.
Se eu pudesse escolher alguém pra ficar pra sempre, seria você com esse sorriso lindo que me faz querer te abraçar.
Não quero mais viver essa sequência infinita, esse repeteco de brigas e desilusões.
Nós vivemos tão bem enquanto deu, que agora não quero destruir essas lembranças.
Eu vou te destruir e no final vou acabar sendo destruída também.
Volte a sonhar por si, volte a ser feliz.
Por favor, por mim.
Realize um último desejo meu: Não sofra mais por alguém como eu.
É que assim, você é tão lindo pra mim, eu te amei tanto.. Não entendo como tudo acabou. Não quero aceitar, mas foi.
Você já deveria ter ido.
Nunca mais vou te incomodar, juro. Mas, promete pra mim que vai sonhar por mim, promete que vai realizar todos os seus novos sonhos e que vai se casar.
Tem que se casar, mas com alguém que te queira tão bem quanto o possível: Assim, sempre haverão duas pessoas torcendo por você. Eu e ela.
Um dia, quando você se lembrar de tudo isso, lembre-se com carinho, tá?
Porque com carinho irei me lembrar de você. Irei sonhar com você. Irei tentar te amar.
Não, não vou virar tua amiga, porque é impossível isso: Nós nunca mais viveríamos, nunca.
Promete logo pra mim, por favor.
Prometeu?
Jure agora.
Tá, não precisa rir de mim.
Jure com os dedinhos.
Agora eu acredito em você.
Te desejo toda a felicidade do mundo e o sorvete também.
Que sua boca nunca mais arda quando comer miojo de pimenta e que seu sorriso seja o melhor e o mais bonito pra sempre, como já é agora.
Querido, tenho que ir. O ônibus vai partir.
Não esquece de me desculpar, algum dia. E não esquece de cumprir a promessa e o juramento. Lembra dos dedinhos.
Eu te amo, eu acho.
Mas não da forma que eu e você precisamos.
Fica bem.
Não me abrace.
Vai dar tudo certo, acredita. 

21 de jan de 2013

By myself


Adorava pegar minha bicicleta, ir até o fim da cidade e observar o pôr do sol tomando conta dos prédios, iluminando-os com uma luz laranja, outras vezes rosa.. Um jogo de cores surpreendente.
Quando tirei minha carteira de motorista, fui um pouco mais longe, subi um pouco a montanha e consegui ver quase totalmente o sol se escondendo.
Talvez fosse um ritual, pra mim. Ver todos os dias o sol se escondendo, ir ele aos poucos dando lugar a escuridão e ao brilho da lua.
Meu sonho sempre foi conseguir comprar uma daquelas câmeras fotográficas profissionais e fotografar todos os dias, perceber as diferenças, as semelhanças, as diferentes épocas do ano e quando eu não pudesse mais fazer o meu hábito de todo dia, pegar uma caixa em particular e olhar novamente todas as fotos.
Nunca vou te levar lá, é verdade. Me desculpe por isso, aliás.
É meu lugar. É meu ritual. Por mais que eu adore dividir tudo com você, alguma coisa tem que ser inteiramente minha.
Pode confiar, não vou lá para te trair, usar drogas ou qualquer coisa.
Eu só preciso de um tempo para mim. Talvez seja quando eu consigo me afastar dos problemas e resolve-los.
Mas me desculpe: Olhe as fotos.  Lá é encantador, porém, querida, ainda preciso de alguma coisa só para mim.
Trabalhamos em casa, o carro é nosso, a casa é nossa, a cama é nossa, o sofá é nosso e ainda sim acho que preciso de alguma coisa só para mim.
Vivo tanto tempo contigo que sentir saudade é bom.
Não fique chateada, prometa. Olhe as fotos, acredite.
E o tempo passou.
Ainda sim, quis, um lugar só meu.
Um dia ela foi lá sozinha, sem mim.
Acabou voltando comigo.
Ainda sinto falta de quando tinha algo só meu.
Necessário foi, para que no fim, pudesse perceber a imensidão de tempo que passo sozinho, sem abrir a boca ou dizer o que sinto de verdade.
Querida, eu te amo.
Mas eu ainda preciso ser dono de mim.  

