9 de jun de 2013

Ânsia

Tenho ouvido as mesmas musicas e elas perderam o sentido.
Todavia, não sei nem o que ou se devo fazer alguma coisa.
Permanentemente tenho pensado apenas em transcreve-las, afinal, meus sentimentos estão sendo moldados de acordo com o que eu ouço - e isso não pode estar certo.

Toda vez que eu vejo alguém sorrindo, imagino o porquê, imagino se é verdadeiro, falso, o que quer dizer. Se eu conheço a pessoa, eu adivinho o motivo e fico feliz ou triste por ela.

Não queria dizer nada não, mas viver tem sido um saco.
Esse tal de meio termo é legal até você enjoar. Não sei se estou pronta para o próximo capítulo também.
2013 começou complicado e ainda está, será que tudo vai mudar?
Ansiosa, apenas.
Tem que dar tudo certo no final né? Alguma informação tem que bater com o conto de fadas que me contaram; A desgraça não pode e nem deve estar em toda parte; Eu me esforço tanto...

Queria te dizer que se eu estou distante, não é por querer, é por dever. E toda vez que eu tento imaginar se devo voltar, a resposta latente é um suave não.
Teu sorriso não é tão legal quanto dizem e sua vida não é tão interessante quanto você faz parecer.
Diga-me, com que intuito tu és assim? Com que intuito você se escondeu nessa fantasia, nesse pseudônimo? Se perdeu?
Tudo faz sentido, se você disser que sim. Porém, saberei que é por querer, se disser que não.

É melhor continuar em silêncio do que dormir, mas sinto falta da minha cama.

29 de mai de 2013

14

Eu sempre sonhei com esse momento e até hoje, não consigo entendê-lo. Tão longe e tão perto de mim.
Sei que a vida é uma coisa louca, que as coisas nem sempre dão certo, mas juro que quero saber o porquê disso tudo ter acontecido. Você estava tão perto de mim quando eu precisava...
Tem sido difícil perto de você ou longe de você. Sempre difícil.
Não sei o que esperar, sentir ou gostar.
Você foi a porra do meu herói quando você deveria ter sido o violão da história toda. E mesmo assim, sempre quis te conhecer.
Não sei o que deu em mim. Queria te ver, matar a saudade, seilá. Não vai dar certo.
Às vezes, não tão frequente mais, queria te dar um soco bem forte no estômago, pra ver se alivia minha dor.
Queria que você jurasse pra mim, que em algum momento, você vai explicar tudo.
Sempre senti sua falta em dias especiais e mesmo assim, de nada adiantou.
Fui eu quem te procurou, não é mesmo?
Hipócrita.
Idiota.
Estúpido.
Eu quero conseguir te odiar como deveria.
A pior sensação da minha vida foi não saber como realmente agir contigo.
Não vá embora, mas não fique. Acho que sinto saudades de ter 14 anos de novo.

Fingimento

Descrever-te é uma arte
Cuja qual não quero fazer parte.
Amar-te é um sacrilégio
Cujo qual quero me livrar.

Quando desgostoso me tornei,
Teu sorriso exponencialmente aumentou.
Minha barba não mais cresceu
E teus beijos tomaram lugar.

Detesto as marcas que você deixa nas minhas roupas
E os batons que mais gosta.
O cheiro do seu perfume ataca minha rinite,
E por culpa sua, antialérgicos tem sido minha salvação.

Quero livrar-me de ti
Assim como quero livrar-me dos meus pensamentos.
Todavia, também escolhi chegar até aqui.
Fadada ao intenso e eterno Fingimento.

13 de abr de 2013

Sorriso baixo

O seu rosto estava perdido. Perdido em um turbilhão de rugas e linhas com uma história própria, que poderiam, durante algum tempo e observação, contar a vida de quem as tinha.
Poderiam, por exemplo, contar o seu emprego antes de se aposentar, o seu time de futebol preferido e até aquela musica mais querida.
Todavia, não pensava em nada.
O largo chinelo de dedo com as unhas mal cortadas evidenciavam a tardia falta de vaidade. 
Se escondeu em si mesmo, provavelmente. 
Já a calça com a barra dobrada deixava claro que alguém ainda se preocupava. Alguém ainda não havia desistido.
Seu relógio no pulso estava quase caindo, se deixando levar pelos dedos, o que trazia uma constante necessidade de subi-lo com um gesto involuntário.
Sorriu ao ver uma bexiga perdida no meio da praça. E com passos lentos, foi até ela. Vermelha.
Sua camisa colorida fez mais sentido enquanto ele sorria para aquela bexiga.
Imagine quantas lembranças não passaram diante dos seus olhos com apenas um objeto perdido. 
Até que após alguns segundos de dedicação exclusiva, largou-a onde havia encontrado. Voltou lenta e ininterruptamente para onde havia saído.
O sorriso baixou.


31 de mar de 2013

Assim

Olha, presta atenção.
Não precisa entender, não.
Só decora.
Faz assim, canta a musica desse jeito assim.
Deu certo, viu?

Não queria te dizer a verdade
Mas ela veio até você.
Decorar não bastou
Para aprender.

Aquela maldita prova que você tanto sonhou
Chegou no terceiro:
Te mutilou.

Aquele final de semana perdido
Aquele sonho arrependido
Aquela inveja guardada:
Queria estar ali também.

Sua hora, guria, vai chegar
Mas, decora assim,
Desse jeito assim.

13 de mar de 2013

Ainda

Estou desde o início lamentando.
E de tanto lamentar, entristeci.
Entristeci não porque quis, mas sim
Porque lamentei.
Lamentei porque quis.
Entristeci por querer também?

Minha história é tão fajuta quanto eu:
Minto o tempo todo.
Até pra mim.
Me enganei noite passada, disse que era só mais um dia comum.
O que de fato era verdade...
Deu certo.

N'outro dia, enquanto abusava de meus dotes culinários
Eu sorri.
Sorri porque jurava que ia ficar maravilhoso:
Ficou horrível.
Horrível tanto quanto possível é.
Terrível.

Resolvi que criaria expectativas, um pouco anteriormente a todas essas histórias.
Dai eu resolvi querer lamentar.
E de tanto lamentar, entristeci.
E entristecida, chorei.
Chorei e tentei morrer.
Não morri.

Estou cá eu, com minha fajuta e inútil história do falso viver
Dizendo coisas que eu tenho vontade de dizer
Pra alguém que eu não posso nada.
Acho que nem viver.

Cê tá aí ainda?
Queria aquele cigarro de novo.
Só mais um.
É, melhor voltar a lamentar.

E de tanto lamentar, lamentei mais.
Ainda sim, reclamei mais.
Ainda sim, proclamei mais.
Ainda sim, disse mais.
Ainda sim, esqueci o que tanto lamentei.

E o maior erro do mundo é ainda brigar por algo que nem eu lembro mais.

9 de mar de 2013

Carta para algum santo


Oi santo.
Acho que não quero nada não. Tudo bem que um dinheiro a mais na carteira, um sorriso a mais daquela menina e um dia a mais de vida, tava de boa, mas hoje não quero nada não.
O morro alagou de novo, o povo ficou puto de novo, mas, não quero nada não.
O carnê da TV vai vencer, o ratinho tá passando no SBT, mas não quero nada não.
Aquela moça bonita, do laço de fita, disse pra mim que o negócio não é com ela.
Não adianta mais ter aquele gol velho com o som novo, uns trocados no bolso e um sorriso dengoso.
Ela quer estudo e carteira assinada, moço.
Esses dias atrás ela tava contando pra mim que sonha em sair do morro, sim. Mas também sonha em voltar.
Ela me contou que reza todos os dias pro senhor, pra ver se um dia ela entende aquele negócio doido de física, que as reações químicas não sejam tão difíceis e que ela vá bem na prova.
Uma prova que ela vai fazer lá não sei aonde, pra tentar conseguir um diploma.
Um diploma de não sei o que.
Eu sei que ela quer cuidar da gente, sair do morro pra estudar e voltar pro morro pra cuidar.
Acho que ela vai virar doutor, senhor.
Agora, acho que quero pedir uma coisa sim.
Aquela menina que não sabe nada da vida, sonha alto.
Quero ver ela doutora, pra poder sonhar em ser doutor também.
Não é inveja não, é vergonha. Ela me dá aqueles livros, mas eu não sei nem ler..
Os policia vive me parando, mas eu nem sei por quê.
Santo, me faz ler, faz. Aqueles negócios não parecem tão difíceis!
Deixa eu ensinar aquela química doida pra ela e aprender em troca a tabuada, deixa, vai.
Eu quero ter um futuro diferente, igual ela vai ter.
Eu não quero mais ser parado por policia e quero poder me defender.
Senhor, não quero ir preso. Não me deixe ir parar na TV.
Ajuda eu, vai.
Ajuda ela também.

