13 de dez de 2012

Amo estar certa


Esse era seu objetivo, estar sempre certa. Ter a certeza de estar certa. A certeza da certeza. Com o tempo, a observação passou a ser mais apurada. Começou a palpitar até na mega sena e acertou. Porém também errou – Afinal, ela pode acertar, mas números precisam de mais do que um olhar no gato e outro no peixe pra conseguir decifrar qual código te dará os milhões.
Ela se tornou especialista em linguagem corporal: “Ele realmente tinha dor ou não?” “Ele me ama?” “Será que ficaremos juntos?”
Ela gostou.
Digo que ela, pois ela era dotada de um nome fatídico, feio e que poderia virar um livro por si só: Rebalda.
Re-bal-da.
R-e-b-a-l-d-a.
Era tão boa com números, tão boa com certezas e tinha um nome tão feio.
Linda, porém Rebalda, como diria Machado de Assis como Brás Cubas, ou vice e versa.
Rebalda convivia bem com seu respectivo dom especial bem treinado e seu nome feio, até que um rapaz lhe apareceu.
Ela teve a certeza: Ele iria lhe quebrar o seu coração.
Mas entendeu por que haviam tantos desperdícios na humanidade: É necessária a aprendizagem, ela diria.
Rebalda correu atrás dele, se apaixonou tão infinitamente que dali três meses ele nem existia mais. Porém, deixou um mar de destruição gigantesco.
Anos de dedicação na construção do “Escritório Rebalda: Sua certeza” Que falhou na primeira oportunidade. Na primeira paixão.
Ela tinha uma certeza e ela amava estar certa.
Dessa vez, tudo havia acabado.
Começaria de novo.
Assim como faria quando adquiria uma certeza jamais vista: Uma hora daria certo.
Ganhou a maldita esperança.
Continuou chamando Rebalda. 

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