20 de jan de 2013

The sky


Sinto-me pequeno
Dentro de tamanha imensidão
Sinto-me inútil
Dentro de tamanha utilidade

Queria ser diferente:
É certo que seria impossível sentir o mesmo
Ter os mesmos medos
E a mesma insignificância.

Conto as estrelas e chego a mil
Mil milhões centenas de milhares
Mil vezes bilhões centenas de trilhares
Anos luz através de mim.

Queria tocar o céu, somente.
Tocar uma estrela, tão quente.
Chegar perto do sol e me bronzear rapidamente
Ir até plutão e sentir frio eternamente
Queria ser diferente.

Ainda quero?

18 de jan de 2013

Maybe a new life


Era só mais uma daquelas manhãs calmas, sem nada pra dizer ou café pra acompanhar. O bule soltava um leve grito, demonstrando que a água já tinha fervido. Chá de ervas. Ela se levantou da cama novamente, calçou seus chinelos e foi em direção à cozinha. Colocou um pouco do líquido quente em seu copo e começou a cheira-lo, assopra-lo e esperar que ele logo esfriasse um pouco.
Seu marido levantou, disse um bom dia rotineiro, pegou uma xícara e se serviu mais do que a mulher tomava, sentaram de frente um para o outro.
- Oi. – Ela disse, enquanto colocava o cabelo atrás da orelha, ajeitava a xícara numa posição confortável e se ajustava a cadeira.
- Oi. – Ele completou, posicionando a xícara perto do meio da mesa, o suficiente para ela poder ver que já tinha tomado quase tudo.
- Quer mais?
- Não, obrigado.
- O que vamos fazer hoje?
E foi ai que ele finalmente resolveu fazer alguma coisa diferente do que costumavam fazer: Ele queria pescar, é verdade, mas também queria ir ao centro da cidade com ela. Fazia apenas alguns anos desde que não ia e certamente o peixe lá seria mais fácil de ser encontrado.
- Quero ir ao supermercado. – Ela arregalou os olhos, foi até o banheiro e verificou o horários dos remédios dele. Algo estava funcionando.
- Ok, vamos nos arrumar. Mas.. Você tem certeza?
- É claro. Quero comer peixe hoje. – Disse ele, sorrindo como uma criança de dois anos faz quando ganha um presente novo.
- Quer que eu te ajude a escolher sua roupa?
- Não, obrigado, querida. Consigo fazer isso sozinho.
Ela se trocou e ele também. Quando ela ia pegar as chaves do carro, ele apareceu com um riso triste.
- Aconteceu alguma coisa? - Enquanto dizia isso, ela correu até ele e começou a verifica-lo meticulosamente com os olhos.
- Claro que não. Achei que estava te atrasando e não quero isso.
- Oh, não querido. Não se preocupe. Você nunca me atrasa. Vamos, sim?
- Ok. – Enquanto colocava as mãos no bolso, ele olhou para cima e perguntou: - Você pode comprar uma daquelas balas de caramelo?
- É claro. Compro um pacote daquele para você!
E eles foram ao supermercado. E ela, depois de oito anos, conseguiu estampar um sorriso pedindo o peixe rotineiro de quartas feira.
Ninguém entendia o porquê, a não ser ela, cuja qual era a maior sofredora de ter um marido com um transtorno psicótico, conhecido como alguns por TOC.
Ele nunca havia quebrado sua rotina e agora, com uma nova esperança, ela estava disposta a tentar mais.
Um marido, finalmente.
Uma nova vida, talvez. 

