12 de dez de 2012

Mudanças


Minha casa tinha aquela tão sonhada vista pra algum parque bem conservado, que os jovens como eu frequentavam no verão.
No inverno não via nada além de um branco interminável, que causava solidão a minha sacada.
Na primavera meu quarto se enchia de um cheiro diferente, algo novo, fresco.
No outono meu quarto se enchia de folhas, mesmo.
Pode-se concluir, por isso, que o verão é minha estação preferida.
Adoro a grama bem verde, brilhando toda manhã. As pessoas felizes – ou aparentemente – sorrindo para todos e sendo simpáticas uns com os outros.
As árvores combinando com todo o cenário, algumas flores que resistiram à primavera, sem frutos apodrecidos durante o caminho, bicicletas atrapalhando a passagem na calçada, skatistas com suas manobras em bancos ou qualquer outro lugar.
Um lugar cheio.
Eu gostava da solidão dentro de minha própria casa, ajudava a escrever, trazia criatividade. Porém, adorava ver a energia das pessoas, os grupos formados, amizades novas, sorvete, aquela sensação de coisa viva.
Mas o parque foi destruído sabe-se lá por que. Dizem que foi para construir um prédio – o que no final se tornou verdade.
Minha linda paisagem foi perdida pela insistência dos seres na procriação da solidão.
Afinal, apartamentos pequenos como os que estavam sendo construídos, não eram para famílias e sim apenas uma pessoa, duas talvez.
Perdi um parque, um cheiro, uma imagem, uma energia constante, para ganhar luzes acesas à noite toda.
Acho que preciso me mudar. 

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