9 de fev de 2013

TWM - A Voz e o Violão

  Com o carnaval ai não tem como falar de outra coisa a não ser dessa grande festa que toma conta do Brasil de norte a sul.

  Vou indicar para vocês uma ótima trilha sonora para passarem esses cinco dias de diversão. O disco em questão é "A Voz e o Violão" de 1976, o debut do nosso querido Djavan.

Diferentemente dos outros discos dele que tem o Jazz ou o Pop como principal referência, "a Voz e o violão" traz Djavan vestindo o samba na sua mais simples e completa concepção, com faixas como "Flor de lis" e sua harmonia cadenciada, "maçã do rosto" que tem um toque da levada do baião, "Fato consumado" um samba-canção da maior qualidade, "Magia" que é o início do flerte entre Djavan e o Jazz, entre outras faixas igualmente geniais.

  




   “Valei-me Deus/É o fim do nosso amor/Perdoa por favor...”, quem não cantou esses versos naquele ano de 1976, como quem cantasse o samba de um velho ídolo? Pois “Flor-de-lis”, um samba original, com melodia de grudar no ouvido e letra estranhamente triste e esperançosa, foi o clássico instantâneo que transformou Djavan também instantaneamente num compositor e cantor do primeiro time da música brasileira, transformando seu primeiro LP numa das mais impressionantes estreias da história da MPB.

  Foi no velho estúdio da gravadora EMI-Odeon, em Botafogo, e pelas mãos do mítico produtor Aloysio de Oliveira – que produziu de tudo na música brasileira, de Carmen Miranda a Tom Jobim – que “A voz, o violão, a música de Djavan” tornou-se, praticamente, um disco de samba, apresentando o sacudido “Na boca do beco”, o quebra-queixo “Pára-raio”, o autobiográfico “E que Deus ajude”, o épico “Maria das Mercedes”, “Flor-de-lis”, “Fato consumado”, “Muito obrigado”, “Embola a bola”, de feição clássica, mas com o toque de Djavan e ainda, o sofisticadíssimo, afro-jazzístico, “Magia”.
   Acompanhado por músicos ilustres, boa parte deles integrantes da banda de Elis Regina, a maior cantora da época, o resultado não poderia ser outro: um disco que é uma verdadeira obra-prima e o início da carreira um artista novo e original. (Hugo Sukman)

   Espero que se arrepiem como eu me arrepiei da primeira vez que escutei esse disco e que sempre que escutarem alguma música desse album se lembrem de algum momento especial desse carnaval, afinal a única máquina do tempo que de fato existe no mundo é a música, que tem o poder de te transportar para qualquer época de sua vida apenas apertando o play na música certa!

Um ótimo carnaval a todos, segue abaixo o link do disco completo!


A voz e o Violão


8 de fev de 2013

Past


Seu cabelo era colorido e sua banda preferida era Beatles.
Seu tênis era All Star e seu caderno da capricho.
Se achava a rebelde da turma: Suas colegas também.
No auto da sétima série queria ficar com todos os meninos, mas coitada, nenhum menino queria ficar com ela. Então, para ocupar seu tempo, costumava ler alguns livros e brincar com sua coleção de polly pocket.
Quando chegou na oitava série, desencanou dos cadernos da capricho e preferiu algo assim mais dark, foi para plush poison. Seu all star estava o tempo todo desamarrado. Sua banda preferida não era Beatles mais.
Sua blusa preferida era uma preta, que também era única. Sua mãe não a deixava comprar outra.
Calças skinny, all star e blusa preta. Todos os dias: Seu uniforme.
Ganhou fama de emo mas nem ousava passar lápis de olho.
Ganhou fama de menino, mas nem gostava de meninas.
Foi de tudo menos o que queria ser.
Até que o tempo passou: Continuou a mesma droga. Nada mudou.
O all star continua sendo seu tênis preferido e o resto é insignificante, afinal, até a escola já acabou. 

7 de fev de 2013

Ineficácia nas expectativas


É fato que odeio tuas promessas. Todas elas.
Desde o amanhecer até o jantar, você me ilude e me traz falsas emoções: Finalmente irá fazer o que tanto a tanto tempo te peço.
Algumas horas depois você desmente e me diz que tem uma maldita reunião importante.
Já te disse que você devia trabalhar na iniciativa privada? Lá as horas extras seriam remuneradas e o que você já adora fazer, vai lhe trazer dinheiro também.
Idiota.
Detesto ter que te odiar tanto quanto eu te odeio no momento: Só não consigo mais suportar a eficácia com que você destrói dias de expectativas com apenas algumas palavras que só interessam a você.
Eu sei que é teu trabalho e é ele que mantém essa casa, mas, trabalhar mais de doze horas por dia não vai trazer nada também.

Eu odeio tuas promessas, mas, dessa vez, você vai cumpri-las, não é mesmo?
Desculpe ter brigado tanto com você, desculpe ter insistido tanto.
Mas é sério, porque falar tanto se não vai cumprir, às vezes?
Deixe de ser idiota.
Você devia trabalhar para a iniciativa privada, repito.
Me ajude só dessa vez!
Por favor, vamos até lá, assine aquele maldito papel.
Eu sei que você não tem tempo, mas eu quero poder sonhar também. Deixe-me sonhar.

Desisto de você. Desisto de acreditar em você. Desisto de criar expectativas.
Não sou eu que estou errada nessa história toda: É você. Só estou avisando.
Tudo vai dar certo no final né? Uma ova.
Esperar não vai mudar nada, não. Tem que fazer acontecer.
Ai como eu queria poder sair dirigindo por ai...
Pô mãe, me leva logo até lá! 

6 de fev de 2013

TWM - Senta que lá vem história - Under the Blade!

Desde que fui convidado a escrever para o blog (mais ou menos um mês atrás) uma pergunta me assombrou durante esse tempo:

_ “Sobre o que vai ser o meu primeiro post?” Afinal, a primeira impressão é a que fica!

Depois de muito pensar decidi escrever sobre uma história que mudou bastante os rumos da música no mundo e o seu direcionamento como produto. SIM!! PRODUTO!! A música hoje em dia é um produto embalado, etiquetado e endereçado; o que não quer dizer que seja ruim ou pior do que antigamente. 



Acredito que todos já viram alguma vez na vida o selo americano de “parental advisory” na capa de algum CD ou DVD que gostava.
A hitória dessa "tag" começou em meados de 1985, Tancredo neves tinha acabado de ser eleito no Brasil nas primeiras eleições após o regime militar, o buraco na camada de ozônio tinha acabado de ser descoberto, grandes clássicos do cinema como "De volta para o futuro" , "Goonies" e "A cor purpura" acabavam de ser lançados. No mundo da música o aconteceu o concerto Live-aid organizado para ajudar as vítimas da fome na África (mais precisamente na Etiópia), a música "We are the wolrd" foi fruto dessa iniciativa, enquanto no e também no Brasil acontecia o primeiro festival "Rock in Rio". Em 1985 também foi criado o comitê Parents Music Resource Center (PMRC), criado com o objetivo de censurar a cena musical da época.