17 de jan de 2013

Finally Love


O céu estava incrível.
Várias estrelas e luzes tornavam aquele cenário caótico, em perfeito.
Não havia flores, como diziam alguns. Não havia também pés levantados, sinos soando ou borboletas no estômago. Foi só paixão.
Aquele não era seu primeiro beijo, certamente. Porém, parecia que havia se perdido até se encontrar com ele, algum dia durante sua vida.
Eram amigos desde criança e brincavam regularmente no parque, juntos, quando menores.
Estudaram a vida inteira na mesma escola, mesma sala e tinham gostos apesar de parecidos, divergentes.
Ela gostava de anime, ele, bem, ele não gostava desse mundo. Queria ser um daqueles empreendedores, advogados ou qualquer carreira que envolvesse usar todos os dias ternos e gravatas. Era sua sessão preferida dentro de uma loja grande.
Mas eles se davam bem, da mesma forma.
O amor não nasceu tão de repente, quanto o imaginado. Eles passavam horas juntos estudando, discutindo qualquer coisa e conversando, porém, não era natural imaginar uma cena daquelas.
Ela dizia até que eles eram “irmãos”. Epifania.
Um dia, ele disse que não era mais a mesma coisa, que tudo ia mudar dali em diante.
Realmente mudou.
Ela começou a namorar e ele também. Se desencontraram nessa história louca chamada vida e um dia, por ai, se reencontraram .
Era um parque em New York, estava todo iluminado pelos prédios em volta e haviam estrelas brilhantes no céu, transformando aquele cenário caótico, em perfeito.
Não havia flores, como diziam alguns. Não havia também pés levantados, sinos soando ou borboletas no estômago. Foi só o reencontro, a paixão acumulada, a saudade. O sentimento recém descoberto, o carinho envolvido.
Foi, finalmente, amor. 

16 de jan de 2013

Dona Cecília


Ela tinha olhos profundos, foi a primeira coisa que eu reparei. Não que eu nunca repare nos olhos das pessoas, mas os dela me chamaram a atenção. Seus olhos não eram claros, e pareciam olhos normais, mas te encaravam e desmascaravam sua alma, trazia a tona o que havia sido esquecido a algum tempo.
- Quando você nasceu? ela disse.
       Nesse momento, enquanto me sentava no sofá e ela também, percebi o quão humilde era sua vida. Prontamente respondi a data e então fitei o seu rosto. Seu cabelo era quase branco, com alguns fios pretos ainda perdidos entre todo aquele conjunto. Suas sobrancelhas não tinham nada de especial, e havia muitas marcas: Rugas, marcas de expressão.
Seus olhos ainda me fitavam e ela pensava no que ia dizer. Fez algumas outras perguntas e então parecia conversar com alguém. Talvez estivesse realmente.
Eu tinha a impressão de que já a havia visto, mas não havia dado importância. Porém, agora, ela desvendava aos poucos tudo aquilo que eu vinha escondendo e falava toda a verdade: algo estava errado.
Sabe, o grande problema de psicólogos e filósofos é que eles não te dão a resposta. As pessoas gostam de receber tudo pronto sem ter que utilizar sua massa que chamam de cérebro. O que talvez seja o mal do século.
Então, ela me fez pensar. Pensar em todas as conclusões, os medos e as felicidades. Pensar no certo e no errado e cheguei a uma conclusão: tudo mudou.
Seus olhos ainda me fitavam quando eu pensava ou chorava. E seus olhos também choraram quando ela finalmente sentiu que eu não estava doente, mas sentia uma dor tão grande, que me machucava tanto quanto qualquer outra pessoa ou coisa.
Nem tudo nessa vida é fácil e eu nunca vou deixar de colocar isso sempre em pratos limpos. Porque a verdade, a gente tem que encarar, observar e aceitar. Nada de compreender. Porque mentiras, essas sim merecem ser compreendidas, pra se conhecer o porquê delas terem surgido. 
Muitas pessoas irão caminhar com a gente durante nossa vida. Muitas pessoas vão chegar até o fim conosco, algumas outras vão ficar pelo caminho. E alguma minoria vai estar bem atrás de você, é só precisar. Porém a verdade nunca vai te abandonar.
E após tantas verdades, ela me deu a mão. Porque afinal, a paz só existe dentro de nós, pois o mundo é um caos.

