15 de nov de 2011

6:45

Aquele sentimento diferente, era isso que eu sentia. Só podia ser.
Acordei fisgada naquele dia anterior por algo não-sei-o-que, fiquei pensando se tinha tido pesadelos ou se tinha provas no dia. Nada correspondia.
Segui em frente, de maneira calma. Segui minha rotina de maneira comum, me vesti lentamente e olhei pro relógio: estava adiantada 20 minutos.
Quando estava pronta, deitei novamente. Fiquei olhando o teto, tentando entender o que estava acontecendo e eu não tinha mais medo. (Talvez eu tivesse te superado)
Continuei assim até que o celular tocou: hora de me levantar e ir pegar o onibus. Calcei meu tênis, peguei minha bolsa e olhei pro relógio: ainda faltavam 20 minutos.
Dejavu, nessa hora da manhã? Eu lembro, eu realmente me lembro do celular ter tocado. Eu tenho certeza disso.
Então, peguei meu caderno vermelho de escrever histórias, uma caneta qualquer e fiquei encarando o papel: nada saía. Fiquei presa tentando escrever uma frase qualquer até que o celular - novamente - tocou. 6:45, ele mostrava. Guardei o caderno na minha bolsa e a caneta no estojo, levantei e olhei no relógio: 6:25.
Estava ficando louca, essa era a verdade. Continuei tentando escrever, tentando pensar e eu simplesmente não via nada. Minha mente estava vazia e qualquer coisa parecia uma possibilidade, mas nada era o suficiente.
Não sentia absolutamente nada e o meu quarto parecia pequeno, sufocante.  Peguei minha bolsa e minhas coisas e fui até a sala: 6:30. Só cinco minutos? Parecia que eu estava a horas naquilo. Até que eu adormeci no sofá. E acordei assustada: 6:35. Estranho.
Quando o celular tocou, tive a certeza de que era 6:45, afinal, era o horário que ele tocava. Arrumei novamente minhas coisas dentro da bolsa, fui em direção a porta, girei a chave e a maçaneta, e o céu estava preto: era cedo ainda. Olhei para o meu celular e ele apontava: 6:25.
Eu estava sendo enganada na maior cara de pau pelo meu celular e pelo mundo. A terra girava lentamente e  em questão de um segundo, retrocedia um pouco, só pra me ver puta por não ter sobre o que pensar, escrever ou fazer. Resolvi que iria andando pra escola, relaxar.
Fui indo devagar, cheguei na metade do caminho e conferi: 6:45. Finalmente. Fiquei olhando para o celular até que.... 6:25 novamente. Estou sendo enganada pelo meu celular, preciso de um novo.
Cheguei na porta da escola, ela estava fechada ainda: 6:30. E agora? Vou ir até a praça (Fiquei tentando pensar em você) lugar pelo qual eu já tinha passado. Fiquei sentada num banco, olhando meus pés, olhando algumas folhas e olhando algumas pessoas chegando com seus carros ao centro da praça: quinta-feira, dia de feira. Eu vi eles se organizarem e parecia que eu estava a uma hora ali, até que meu celular tocou: 6:45. Só isso? Ok.
Fui indo em direção a escola novamente, confiro a hora e..... 6:25. Meu Deus. O que eu fiz de errado? Já estamos a 24 horas brincando disso? Me diga.
E isso continuou, continuou, continuou até que eu finalmente voltei para casa e me deitei. Adivinha? 6:45. Me levantei e olhei o relógio: 6:25.
- Ei, você, que tá de brincadeira comigo, faz favor né. Me deixa dormir, pelo menos. - Gritei, mentalmente.
Cocei meus olhos e acordei de verdade. Eu estava de pijama, eram 6:30 e talvez eu me atrasasse pra pegar o ônibus. Mas agora o relógio não ia voltar.
É o que eu acho.
(Passei o dia pensando nisso, pensando no significado e sabe de uma coisa? Nem pensei em você. )
Sorri um pouco agora, que cheguei à conclusão de que algo havia mudado e esse algo era eu. Afinal, antes tarde do que nunca.

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