O maior protagonista dessa história toda é Dee Snider o vocalista da banda “Twisted Sister”



Daí você se pergunta: “Como essa bonequicha do mundo canibal, essa lady gaga dos anos 80 pode ser protagonista de uma coisa tão importante assim?”.

Pois foi importante SIM! E MUITO!!

“Pra quem não sabe, o Rock'n Roll já precisou ser defendido num tribunal. Nos anos 80 um grupo de esposas de senadores, (incluindo a esposa de Al Gore), formaram uma comissão e decidiram que várias bandas e músicas de rock 'n' roll deveriam ter suas execuções públicas, televisivas e radiofônicas proibidas por conterem, segundo elas, conteúdo impróprio, pornográfico, incitação a violência, uso de drogas, ocultismo, entre várias outras acusações.” (Whiplash.net)

Esse era o PMRC (Parents Music Resource Center) que nada mais era do que um comitê americano formado para controlar o acesso dos mais jovens à músicas com conteúdo “violento”, sexual ou apologia a drogas. Os antagonias eram nada mais que Al Gore, SIM AQUELE MESMO, o vice-presidente dos EUA, e sua esposa Tipper Gore. O objetivo real do PMRC era fazer uma caça as bruxas, exterminar com jovens que apenas queriam expor sua opinião de como viam o mundo, e seriam bem sucedidos nisso se Dee Snider não tivesse feito um discurso que trouxe guardado no bolso de trás da calça escrito em uma folha de caderno amassada e começou a disparar palavras de um discurso que eram mais certeiras que balas de rifle, como você pode conferir nos vídeos abaixo:












Um pequeno resumo do que ele disse em seu depoimento :
"Não sei se é manhã ou tarde. Eu vou dizer duas coisas. Bom dia e boa tarde.
Meu nome é Dee Snider. S-n-i-d-e-r. Eu gostaria de falar ao comitê um pouco sobre mim mesmo. Tenho 30 anos, sou casado, tenho um filho de 3 anos de idade. Eu nasci e cresci como um cristão e eu ainda creio nos mesmos princípios básicos. Acredite ou não, eu não fumo, não bebo, e eu não uso drogas.
Eu toco e componho as canções para uma banda de rock and roll chamado Twisted Sister que é classificada como heavy metal, e eu me orgulho de escrever canções que sejam consistentes, seguindo assim minhas mencionadas crenças.
Desde que eu pareço ser a única pessoa a ser abordado a esta comissão de hoje, da qual eu tenho sido alvo direto de acusações, presumivelmente responsável, gostaria de aproveitar esta ocasião para falar sobre uma nota mais pessoal e mostrar o quão injusto todo o conceito de lírica interpretação e julgamento pode ser, e quantas vezes isso pode chegar a pouco mais de assassinato de caráter.
Sinto que acusações deste tipo são irresponsáveis, prejudiciais à nossa reputação, e caluniosas.
A beleza da literatura, poesia e música é que eles deixam espaço para o público a colocar a sua própria imaginação, experiências e sonhos em palavras."
Segundo o próprio Dee Snider, uma das melhores partes da audiência foi quando a Sra Gore disse que a música "Under to Blade", (Sob a Lâmina), fazia apologia ao sadomasoquismo. Veja abaixo a resposta de Dee:
"A música mexe com a imaginação das pessoas e as faz pensar o que quiserem. Essa música fala sobre uma cirurgia na garganta de um integrante da banda, o meu guitarrista Eddie Ojeta e o medo que ele tinha dela. A Sra. Gore procurou sadomasoquismo na música e o encontrou. Quem procurar referências cirúrgicas também irá encontrá-las."
No fim dessa comissão em 1985, infelizmente conseguiram aprovar o projeto de colocar essa “tag” do parental advisory nos CD’s e VHS/DVD/BLU RAY e etc. O que gerou a revolta de boa parte dos músicos por que isso é uma censura violenta a qualquer tipo de liberdade de expressão dentro da música.

Bom, essa foi uma versão beeeem resumida da história. Se quiserem saber mais sobre o tema sugiro a vocês o filme “Proibido para Menores” onde ele interpreta a ele mesmo (ISSO É QUE É SER FODA) que explica beeem melhor essa história.

Além dele também teve o depoimento de Frank Zappa "A LENDA DO JAZZ EXPERIMENTAL"
Segue abaixo um trecho do filme, a parte do discurso (infelizmente só encontrei dublado) ·.



É isso! Espero que tenham gostado, pretendo dividir o “Traveling without moving” em colunas essa parte de histórias da música (Senta que lá vem a história) vai ser uma delas!
Ahhh e para algum de vocês que ainda não conhece a banda, segue abaixo alguns dos maiores clássicos da banda:





Morte prévia


Digamos que Carlos não era o melhor carcerário e seu trabalho não era exatamente vigiar encarcerados.
Seu trabalho era importante, certamente. Todavia, insignificante também.
Nunca fora chamado para ir até a escola de seu filho e falar de sua profissão. Nunca nenhum colega dos tempos de escola mostrou ter inveja do seu emprego. Porém, era o que pagava suas contas e de lá não iria sair, afinal, a insalubridade e a garantia de aposentadoria mais cedo era um dos privilégios de ser quem era.
Porém, há uma história que gosta de se lembrar todos os dias.
Enquanto Carlos vigiava fielmente o portão, pensava em como aquilo era exaustivo e em como o dia estava quente. Não podia usar boné e até seu couro cabeludo suava.
Foi então que apareceu uma figura peculiar.
Um cara bem vestido, com um sapato bem polido e o carro do ano, desceu em marcha lenta do carro, parou no portão e acenou para Carlos. Dizia boa tarde, também.
Carlos educadamente não retribuiu nem um pouco a educação e os deveres da sociedade para com o outro. Queria saber o que ele estava fazendo lá.
O cara, então, começou a falar.
Teu nome era Manuel e queria ir preso. Sim, ir preso.
O maldito disse que havia matado alguém e que não merecia mais conviver em sociedade.
Queria ficar em um lugar que pudesse ser igual aos outros; Entrar ali.
Carlos disse para ele ir embora, mas não tão gentilmente: “Seu idiota. Vá embora. Procure teu advogado ou a policia. Ou melhor, fuja. Você nunca irá querer viver aqui”
Não deu certo.
Manuel era extremamente insistente. Ameaçou tentar pular o portão que Carlos tão fielmente protegia.  Levou alguns choques ao chegar ao alto da grade e então caiu estático no chão.
“ESTÚPIDO! BURRO! VOCÊ É UMA ANTA MESMO.” – Berrou Carlos.
E foi ai que Manuel se levantou, chorou ao olhar para Carlos e confessou seu fatídico crime: “Matei a mim mesmo, homem. Deixe-me fugir daqui.”
“Vá embora. De que te adiantou ter dinheiro se ficou louco?”
E Manuel foi.
Nunca mais se viram pessoalmente, até que numa manchete na primeira página o jornal estampou: “Manuel Arruda comete suicídio após matar todos em sua família.”
Ele realmente havia se matado. E matado a outros também.
Ficou a dúvida: Por quê havia confessado tão previamente?

5 de fev de 2013

Filmoteca: Meryl Streep


Rainha do cinema moderno, inspiração da nova geração de atrizes, sendo ela uma das mais premiadas das últimas décadas: recordista de indicações ao Oscar com nada menos que 17 indicações. No globo de ouro nem se fala, são ainda mais, 26 indicações e 8 vitórias. Meryl fez e faz história no cinema a cada nova interpretação, por mínima que seja, é realizada com um louvor sem igual, uma técnica e um talento invejável.


Cheguei, bjs
Personagens icônicos que ainda hoje são lembrados pelo grande público, como a inesquecível megera Miranda Prestley de “O Diabo Veste Prada”, uma das suas interpretações mais amadas; o filme diga-se de passagem é uma delícia de se assistir, Anne Hathaway e Emily Blunt são uma graça juntas.

