29 de mai de 2011

Um romance

Num dia qualquer, numa praça qualquer, com um sentimento qualquer. Eles se olharam, ela sorriu discretamente e continuou seu rumo. Ele apenas a observou caminhar lentamente até o fim daquela praça. Ela imaginava que aquilo era o começo de algo, e ele apenas não pensava em nada.
A vida é um quebra-cabeça no qual todas as peças estão perdidas, e você tem que acha-las, para no final, apenas liga-las e ter a sua resposta.
Ela acabou tropeçando, e ninguém a ajudou. Ele estava a um pouco mais de um metro de distância.
Ele continuava andando, ignorando o fato dela ter caído, ignorando o fato de que um dia, eles poderão ter alguma coisa. Ela passou a ignorar a presença dele.
Todo dia, sete horas da manhã, eles se encontravam no mesmo ponto e ela sempre fazia questão de olhar em seus olhos. Ele fazia questão de desviar.
O homem é um bicho complicado: Olha, mas não admite. Gosta, mas tem medo. Ama, mas finge que odeia.
E a mulher é um bicho mais complicado ainda: Ela olha, admite, porém depois finge que nada existiu. Ela gosta, ela não tem medo, mas então acaba criando um rancor qualquer. Ela ama, ela se doa, mas, quando há uma pequena crise, age como se estivesse na segunda guerra mundial.
Um dia, um amigo em comum dos dois acabou promovendo uma festa, em prol de sua promoção no emprego, agora seria o chefe.
Eles se viram, e ele tomou um porre. Ela tomou água. Ele continuava quieto no seu canto, ela fazia um vexame. Ela dizia "Tudo culpa do álcool'' Até que alguém se aproximou, puxou-a pelo braço, e levou-a até a cozinha, dizendo o que acabara de observar: ''Você só tomou água. Se quisesse chamar a atenção de alguém, deveria ter procurado outra forma.''
Ela olhou para cima, viu ele.
Ele sorriu. Ela chorou.
Eles viviam o mesmo momento, estavam sentindo a mesma coisa, mas, agiam de formas diferentes.
É por isso que os seres nasceram para se completar, para poder juntos criar um melhor que os dois. E é por isso, que, após aquela festa, ela teve de ir embora. Sua mãe, que morava longe, havia morrido.
Ele nunca mais a viu.
Ela nunca mais o viu.

7 de mai de 2011

Voando para longe

Muitas coisas podem acontecer em 15 minutos. Um onibus pode bater, várias pessoas podem morrer, e muitas outras nascer. Sonhos podem ser destruídos, sonhos podem começar a ser escritos, imaginados.
Mas 15 minutos ainda é insuficiente.
Eu havia te traído, sim, como todos imaginavam. Mas, o que nem todos imaginavam, é que eu havia me apaixonado por você.
Quando eu te trai, quando eu vi outra mulher ao meu lado, eu vi que não era naquele lugar que eu desejava estar.
Você nunca fez o gênero de perdoar, mesmo. Então, se eu realmente explicar alguma coisa nesses 15 minutos, vai ser usado contra mim. Tanto vai, que eu sei que até meu silêncio vai ser usado.
Que todas as verdades vão se tornar mentiras, que todos os beijos vão se tornar sacrilégios.
Podia pedir desculpas, perdão, me ajoelhar e beijar seus pés, mas, sei que na verdade não vai funcionar.
Me sinto culpado, na maior parte do tempo, mas dai passa. Sabe aquele sentimento de não era pra ser mesmo? É isso que eu sinto. O problema é que, se fosse pra ser, as chances agora são negativas.
O que fazer com essas incertezas?
- Eu podia te perguntar uma última coisa? - Ela disse, enquanto se sentava ao meu lado, me olhava cheia de ternura, com um toque de dor.
- Claro.
- Por que?
Boa pergunta. É tipo aquela falta no futebol, você não sabe por que realmente o cara fez, sendo que ele vai ser penalizado depois, mas, ele fez, tá recebendo cartão amarelo ou vermelho, e prejudicando o próprio time, a si mesmo.
Eu podia dizer a verdade, mas, a verdade a machucaria. Se eu disser que simplesmente quis, ela vai surtar, me xingar, falar mal de mim pras amigas, e então vai encontrar um cara legal. Se eu disser a verdade ela nunca vai esquecer.
Mulheres. São tão complicadas, e ao mesmo tempo tão frágeis. Se ferem por pouco, mas, aguentam toneladas de problemas sem sair do salto. Como entender, tais figuras incompreensíveis?
Acho que no final vai tudo acabar virando merda mesmo, e, ela não merece a verdade, pelo menos não agora.
- Por que eu quis.
Ela soltou algumas lágrimas, se levantou e então foi embora. Me lembrou aquelas cenas em câmeras lentas, levou no máximo 3 segundos, mas, parecia que era uma eternidade. Ela se levantando, olhando em meus olhos, pegando a sua bolsa, olhando para o chão, observando a sala onde estávamos, se despedindo mentalmente de mim, uma ultima lágrima de dor verdadeira rolando, e ela caminhando em direção a porta, abrindo-a e deixando a chave no chão, com o ato de nunca mais voltar.
Tchau, querida. Muito obrigado pelos dias.