12 de jan de 2011

Massa de tomate

Existia um tempo, no qual, nós achávamos e tínhamos certa certeza, sobre aquilo que devíamos esperar. Por exemplo: Uma moça bonita, era sempre boa. Uma feia, era má. Um menino montado num cavalo alazão branco certamente seria um princípe e outro montado num burrico era um pobre miserável. Rótulos dos quais a sociedade se baseou e se baseia até hoje, em um momento no qual não existe mais certezas.
Porque, pense bem, hoje em dia nem toda pessoa legal é exatamente aquilo que achamos lindo, e nem toda pessoa feia é exatamente aquilo que chamamos de chato.
Hoje em dia os rótulos foram jogados fora, só que o pensamento sobre ele, continua ali.
É como uma massa de tomate temperada. Você tem a sua preferida, mas ela deixa de ser fabricada. Você procura uma que lembre a sua, pela embalagem dela - só que o sabor é completamente diferente. Então, você experimenta todas as parecidas, ou que lembrem, e no final nenhuma te lembra aquela. Você está preso a um gosto, a um pensamento e certamente não sente necessidade de muda-lo, porque até tal momento, ele estava dando certo.
Só que, quando as coisas começam a dar errado, você nem ao menos imagina uma possibilidade de ser diferente.
Você continua insistindo naquilo, dando pequenos murros em ponta de faca. Cortando sua mão lentamente. E logo, você tem uma ferida grande, aberta, precisa de tratamentos.
A quem recorrer, a quem pedir um apoio? Não há ninguém em que você confie alí - afinal, você não confia nem em si mesmo, sua auto-estima foi-se a tempos.
Chamar a policia, o corpo de bombeiros, paramédicos? Nada disso vai resolver. Você precisa de um curativo e não pode fazer ele sozinho.
Você pode chamar um vizinho, é claro. Mas você não vai com a cara dele e nem ele com a sua. Tanto é que vocês já até brigaram por culpa de uma folha de árvore sua que caiu na calçada dele. Uma folha.
É uma emergência, você vai precisar apelar. Você vai até lá, bate. Ele abre, e você mostra o machucado. Você entra e ele começa a fazer o curativo, a conversa vai acontecendo, e de repente você se pega pensando '' como nós temos tanto em comum!'' e esquece o antigo rótulo. A antiga massa de tomate, a antiga faca.
O que eu quero dizer, é que se nós continuarmos presos nesses rótulos antigos, cortanto aos poucos nossas mãos, nós vamos acabar deixando de descobrir pessoas maravilhosas - que ás vezes podem estar ao nosso lado.

Um comentário:

  1. -São estereótipos firmados pela sociedade e que só com muita informação e convivio poderão chegar perto de serem quebrados. Creio que no dia em que ninguém mais tiver o hábito de pré julgar as pessoas e se lacrar em uma redoma para não ver a realidade de cada um, nada mais existirá e a chance de se mudar já terá ido embora.
    Mudar conceitos tão antigos não é nada fácil.

    Intelectualidade OFF.
    oiuaiauioauaiouaoiauai
    Amei o blog e mais ainda os seus textos.
    Okay, confesso que só li esse e ainda não tive animo pra ler os outros, mas já coloquei seu blog nos meus favoritos e pretendo sempre dar uma passadinha por aqui pra conferir.
    Uma amiga deu RT em um tweet qe tu dizia haver uma nova postagem aqui e eu, com a minha infinita curiosidade resolvi conferir o blog...
    iouauaoiuaoauoiauao


    See ya :*


    http://meuprimeiroblogay.blogspot.com/

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