No drama, Meryl não deixa a peteca cair e traz o seu melhor, seja na grandiosa Clarissa Vaughan em “As Horas” (a minha atuação preferida da Meryl!) ou no mais recente “Dúvida”.


Meryl é uma daquelas pessoas que aparecem de anos em anos no mundo das artes, seu talento é uma coisa de outro mundo, a sua versatilidade no cinema é incrível, ela já tem sua marca na história da industria cinematográfica e na mente dos amantes da sétima arte, seja por suas performances ou por sua simpatia e modéstia sem igual.


l-i-n-d-a!


Por mim mesma

A desgraça de gostar de escrever é que você sempre se expõe demais, pois, palavras voam com o vento e podem se tornar incompreendidas por onde passarem.
Não venho por meio deste reclamar de alguma situação ou despir-me com as palavras e sim demonstrar o que sinto no momento.
Afinal, para isso esse pequeno lócus dentro da internet foi criado. Um lugar para chamar de meu no meio de toda a metamorfose que vivo constantemente.
Sofro vendo inúmeras coisas na televisão e choro sem pestanejar vendo carrossel. Sim, aquela novelinha do SBT me comove.
Dou risada com os inúmeros e repetidos episódios de Todo Mundo Odeia o Chris na Record.
Adoro uma fofoca do BBB.
Você pode não gostar: Mas não sou menos intelectual por isso.
É um tipo de cultura para massas? Sim. E eu faço parte da massa consumidora, assim como você também, que se diz contra politicamente correto ou se diz o próprio politicamente correto, também consome, afinal, duvido que você escolha sua marca de margarina ou pasta de dente pelos ingredientes.
Fica aqui também minha fé e perseverança de que números, alguns, poucos, não sejam só números no que significa escrever para mim. Tenho algumas, poucas, porém verdades.
Não considero o que acho certo melhor do que o que outro escreve. Há tantas verdades no mundo!
Queria que todos soubessem aprecia-las.
Sigo blogs de todos os tipos, todos os dias. Aliás, é meu ritual diário: Ligar o computador e abrir pelo menos cinco abas no famoso google chrome os meus queridos blogs. Dou risada incansavelmente com as blogueiras e alguns conseguem arrancar verdadeiro sentimento de felicidade de dentro de mim, quando me sinto perdida.
A internet, pra mim, também é um refúgio, como para tantos outros.
Meu sonho, quando era pequena, era ser médica. (Quando cheguei no colegial e tive química e biologia, desisti.) Eu dizia que queria criar uma poção mágica para minha mãe e minha vó viverem pra sempre.
Depois de algum tempo acabei mudando de ideia, quem é que ama a mãe o tempo todo na adolescência? Sonhava em ser feliz.
Sim, em ser feliz.
Dizia que quando eu crescesse, queria ser a pessoa mais feliz do mundo.
Persigo essa felicidade até hoje.
Há quem diga que o texto é descontextualizado, mas sou eu. Goste ou não.
A programação normal há de voltar.
Menos eu.
Quem leu tudo, quem me aguenta, quem tenta me entender, sabe: Não é fácil ser como eu sou. Eu não me aguento o tempo todo.
Sejam compreensivos, sejam mais sensíveis e vivam mais, busquem mais a felicidade.
Acho que só assim o mundo deixará de ser ou tentar ser politicamente correto e se tornar verdadeiramente real. Afinal, todos perseguirão propósitos em comum.
Nunca seja melhor que ninguém, seja igual.
Com um pé na igualdade e o outro na diferença, everything will be ok.

31 de jan de 2013

Photo of the moon


A brisa do mar tocava minha pele, me arrepiando. Observava enquanto o clima se tornava ameno, o sol ia baixando e a lua tomava seu lugar no céu.
Acho que nunca fiquei tanto tempo tentando tirar uma foto. E nem consegui tira-la. Mas fiquei tão encantada com aquele lugar, o sol quase tocando o mar, o brilho da lua iluminando a água. Queria mergulhar.
A água estava fresca, temperatura ideal para o verão.
Quando finalmente me dei conta, a lua já se encontrava no topo do céu: meia noite.
Peguei minha câmera, verifiquei as chaves no bolso e fui até o meu carro. Guardei todo o equipamento e dei fim à aquela hipnose.
Talvez a lua tenha sorrido para mim naquele dia.
Nunca mais me esqueci daquele luar, daquele brilho, daquele encanto.
Todos os dias, enquanto passava por aquela rua, indo em direção ao trabalho e olhava para o céu, me perguntava quando novamente teria uma daquelas noites tão brilhantes com o céu novamente.
Acho que nunca.
A poluição aumentou desde então e eu comecei a procurar mais longinquamente aquele luar. Acabei que não encontrei.
Ficou só a decepção: Deveria ter tirado a foto.

30 de jan de 2013

Vida finita


Ela tinha um segredo que era tão bem guardado que, por vezes, esquecia-se.
Ela tinha também um desejo tão bem estimulado que, por vezes, tornava-se realidade.
Foram tantas e infinitas vezes em que ela se afogou em próprios pensamentos, sorriu para a ilusão e disse adeus à falsa solidão.
Sozinha, foi feliz.
Não necessitou daquele que a completasse, desde que, todos os dias, pudesse transformar sua realidade em uma história tão simples e criativa quanto podia.
Mudanças: Sempre necessárias.
Sonhos: Sempre indispensáveis.
Ironia: Realidade.
A ironia tornou-se sua realidade e o ato de sonhar, por si só, era uma ironia em que convivia aleatoriamente com o que realmente queria, escondendo-se dentro de si.
Não foi fácil viver numa opressão, regressão e dispersão de si.
Queria voltar ao início da história e finalmente sorrir, após meses de discussão.

Ela não tinha um segredo bem guardado. Considerava-se como um livro, todos podiam ler.
Ela também não tinha um desejo pré determinado e estimulado o que, por vezes, surpreendeu-a.
Foram tantas e infinitas vezes em que ela se afogou em próprios pensamentos, sorriu para a realidade e disse adeus à ilusão.
Sozinha, foi feliz.
Não necessitou daquele que a completasse, desde que, todos os dias, pudesse transformar sua verdade em uma história tão simples e criativa quanto podia.
Mudanças: Sempre necessárias.
Sonhos: Sempre dispensáveis.
Ironia: O ato de planejar.
Ela decidiu que viver uma vida planejada em que tudo já tem um roteiro é tão triste e mesquinho, pois, não elimina ao todo os erros e acertos feitos dentro da realidade na qual vive, tornando quase tudo impossível.
Não foi fácil viver uma opressão, regressão e dispersão de si.
Todavia, não quis voltar ao início da história e finalmente sorriu, após meses de discussão.

Ela tinha alguns segredos bem guardados e outros não. Não se considerava uma dádiva, nem nada.
Ela também tinha alguns planos, sonhos mas, adorava surpreender-se.
Foram tantas e infinitas vezes em que ela se afogou em próprios pensamentos, sorriu para a ironia e disse adeus para à ilusão.
Sozinha, foi feliz. Em um grupo ou casal, também.
Necessitou em alguns momentos de alguém que a completasse, pois a solidão as vezes é mais amarga que doce.
Mudanças: Sempre possíveis.
Sonhos: Sempre desejáveis.
Ironia: O ato de viver.
Ela decidiu que viver uma vida planejada é impossível, porém, que viver uma vida a mercê da espera também. Colocou alguns planos em prática, viveu o que apareceu e tudo cedeu.
Foi fácil, afinal.
E nunca, nunca desejou voltar ao início da história, pois havia sorrido demais durante o caminho e seus olhos brilhavam de felicidade ao ver novas possibilidades.