15 de jan de 2013

Filmoteca - Minha primeira coluna: O Globo de Ouro 2013


Para estrear minha coluna no blog que vai falar sobre cinema, nada melhor do que começar falando da premiação que aconteceu neste último domingo: o Globo de Ouro, que reuniu todos os astros cotados para vencer o Oscar e ainda trouxe algumas surpresas bem interessantes. A premiação foi apresentada por Tina Fey e Amy Poehler, que trouxeram um ar mais cômico e jovial.  Nas categorias de cinema, Argo e Os Miseráveis foram os destaques. Nas categorias de séries “Girls” levou os principais prêmios da noite.

A noite começou com Tina e Amy dando um show de humor, fizeram piada com tudo e com todos, sobrou até pro James Cameron quando citaram a diretora de “A hora mais escura” como um exemplo por ter conseguido ficar com ele por 3 anos.

Amy e Tina = FUN FUN FUN!

Les Miserables era minha torcida na premiação levou para casa as estatuetas de Melhor Filme de Comédia/Musical, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Ator Comédia/Musical. Argo levou nas principais categorias: Melhor Diretor e Melhor Filme dramático.

Anne Hathaway aceitando o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante, um discurso lindo, reconheceu as concorrentes e lembrou do seu começo no cinema, foi uma princesa literalmente. 

Affleck também fez menção aos outros diretores que concorriam com ele. Detalhe que Ben Affleck também saiu do Critic’s Choice Awards com o prêmio de melhor diretor, ele que foi esnobado pelo Oscar, algo que foi muito criticado por todos já que ele era um dos favoritos na categoria.

Jodie Foster foi a homenageada da noite, laureada com o Prêmio Cecil B. DeMille, um troféu honorário que prestigia a sua contribuição ao mundo do entretenimento. Abaixo o vídeo do discurso épico:




Tina Fey sobre Robert Downey Jr.:  “O nosso próximo apresentador é tão versátil que interpretou o homem de ferro em três diferentes filmes”. COMO NÃO AMAR????? Na categoria de Canção Original não deu outra: Adele levou o prêmio e ainda disparou na frente dos concorrentes na corrida para levar para casa o Oscar dia 24 de fevereiro, o primeiro Oscar da cantora inglesa.

De olho no Oscar?

A menina prodígio Jennifer Lawrence levou pra casa o premio de Melhor Atriz em um filme de Comédia/Musical. Um discurso um tanto criticado por alguns que não gostaram da piadinha com a deusa maior do cinema Meryl Streep.

JLaw manda beijos


Se por outro lado faltou certa maturidade da parte de Jennifer Lawrence, Jessica Chastain foi uma rainha ao aceitar o prêmio de Melhor Atriz em um filme dramático. Ela que concorria pelo seu trabalho em Zero Dark Thirty (filme que vem causando polêmica por conta de algumas cenas de tortura que aparecem no filme). Vídeo do discurso abaixo:

Jessica sua linda, minha torcida no Oscar é pra você! Discurso lindo!

Na categoria de Melhor Ator em filme dramático não deu outra: Daniel Day-Lewis levou pra casa o prêmio e é o favorito disparado para ganhar seu terceiro Oscar. Na categoria de Melhor Animação, uma surpresa: Valente, da Disney, saiu vencedor, contrariando as previsões da maioria dos críticos que esperavam por Frankenweenie. E para finalizar uma imagem das lindas da noite que brilharam e são a minha torcida para o Oscar.

É muito amor pra uma imagem só!

Foi uma boa noite, a apresentação divertida contribuiu bastante, e os prêmios foram bem divididos então acabou que todo mundo se deu bem. Agora a ansiedade só ficou maior com esse gostinho de Oscar cada vez mais perto.














