1 de jun de 2011

Marilyn


E eu fico lembrando do seu andar. Era calmo, surreal, parecia que flutuava. Eu ficava louco com aquilo. E seu batom vermelho? Aquilo me remetia as vadias, mas, eu sempre queria encostar naquela sua boca, te beijar calmamente e te fazer surtar. Seu cabelo loiro platinado, brilhava ainda mais no sol, o que podia cegar qualquer pessoa.
Você era mais bonita que qualquer pessoa desse mundo.
E sua sensualidade então? Meu Deus. Eu te olhava nos olhos, e tu não dizias nada. Sem sorrisos. Mas eu podia ver que me chamava, que me queria alí do seu lado, te tocando.
Tudo por uma janela.
Você foi minha paixão surreal durante alguns anos e eu tinha plena certeza de que uma hora ia ficar contigo. Ah, como eu tinha.
Me lembro bem de quando comecei a te mandar flores e cartas anonimas. Todas elas tão cheias de sentimento e verdade. E você ignorava.
Era meu anjo e meu demonio.
Você andava, agia como um anjo. Mas, no fundo você estava ardendo em fogo. Um demonio surreal, da qual encantava a todos.
Mas eu ainda queria você só pra mim.
Aquela imagem, do seu vestido se levantando, seus olhos fingindo vergonha, sua cor só um pouco diferente, aquilo foi crucial.
Não imaginava qual seria seu fim, sem mim.
E um dia, policiais tomam conta do seu lugar na janela, e seu sorriso se apaga. Sua voz é calada. Seu batom vermelho é colocado de lado. Um anjo novamente.
Não queria aquela separação, como não queria que você tivesse se casado com outros. Eu te queria só pra mim. Eu queria seu veneno todo colocado em mim.
Mas a guerra é uma mão de duas vias, e os tempos que passamos juntos estão eternizados em minha memória.
Sua carta, a primeira para mim, foi a ultima coisa que eu li, antes de ir pro céu ou inferno, te encontrar.

1º de junho de 1926 - 5 de agosto de 1962

Um comentário:

  1. Texto muito bom mesmo, marininha :)
    Você sabe que eu gostei muito, ficou muito bom :)

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