29 de jan de 2013

Indesejável


Sua história, de fato, nada ajudou em mudar a sociedade e seu nome não está nos livros de história.
Dentro de si acreditava que era diferente.
Era canhota, o que para época, era nascer de pá virada ou bunda para a lua.
Seu sorriso faltava um dente canino, seus olhos não eram azuis e piscavam constantemente.
Não era loira.
Não era rica.
Não morava em fazendas.
Não foi há escolas da alta sociedade.
Não fez um curso de verão de boas maneiras.
Não sabia costurar (e muito menos cozinhar).
Sabia ler, mal, mas sabia.
O bê-á-bá era incrivelmente difícil sozinha e seu pai insistia em jogar o jornal fora após lê-lo, todas as manhãs, assim teria a certeza de que ela não iria se habituar demais a ser moça da cidade e sem a criação adequada.
Então, quando ela chegou ao alto dos seus quinze anos, uma governanta encarregada de ensinar-lhe tudo que a mãe não conseguiu, chegou.
Alzira era seu nome.
Alzira não rima com maldita, mas é sonoramente compatível, o que trazia a tudo aquilo algum sentido.
Alzira ensinou como ter calos nos dedos costurando, como curá-los com alguma receita que anotou em um caderninho e que cozinhar era terrivelmente ruim.
Mas não superava passar roupas.
Amaldiçoar todos os deuses do olimpo não foi o suficiente.
Todas as vezes que se queimava enquanto usava o ferro, que se machucava costurando com a máquina ou que se cortava fazendo o jantar, se lembrava da Maldita dizendo que nenhum homem iria querê-la.
Ela sabia disso e se empenhou bravamente em tornar isso ainda mais fácil.
Não era prendada, não era estudada, não era nada.
Na verdade, era uma única coisa para a sociedade em que vivia: Indesejável. 
E foi assim que não se casou, não se importou e foi há um único velório conscientemente feliz: O da Alzira, a Maldita.
Sua verdade se propagara: Ela não iria se casar. Assim como Alzira também não.
Foi ai que percebeu suas semelhanças, diferenças e percebeu que não eram tão diferentes quanto supunha: Eram tão iguais na medida do possível.
Desde então é contratada para dar aulas sobre deveres do lar.
Seu nome não rima com Maldita ou Alzira.
E sim com Maligna. Afinal, Mariana era.

28 de jan de 2013

Intocável


Intocável. Esse era seu apelido desde a infância pelos criados de sua casa.
Seu pai, um rico banqueiro da década de 1910, chegava todos os dias com novas boas notícias: As ações aumentaram, tem mais dinheiro, mais carros, mais casas e mais pretendentes para sua querida filha de cinco anos.
Sim, ela tinha cinco anos e pretendentes.
O tempo passou. Ela sempre teve ótimas notas na escola: Era a melhor aluna da sala. A melhor do curso de francês, de espanhol e italiano. Falava fluentemente qualquer uma das três línguas aos 15. Aos 16 passou em Harvard para estudar inglês, mas preferiu se dedicar a qualquer uma das matérias que envolvessem artes, tintas ou coisas do gênero.
Em 1929, com 24 anos, ficou pobre. O curso fora cancelado por falta de pagamento o que acabou deixando-a sem diploma.
Ninguém naquela época precisava de uma secretária poliglota, pois todos estavam falidos. Precisavam menos ainda de uma artista poliglota com uma técnica diferente de pintura.
Seus cavalos foram vendidos, seus carros, suas casas, tudo para liquidar dívidas.
Ficou sem nada.
Começou a lecionar em troca de comida, em um colégio de freiras. Aos poucos fora conquistando a confiança e algum salário em troca.
Mas ainda passava frio nas noites de inverno de New York.
Já na década de 40, no ano de 1945, com seus 40 anos, decidiu se aventurar novamente e gastar o pouco que juntou ao longo de sua carreira como professora: Foi viajar para Paris, conheceu o Louvre e alguns artistas.
Pintou novamente.
Se perdeu também.
Apesar de falar francês, ela tinha sotaque. Não poderia nunca dar aulas ali.
Estava longe de casa, sem dinheiro, sem quadros, sem tinta e sem alunos.
Andarilho virou.
Aos 50, depois de muito mendigar, conseguiu adentrar em um navio para viajar de volta a América.
Seus pais já haviam morrido e seus amigos também.
Preferia ter ido à guerra, dizia ela.
E a crise passou. Uma nova onda de prosperidade chegou. Rica novamente, ficou.
Gastou tudo antes que pudesse ver e quando se deu conta, não havia vida, dinheiro ou vontade de alguma coisa.
Morreu triste, queria mais.
Mais alguma coisa que se perdeu.
Intocável era. Mendiga era. Pobre era. Rica era.  Era.
Se foi. 

25 de jan de 2013

Memórias escritas


Queria que novamente aquele dia se estendesse em minha memória e me fizesse feliz por alguns saudáveis momentos.
Disse para ela que não deveria ir embora, que não queria, mas fui mesmo assim.
Desisti dela para fugir com o que eu chamava de sonhos não realizados e que ela me impedia de torna-los reais.
Ela me impedia de prosseguir ou ela me segurava e me dava suporte quando mais precisava?
Não devia ter ido embora.
Voltei após algum tempo.
Hoje escrevo só cartas de momentos que passaram.
Não é o suficiente descrevê-la: Não lembro mais a cor dos seus olhos, o som da sua voz e a cor da pele.
Hoje imagino quem ela deveria ser e vendo fotos de nós dois e pensando em quanto tempo já se passou, me deparo com o fato de que ela não é mais quem eu troquei por noites mal dormidas, um curso de verão e sorrisos aleatórios no ônibus.
É lógico que ela nunca respondeu. Talvez ela tenha mudado de endereço ou então tenha se casado.
Acabei queimando sem querer a ultima foto que eu tinha dela e a memória se tornou mais falha e mais vaga.
Me lembrei de alguns momentos juntos, das risadas que dávamos, mas só da sensação que sentia em estar com ela, não dela.
No final, talvez, não sentisse mais falta dela e sim falta de ser feliz.
Me esforcei para provar o fato ao meu cérebro e torna-lo verídico. Tornou-se.
Comecei a sair, a rir e a me divertir com outras, todavia, ainda sentia falta de algo que não sabia denominar.
Um dia encontrei-a na rua e meu coração encheu-se de felicidade, pois todas as memórias recém-apagadas se tornaram tão vivas quanto uma rosa recém-desabrochada.
Me forcei tanto a esquecê-la e ter a certeza de que não era ela quem eu queria, que quando a vi acabei perdendo o rumo.
Ainda sinto sua falta, querida.
Responda a minha carta e marcaremos um encontro. Quando você menos esperar eu irei te namorar e então casaremos alguns meses depois.
Volte para mim e realizaremos aquele seu sonho de viajar à África do Sul e depois ir direito para Paris.
Não me deixe mais sozinho nas noites frias e cuide de mim quando eu pegar um resfriado.
Nunca irei perder a esperança.
Já perdi você. 

24 de jan de 2013

As cartas


“Bom dia, querido.
Queria começar essa carta com todo o amor existente no começo de nosso namoro. Aquela paixão revigorante, que traz uma paz quase irreversível.
Queria que no meio do parágrafo, eu falasse das nossas pequenas brigas, dos nossos medos e inseguranças, para transformar uma fantasia em realidade.
Queria também que no final, eu pudesse escrever um daqueles épicos finais: A protagonista morre, o protagonista morre, alguém os mata ou eles vivem felizes para sempre.
Acontece que nem saímos do começo. Nem estamos no meio. Acho que nunca chegaremos no final.
Me considero uma eterna apaixonada: Querendo todos os dias seu abraço, todos os dias vivendo numa paz sobrenatural só por te ter ao meu lado e também com os nossos defeitos.
Você é meu companheiro, acima de tudo. Obrigada por isso.

Bom dia, querido.
Queria começar essa carta te contando todas as nossas besteiras, nossas conversas bobas e discussões à toa.
Queria também que no meio do parágrafo, contar o quanto nossa amizade é perfeita e involuntária, o quanto você me faz bem e me traz serenidade.
Queria também no final escrever uma bela história, de um sentimento que se torna amor.
Acontece que já passamos disso. Aliás, foi tudo ao mesmo tempo: Você sempre foi meu melhor amigo. Sempre foi meu amor. Nunca precisamos realmente nos declarar: Sempre estivemos juntos.
Me considero uma sortuda: Tenho você.
Você é meu companheiro, acima de tudo. Obrigada por isso.