Sapatos perdidos


Nosso guarda roupas era organizado da seguinte forma: Não havia sequência.
Todas as manhãs você ficava louco procurando uma gravata importada que ganhou de não sei quem e eu ficava brava porquê meus sapatos estavam todos misturados.
Um dia eu contratei aquela personal-arrumadeira-organizadora e ela organizou tudo. Tudo.
Todos os sapatos tinham sua caixa, todas as gravatas ficavam em uma gaveta, suas camisas tinham cabides próprios e estavam milimetricamente bem passadas.
Nossas manhãs se tornaram surreais, desde então.
Tínhamos tempo para conversar, discutir e dizer coisas ruins. O café era sempre horrível, os problemas eram sempre gigantescos e nunca mais houve uma risada naquele horário matinal de nossa querida rotina.
Até que eu tomei uma decisão: Baguncei tudo. Tudo.
Misturei suas gravatas com minhas calcinhas e resolvi que suas camisas não precisavam tanto de espaço quanto meus suéteres que eu nunca usava.
É claro que você ficou bravo e novamente toda manhã você ficava louco porque queria aquela gravata que só combinava com aquela camisa que combinava com aquele terno que combinava com aquele sapato.
Ignorei tudo.
No final da tarde, quando eu encontrava a gravata certa, que você havia me pedido de manhã, nós ríamos intensamente.
O café estava maravilhoso, desde então. E parece que nos tornamos pessoas melhores.
O pão de queijo parecia que tinha mais queijo e o seu mamão parecia mais doce.
Te contei a minha teoria sobre isso: Não funcionávamos muito bem na normalidade. Você concordou, vimos um daqueles filmes que sempre passam na sessão da tarde ou na temperatura máxima, tomamos um vinho e dançamos quando ligamos o rádio.
Estávamos felizes: Apesar de você toda manhã querer me matar para achar suas gravatas e camisas prediletas, sempre achava alternativas iguais ou até melhores.
Era incrível como nossa sincronia era diferenciada de manhã: Enquanto não falássemos da desorganização, de sapatos perdidos e gravatas certas, acho que não seria o dia certo.
E continuei mantendo a desorganização até que resolvemos – novamente – organizar as coisas.
Da mesma forma, não deu certo.
Da mesma forma, baguncei tudo.
- Querido, não somos normais. Não tente. Você adora bancar o detetive todas as manhãs e eu também.
- Eu sei. Será que um dia vamos aceitar isso¿ - Disse ele, enquanto mexia em meu cabelo, tentando bagunça-lo.
- Acho que não. Acho que faz parte do processo. – Sorri para ele.
- Que processo¿
- O de felicidade, querido.
Continuamos sendo felizes e com gravatas e sapatos perdidos.

14 de jan de 2013

O ímã veloz


Gostaria que não fosse mais uma daquelas histórias de amor.
A primeira vez que o vi, foi naquele parque no centro da cidade. O cigarro no canto da boca, as mãos no bolso e aquele sorriso leve, que parece estar consigo aonde quer que vá.
Sua jaqueta preta semi aberta, sua barba por fazer o tornaram surreal.
Quis beija-lo desde o primeiro instante.
Ele não me olhava, aliás, eu não era notada.
Ele era alto, se destacava no meio da multidão.
Ele era como um imã: Atraia todas as mulheres até ele, com o intuito de um toque de mãos, um convite pra sair e uma troca rápida de telefones.
Algumas, as mais novas, apenas davam gritinhos histéricos como se estivessem vendo alguém famoso.
Ele adorava, via em seus olhos.
Todos os dias, na mesma hora, ele passava por aquela mesma praça. Trocava uma ou duas palavras com o dono de uma floricultura estrategicamente colocada ali, um aceno de mão para o barman dentro de um restaurante todo de vidro e então acendia seu cigarro, colocava-o no canto da boca e o apreciava lentamente, absorvia cada milímetro daquele precioso ar para ele.
Nunca havia ouvido sua voz.
Um dia acabei deixando um de meus desenhos caírem no chão perto dele. Um erro, certamente.
Ele se abaixou, pegou meu desenho, tirou o cigarro do canto da boca, soltou o gás tóxico até então preso dentro de seu corpo e disse olhando para minha boca: “Lindo. Você me desenha muito bem.”
Era ele realmente no desenho.
Ele pediu para ver mais alguns desenhos, o que foi prontamente negado, é claro.
Fugi durante algumas tardes do meu local habitual, porém, voltei. Ele não, estranhamente.
Nunca mais o vi.
Mudei de lugar novamente, de praça, de estação de metrô: Nada.
Continuava desenhando ele, algumas vezes.
Ele, aos poucos, desapareceu da minha mente também.
Se foi como a rápida paixão que senti por ele.
Se apagou como uma borracha apaga um desenho.
Foi levado com o vento, junto com aquele último suspiro enquanto ele olhava meus desenhos. 

11 de jan de 2013

The book of world


Resolvi me mudar do Brasil por um grande motivo: Queria mudar de direção, de mundo, de história.
Conheci os EUA no inverno e fiz anjos de neve, fui até a índia e vivenciei a pobreza. Cheguei a Dubai e percebi o que o petróleo poderia fazer. Na China eu percebi que o mundo era realmente super habitado e no Japão eu vi que por mais que você tente, há fúrias que você nunca conseguirá prever.
Conheci a África do Sul e sua tentativa desesperada por crescimento, no Egito encontrei a luta pela democracia e na Palestina encontrei a discórdia. Na Argentina eu encontrei rixa, futebol e muita opinião, todos os dias. Já no Canadá encontrei franceses quase desnaturados, na Turquia uma cultura em ascensão e na Alemanha uma cerveja estranha, cuja qual nunca havia experimentado nada igual.
Procurei a paz com Gandhi, conheci alguns lugares com o Aleph, vi a beleza das pequenas coisas com o Pequeno Príncipe e reconheci verdadeiros ciúmes com Casmurro.
Roma antiga me pareceu incrível e eu nunca iria querer viver na Grécia, na época da criação da democracia. Os cangurus da Austrália pareceram incríveis e eu nunca encontrei um frio tão desolador como na Finlândia.
Não conheci o mundo todo: Conheci o que desejava ver. Ler.
Conheci o que estava ao meu alcance, viajei dentro da minha casa.
Encontrei um livro. 

10 de jan de 2013

Diálogo M


Conta pra mim o que você fez hoje, diz, finalmente, que me quer de volta aí contigo.
Me deixa tomar aquele seu café sem açúcar e meio aguado, comer aquela bolacha do fundo do armário e ainda te elogiar pela facilidade com que cozinha.
Conta para mim novamente aquele seu pesadelo, me faz rir, me deixa te deixar brava.
Eu quero você, assim, do jeito que tá. Sem tirar nem por.
Sabe aquele sentimento de que tá tudo certo, tá tudo bem? Sinto contigo. Só contigo.
Acho que podia ficar horas com você no telefone. Tentando te imaginar sorrindo, seus abraços, seu aperto de mão e o cheiro do seu cabelo.
Injustiça define tudo o que sentimos: Distância é horrível.
Vem pra cá, amor. Vem pra mim!
Quero te fazer aquele miojo de pimenta que você tanto gosta, te servir coca-cola e te ouvir confirmar que está horrível.
Fala para mim dos seus sonhos, o que você quer fazer o resto da sua vida. Deixa eu me programar a você.
Sério, faz assim. Sonha bem alto: Eu vou atrás.
Não quero te deixar.
Então, por favor, volta para mim. Deixa eu dormir na tua cama e roncar enquanto você fica jogando.
Não precisa ficar com medo! Vai dar tudo certo.
Confia.
Só que por favor, nunca mais troque minha senha.
Mas volta. Eu te amo.
Aceito até tomar chá, da próxima vez. Aceito ficar de pé o dia todo e não comer lasanha, mas volta. Eu to te esperando aqui, no meu apê todo mofado e cheio de livros e CDs ruins.
Volta, vai.
Te quero aqui tanto quanto você me quer ai.
Faz assim: A gente se vê no meio do caminho, você me dá um sorvete e eu vou embora. E te levo junto.
Decide logo, to indo te buscar.
Mas volta.
Ainda preciso de você. Ainda preciso sonhar com você. Ainda não matei a saudade, não sufoquei o amor e não to pronto para te ver partir.
Volta, te dou um chocolate.
Ok, não te dou chocolate.
Você vai voltar? Ok, já to indo te buscar.
Te amo, hein.
Não esquece o sorvete.  