Bom dia, querido.
Queria começar essa carta como se ela fosse uma biografia dos meses que estamos juntos. Com toda aquela história de medo, de insegurança, de amizade.
Queria também que no meio do parágrafo, te dizer tudo o que sinto novamente, reforçar nossos votos de companheirismo e sentimentalismo, acontece que não é necessário.
Queria também que no final, tivesse aquela bela história de amor contada e explicada, para todos ficarem com vontade de ter igual, acontece que não é necessário.
Acontece que realmente não é necessário.
Não me considero nada, no momento.
Você é meu companheiro, acima de tudo. Obrigada por isso.

Eu te amo.
Obrigada por existir, querido.
Obrigada pelos dias.
Obrigada pelas versões, carinhos e amor.
Pena que tudo passa.
Jul/93”

23 de jan de 2013

Vivendo

Todos os dias no mesmo horário, ela abria a janela de modo que o ar pudesse ser renovado e a luz do sol pudesse entrar.
Era incrível como isso fazia parte de sua rotina: Parecia que o dia ainda não havia começado enquanto ela não abria aquela janela, enquanto ela não pudesse sentir o frescor da manhã misturado com café.
Café foi uma de suas recentes descobertas e os dias sem ele se tornaram amargos, apesar de tudo.  Virou um vício.
Ela não desejava que tudo fosse mágico, que seus sonhos se realizassem com um passe de mágica e que sua vida não tivesse problemas: Só queria que fosse o suficiente estudar e ter a certeza do resultado no final. Queria acreditar que conseguiria realizar seus sonhos.
Tentou. E em todas às vezes foi surpreendida com problemas no meio da jornada – como qualquer um – e que a abalaram intensamente.
Ela sofreu muito.  Quase que por nada.
Eram problemas bobos, do tipo sim ou não, que afetaram o resultado final: Não deu certo, é lógico.
No próximo ano, ela decidiu: “Tenho que resolver meus problemas, antes. Tenho que parar de ser assim”.
Tentou ao máximo, se esforçou e percebeu que não era o suficiente. Ela sempre ficaria chateada, ela sempre iria querer chorar, todavia, ela não precisava ficar assim uma semana inteira ou um dia inteiro. Ela aprendeu que deveria dar a atenção certa e o tempo certo para cada coisa.
Com o tempo tudo se encaixou.
É lógico que sonhar, estudar e se dedicar não é a receita mais simples do mundo, todavia, é como uma dieta: É difícil começar. Difícil parar. Sempre difícil.
Depois de meses agindo assim, não se sabe qual o resultado certo que obteve com a aprendizagem, não se sabe também se o sonho dela se realizou, mas há chances de que sim.
Afinal, todo mundo precisa de um pouco de felicidade após um tempo recluso, todo mundo precisa de novas oportunidades.
Dizem por aí que hoje ela sonha novamente, também. Dizem que não é o suficiente mais fazer tudo se encaixar, quer que a vida seja louca, que seja mais do que vida.
Acho que ela descobriu que nem tudo precisa do tempo certo e da atenção certa.
Vai saber até onde ela vai aprender, só sei que não tem um prazo certo para cada lição.
Até que tudo acabará. 

22 de jan de 2013

Filmoteca – TOP 5: Musicais!


Can you hear the people sing? O musical é um gênero de cinema que desperta muitas sensações na audiência, seja o amor dos fanáticos ou o ódio daqueles que não suportam mais de meia hora em um filme cantado. Mas querendo ou não, os musicais seguem sendo bastante populares, arrecadando milhões e tendo reconhecimento da crítica. Contando com produções cada vez mais impecáveis, cenários mais elaborados e roteiros mais instigantes. Sendo assim, não é uma tarefa nada fácil ter que garimpar e escolher apenas 5 representantes do cinema musical para montar um top, ainda mais sendo um gênero tão diversificado que evoluiu junto com o cinema. Sem mais delongas, vamos ao primeiro top 5 da coluna:

5º - Canções de Amor (2007)

Se os musicais ganham cada vez mais destaque pelas produções cheias de grandes cenários, este aqui segue pelo caminho oposto. O cenário aqui são as ruas de Paris, uma Paris gélida (o que só a deixa mais bonita). O filme acompanha a história de um jornalista (Garrel) que tem um vive um romance a três com Alice e Julie. Mas uma reviravolta deixa a vida de todos de cabeça para baixo. O filme ganha bela simplicidade, pelo modo com o drama é abordado e pela beleza da fotografia. Impossível assistir e não suspirar.


“Ama-me menos, mas me ame por mais tempo.”

4º - Dançando no Escuro (2000)

Dirigido pelo polêmico Lars Von Trier (Anticristo) este filme, que foi vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2000, se passa em 1964 e conta a história de Selma, aqui interpretada pela cantora Björk, imigrante que vai para os Estados Unidos trabalhar dia e noite em uma fábrica para pagar uma operação para o seu filho. E é durante o trabalho que cada batida da fábrica se transforma em uma nota musical no mundo imaginário criado por Selma para fugir da realidade que não é nada fácil. O filme é um soco no estômago e se emocionar aqui é regra.


3º - The Rocky Horror Picture Show (1975)

Clássico do cinema Cult e indie, este filme já foi revisitado várias vezes: algumas com resultados bem interessantes (As vantagens de ser invisível) e algumas que não valem ser lembradas (Glee). Um musical cativante, que tem como personagem principal um travesti do planeta Transsexual, que recebe a visita de um casal de noivos que precisa de ajuda. Tudo aqui foge do convencional, é preciso assisti-lo com a mente aberta e se deixar levar pela historia criada pelo diretor Jim Sharman (que fez apenas outros dois filmes, mas nenhum obteve tanto sucesso). Instigante, original, como um comentário no filmow definiu o filme: “uma orgia estranha intergalática”



2º - Chicago (2002)

Se até agora a nossa lista estava indo pelo lado B dos musicais e fugindo do convencional, este aqui é ponto comum quando se fala de uma grande produção, grandes cenários, enfim, tudo muito bem elaborado. A trama se passa em uma Chicago perigosa da década de 20 e traz duas assassinas que viram celebridades na prisão. O filme foi hit absoluto tanto de bilheteria, arrecadou mais de 170 milhões só nos Estados Unidos, quanto de sucesso de crítica, teve 13 indicações ao Oscar de 2003 e levou em 6 categorias, incluindo melhor filme. Para os amantes do gênero, é um prato cheio!


1º - Cantando na Chuva (1952)

Este aqui é soberano quando se trata de musicais: é o primeiro lugar da lista dos “25 Maiores Musicais de todos os Tempos” idealizada pelo AFI e é considerado até mesmo um dos melhores filmes já feitos. E não poderia ser diferente na nossa lista. É um daqueles filmes que te deixam com um sorriso involuntário quando você assiste. Os cenários são lindíssimos, os atores têm química e tudo flui como se fosse mágica. É uma referência que já dura mais de 50 anos e mesmo assim continua atual. Um elenco carismático e números perfeitos. Irretocável. Duas cenas marcantes:





Claro que com um número reduzido muitos clássicos e musicais importantes ficaram de fora, mas que por isso não foram menos importantes para a história do gênero ou não sejam grandes referências. Exemplos disso não faltam: Grease, Moulin Rouge, Funny Girl, Nasce Uma Estrela, entre outros. Até semana que vem!