9 de jan de 2013

Ele também


Eu queria que fosse mentira, desejava com todas as minhas forças. Porém, quando ele entrou naquele trem e foi aos poucos indo embora, pra bem longe de mim, entendi a realidade: Ele foi embora realizar seus sonhos.
Era engraçado o fato de que o apoiei em todos os dias, enrascadas, iniciativas e medos. Ajudei ele a mandar aquele maldito currículo para aquela maldita universidade, ajudei ele a escolher a casa, o sofá, a cama e até a cor das paredes.
E o maldito ainda assim foi embora.
Antes, nós vivíamos dias adoráveis: Ele saindo do trabalho naquela escola de ensino médio, indo me buscar no meu escritório, logo depois nós dois passávamos naquele restaurante que gostávamos, comprávamos uma comidinha gostosa, íamos pra casa, jantávamos e então dormíamos.
Com o tempo ele começou a me contar de novas oportunidades, novos empregos, novas realidades... E então ele se foi.

- Você já olhou para a realidade e não para seus sonhos, Amanda?
- Mas, isso é impossível. Eu sempre vejo a veracidade dos fatos.
- Mentira. Você fantasia o tempo todo. Fantasiava seu casamento antes mesmo de um pedido de noivado, fantasiava sua mudança mesmo sem ele ter te convidado. Você não vive, você fantasia.

Depois daquela conversa, comecei a remexer em minhas dolorosas lembranças e a ver detalhes antes até então nunca vistos: Ele odiava aquele trabalho na escola, odiava dizer que um adolescente não podia ficar falando de sexo o tempo todo e corrigir suas provas de matemática. Odiava seu carro também.
Eu demorei, mas percebi também que toda vez que íamos naquele nosso restaurante, ele pedia menos comida. Ele comia menos.
Percebi também que ele odiava jantar à mesa: Preferia ver o noticiário e poupar tempo. E odiava ainda mais nossas conversas antes de dormir. Todas, inegavelmente, todas às vezes ele respondia apenas com um: “uhum” enquanto se dedicava a se concentrar em seus sonhos.
Ele nunca nem se quer deu um detalhe, ou encorajamento de que íamos nos casar ou de que eu devia me mudar junto com ele.
Foi difícil, é claro. Mas não tão difícil quanto perceber que eu vivi dois anos na mentira.

- Você está melhor?
- Bom, sim. Não choro mais, não tomo remédio mais, não penso mais.
- Você tem comido?
- É claro que sim. E ido a academia também.

Eu mudei. Me transformei. Me foquei na minha própria carreira, nos meus próprios sonhos. Me realizei.
Até que eu o vi naquela noite de dezembro, cujo dia gelado estava se tornando em polo norte no momento.
- Oi. Tudo bem? - Disse ele, vindo em minha direção. Já haviam se passado cinco anos.
- Claro e com você? - Disse eu, enquanto mantinha uma distância razoável dele.
- Bom, bem também. Consegui uma vaga na universidade daqui. Começo no início do semestre.
- Isso é ótimo! – Disse eu, enquanto isso, ele se aproximava cada vez mais para perto de mim, mexia em meu cabelo, sorria enquanto olhava dentro dos meus olhos. – Hmmm, me desculpe não poder conversar, meu namorado me espera. – O que de fato era verdade. Eu mudei, ele não percebeu.

Não sei se alcancei a felicidade plena, a paz plena ou qualquer coisa que traga a sensação de estabilidade, só sei que: Finalmente não tenho que me preocupar mais com alguém que não quer meu bem tanto assim.
O tempo passou e finalmente, ele também.