Diálogo F


Querido, eu sei que eu deveria voltar.
Mas não consigo, essa é a verdade.
Queria poder sonhar e saber que você virá atrás, mas eu não te quero mais comigo. Não agora, não assim.
Eu te amei tanto e você nunca disse o mesmo. Eu esperei tanto de você e acho que no final, a culpa não é sua, é minha.
Não, não faz assim. Não sorri pra mim.
Diz que vai ficar tudo bem, meu amor. Porque eu sei que vai comigo!
Seu sorriso é lindo, para por favor.
Ok. Ok. Ok.
Não diz que eu sou linda, eu não sou. É você!
Você é o cara mais especial que eu já quis amar. Eu deveria te amar.
Me desculpa não conseguir, vai.
É sério, não estou mentindo.
Se eu pudesse escolher alguém pra ficar pra sempre, seria você com esse sorriso lindo que me faz querer te abraçar.
Não quero mais viver essa sequência infinita, esse repeteco de brigas e desilusões.
Nós vivemos tão bem enquanto deu, que agora não quero destruir essas lembranças.
Eu vou te destruir e no final vou acabar sendo destruída também.
Volte a sonhar por si, volte a ser feliz.
Por favor, por mim.
Realize um último desejo meu: Não sofra mais por alguém como eu.
É que assim, você é tão lindo pra mim, eu te amei tanto.. Não entendo como tudo acabou. Não quero aceitar, mas foi.
Você já deveria ter ido.
Nunca mais vou te incomodar, juro. Mas, promete pra mim que vai sonhar por mim, promete que vai realizar todos os seus novos sonhos e que vai se casar.
Tem que se casar, mas com alguém que te queira tão bem quanto o possível: Assim, sempre haverão duas pessoas torcendo por você. Eu e ela.
Um dia, quando você se lembrar de tudo isso, lembre-se com carinho, tá?
Porque com carinho irei me lembrar de você. Irei sonhar com você. Irei tentar te amar.
Não, não vou virar tua amiga, porque é impossível isso: Nós nunca mais viveríamos, nunca.
Promete logo pra mim, por favor.
Prometeu?
Jure agora.
Tá, não precisa rir de mim.
Jure com os dedinhos.
Agora eu acredito em você.
Te desejo toda a felicidade do mundo e o sorvete também.
Que sua boca nunca mais arda quando comer miojo de pimenta e que seu sorriso seja o melhor e o mais bonito pra sempre, como já é agora.
Querido, tenho que ir. O ônibus vai partir.
Não esquece de me desculpar, algum dia. E não esquece de cumprir a promessa e o juramento. Lembra dos dedinhos.
Eu te amo, eu acho.
Mas não da forma que eu e você precisamos.
Fica bem.
Não me abrace.
Vai dar tudo certo, acredita. 

21 de jan de 2013

By myself


Adorava pegar minha bicicleta, ir até o fim da cidade e observar o pôr do sol tomando conta dos prédios, iluminando-os com uma luz laranja, outras vezes rosa.. Um jogo de cores surpreendente.
Quando tirei minha carteira de motorista, fui um pouco mais longe, subi um pouco a montanha e consegui ver quase totalmente o sol se escondendo.
Talvez fosse um ritual, pra mim. Ver todos os dias o sol se escondendo, ir ele aos poucos dando lugar a escuridão e ao brilho da lua.
Meu sonho sempre foi conseguir comprar uma daquelas câmeras fotográficas profissionais e fotografar todos os dias, perceber as diferenças, as semelhanças, as diferentes épocas do ano e quando eu não pudesse mais fazer o meu hábito de todo dia, pegar uma caixa em particular e olhar novamente todas as fotos.
Nunca vou te levar lá, é verdade. Me desculpe por isso, aliás.
É meu lugar. É meu ritual. Por mais que eu adore dividir tudo com você, alguma coisa tem que ser inteiramente minha.
Pode confiar, não vou lá para te trair, usar drogas ou qualquer coisa.
Eu só preciso de um tempo para mim. Talvez seja quando eu consigo me afastar dos problemas e resolve-los.
Mas me desculpe: Olhe as fotos.  Lá é encantador, porém, querida, ainda preciso de alguma coisa só para mim.
Trabalhamos em casa, o carro é nosso, a casa é nossa, a cama é nossa, o sofá é nosso e ainda sim acho que preciso de alguma coisa só para mim.
Vivo tanto tempo contigo que sentir saudade é bom.
Não fique chateada, prometa. Olhe as fotos, acredite.
E o tempo passou.
Ainda sim, quis, um lugar só meu.
Um dia ela foi lá sozinha, sem mim.
Acabou voltando comigo.
Ainda sinto falta de quando tinha algo só meu.
Necessário foi, para que no fim, pudesse perceber a imensidão de tempo que passo sozinho, sem abrir a boca ou dizer o que sinto de verdade.
Querida, eu te amo.
Mas eu ainda preciso ser dono de mim.  

20 de jan de 2013

The sky


Sinto-me pequeno
Dentro de tamanha imensidão
Sinto-me inútil
Dentro de tamanha utilidade

Queria ser diferente:
É certo que seria impossível sentir o mesmo
Ter os mesmos medos
E a mesma insignificância.

Conto as estrelas e chego a mil
Mil milhões centenas de milhares
Mil vezes bilhões centenas de trilhares
Anos luz através de mim.

Queria tocar o céu, somente.
Tocar uma estrela, tão quente.
Chegar perto do sol e me bronzear rapidamente
Ir até plutão e sentir frio eternamente
Queria ser diferente.

Ainda quero?

18 de jan de 2013

Maybe a new life


Era só mais uma daquelas manhãs calmas, sem nada pra dizer ou café pra acompanhar. O bule soltava um leve grito, demonstrando que a água já tinha fervido. Chá de ervas. Ela se levantou da cama novamente, calçou seus chinelos e foi em direção à cozinha. Colocou um pouco do líquido quente em seu copo e começou a cheira-lo, assopra-lo e esperar que ele logo esfriasse um pouco.
Seu marido levantou, disse um bom dia rotineiro, pegou uma xícara e se serviu mais do que a mulher tomava, sentaram de frente um para o outro.
- Oi. – Ela disse, enquanto colocava o cabelo atrás da orelha, ajeitava a xícara numa posição confortável e se ajustava a cadeira.
- Oi. – Ele completou, posicionando a xícara perto do meio da mesa, o suficiente para ela poder ver que já tinha tomado quase tudo.
- Quer mais?
- Não, obrigado.
- O que vamos fazer hoje?
E foi ai que ele finalmente resolveu fazer alguma coisa diferente do que costumavam fazer: Ele queria pescar, é verdade, mas também queria ir ao centro da cidade com ela. Fazia apenas alguns anos desde que não ia e certamente o peixe lá seria mais fácil de ser encontrado.
- Quero ir ao supermercado. – Ela arregalou os olhos, foi até o banheiro e verificou o horários dos remédios dele. Algo estava funcionando.
- Ok, vamos nos arrumar. Mas.. Você tem certeza?
- É claro. Quero comer peixe hoje. – Disse ele, sorrindo como uma criança de dois anos faz quando ganha um presente novo.
- Quer que eu te ajude a escolher sua roupa?
- Não, obrigado, querida. Consigo fazer isso sozinho.
Ela se trocou e ele também. Quando ela ia pegar as chaves do carro, ele apareceu com um riso triste.
- Aconteceu alguma coisa? - Enquanto dizia isso, ela correu até ele e começou a verifica-lo meticulosamente com os olhos.
- Claro que não. Achei que estava te atrasando e não quero isso.
- Oh, não querido. Não se preocupe. Você nunca me atrasa. Vamos, sim?
- Ok. – Enquanto colocava as mãos no bolso, ele olhou para cima e perguntou: - Você pode comprar uma daquelas balas de caramelo?
- É claro. Compro um pacote daquele para você!
E eles foram ao supermercado. E ela, depois de oito anos, conseguiu estampar um sorriso pedindo o peixe rotineiro de quartas feira.
Ninguém entendia o porquê, a não ser ela, cuja qual era a maior sofredora de ter um marido com um transtorno psicótico, conhecido como alguns por TOC.
Ele nunca havia quebrado sua rotina e agora, com uma nova esperança, ela estava disposta a tentar mais.
Um marido, finalmente.
Uma nova vida, talvez. 

17 de jan de 2013

Finally Love


O céu estava incrível.
Várias estrelas e luzes tornavam aquele cenário caótico, em perfeito.
Não havia flores, como diziam alguns. Não havia também pés levantados, sinos soando ou borboletas no estômago. Foi só paixão.
Aquele não era seu primeiro beijo, certamente. Porém, parecia que havia se perdido até se encontrar com ele, algum dia durante sua vida.
Eram amigos desde criança e brincavam regularmente no parque, juntos, quando menores.
Estudaram a vida inteira na mesma escola, mesma sala e tinham gostos apesar de parecidos, divergentes.
Ela gostava de anime, ele, bem, ele não gostava desse mundo. Queria ser um daqueles empreendedores, advogados ou qualquer carreira que envolvesse usar todos os dias ternos e gravatas. Era sua sessão preferida dentro de uma loja grande.
Mas eles se davam bem, da mesma forma.
O amor não nasceu tão de repente, quanto o imaginado. Eles passavam horas juntos estudando, discutindo qualquer coisa e conversando, porém, não era natural imaginar uma cena daquelas.
Ela dizia até que eles eram “irmãos”. Epifania.
Um dia, ele disse que não era mais a mesma coisa, que tudo ia mudar dali em diante.
Realmente mudou.
Ela começou a namorar e ele também. Se desencontraram nessa história louca chamada vida e um dia, por ai, se reencontraram .
Era um parque em New York, estava todo iluminado pelos prédios em volta e haviam estrelas brilhantes no céu, transformando aquele cenário caótico, em perfeito.
Não havia flores, como diziam alguns. Não havia também pés levantados, sinos soando ou borboletas no estômago. Foi só o reencontro, a paixão acumulada, a saudade. O sentimento recém descoberto, o carinho envolvido.
Foi, finalmente, amor. 

16 de jan de 2013

Dona Cecília


Ela tinha olhos profundos, foi a primeira coisa que eu reparei. Não que eu nunca repare nos olhos das pessoas, mas os dela me chamaram a atenção. Seus olhos não eram claros, e pareciam olhos normais, mas te encaravam e desmascaravam sua alma, trazia a tona o que havia sido esquecido a algum tempo.
- Quando você nasceu? ela disse.
       Nesse momento, enquanto me sentava no sofá e ela também, percebi o quão humilde era sua vida. Prontamente respondi a data e então fitei o seu rosto. Seu cabelo era quase branco, com alguns fios pretos ainda perdidos entre todo aquele conjunto. Suas sobrancelhas não tinham nada de especial, e havia muitas marcas: Rugas, marcas de expressão.
Seus olhos ainda me fitavam e ela pensava no que ia dizer. Fez algumas outras perguntas e então parecia conversar com alguém. Talvez estivesse realmente.
Eu tinha a impressão de que já a havia visto, mas não havia dado importância. Porém, agora, ela desvendava aos poucos tudo aquilo que eu vinha escondendo e falava toda a verdade: algo estava errado.
Sabe, o grande problema de psicólogos e filósofos é que eles não te dão a resposta. As pessoas gostam de receber tudo pronto sem ter que utilizar sua massa que chamam de cérebro. O que talvez seja o mal do século.
Então, ela me fez pensar. Pensar em todas as conclusões, os medos e as felicidades. Pensar no certo e no errado e cheguei a uma conclusão: tudo mudou.
Seus olhos ainda me fitavam quando eu pensava ou chorava. E seus olhos também choraram quando ela finalmente sentiu que eu não estava doente, mas sentia uma dor tão grande, que me machucava tanto quanto qualquer outra pessoa ou coisa.
Nem tudo nessa vida é fácil e eu nunca vou deixar de colocar isso sempre em pratos limpos. Porque a verdade, a gente tem que encarar, observar e aceitar. Nada de compreender. Porque mentiras, essas sim merecem ser compreendidas, pra se conhecer o porquê delas terem surgido. 
Muitas pessoas irão caminhar com a gente durante nossa vida. Muitas pessoas vão chegar até o fim conosco, algumas outras vão ficar pelo caminho. E alguma minoria vai estar bem atrás de você, é só precisar. Porém a verdade nunca vai te abandonar.
E após tantas verdades, ela me deu a mão. Porque afinal, a paz só existe dentro de nós, pois o mundo é um caos.

15 de jan de 2013

Filmoteca - Minha primeira coluna: O Globo de Ouro 2013


Para estrear minha coluna no blog que vai falar sobre cinema, nada melhor do que começar falando da premiação que aconteceu neste último domingo: o Globo de Ouro, que reuniu todos os astros cotados para vencer o Oscar e ainda trouxe algumas surpresas bem interessantes. A premiação foi apresentada por Tina Fey e Amy Poehler, que trouxeram um ar mais cômico e jovial.  Nas categorias de cinema, Argo e Os Miseráveis foram os destaques. Nas categorias de séries “Girls” levou os principais prêmios da noite.

A noite começou com Tina e Amy dando um show de humor, fizeram piada com tudo e com todos, sobrou até pro James Cameron quando citaram a diretora de “A hora mais escura” como um exemplo por ter conseguido ficar com ele por 3 anos.

Amy e Tina = FUN FUN FUN!

Les Miserables era minha torcida na premiação levou para casa as estatuetas de Melhor Filme de Comédia/Musical, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Ator Comédia/Musical. Argo levou nas principais categorias: Melhor Diretor e Melhor Filme dramático.

Anne Hathaway aceitando o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante, um discurso lindo, reconheceu as concorrentes e lembrou do seu começo no cinema, foi uma princesa literalmente. 

Affleck também fez menção aos outros diretores que concorriam com ele. Detalhe que Ben Affleck também saiu do Critic’s Choice Awards com o prêmio de melhor diretor, ele que foi esnobado pelo Oscar, algo que foi muito criticado por todos já que ele era um dos favoritos na categoria.

Jodie Foster foi a homenageada da noite, laureada com o Prêmio Cecil B. DeMille, um troféu honorário que prestigia a sua contribuição ao mundo do entretenimento. Abaixo o vídeo do discurso épico:




Tina Fey sobre Robert Downey Jr.:  “O nosso próximo apresentador é tão versátil que interpretou o homem de ferro em três diferentes filmes”. COMO NÃO AMAR????? Na categoria de Canção Original não deu outra: Adele levou o prêmio e ainda disparou na frente dos concorrentes na corrida para levar para casa o Oscar dia 24 de fevereiro, o primeiro Oscar da cantora inglesa.

De olho no Oscar?

A menina prodígio Jennifer Lawrence levou pra casa o premio de Melhor Atriz em um filme de Comédia/Musical. Um discurso um tanto criticado por alguns que não gostaram da piadinha com a deusa maior do cinema Meryl Streep.

JLaw manda beijos


Se por outro lado faltou certa maturidade da parte de Jennifer Lawrence, Jessica Chastain foi uma rainha ao aceitar o prêmio de Melhor Atriz em um filme dramático. Ela que concorria pelo seu trabalho em Zero Dark Thirty (filme que vem causando polêmica por conta de algumas cenas de tortura que aparecem no filme). Vídeo do discurso abaixo:

Jessica sua linda, minha torcida no Oscar é pra você! Discurso lindo!

Na categoria de Melhor Ator em filme dramático não deu outra: Daniel Day-Lewis levou pra casa o prêmio e é o favorito disparado para ganhar seu terceiro Oscar. Na categoria de Melhor Animação, uma surpresa: Valente, da Disney, saiu vencedor, contrariando as previsões da maioria dos críticos que esperavam por Frankenweenie. E para finalizar uma imagem das lindas da noite que brilharam e são a minha torcida para o Oscar.

É muito amor pra uma imagem só!

Foi uma boa noite, a apresentação divertida contribuiu bastante, e os prêmios foram bem divididos então acabou que todo mundo se deu bem. Agora a ansiedade só ficou maior com esse gostinho de Oscar cada vez mais perto.