15 de nov de 2011

Seguir viagem, tirar os pés do chão.


Não espero nenhum olhar, não espero nenhum gesto, não espero nenhuma cantiga de ninar. Por isso estou vivo. Pela minha absoluta desesperança, meu coração bate ainda mais forte. Quando não se tem mais nada a perder, só se tem a ganhar. Quando se para de pedir, a gente está pronto para começar a receber. O futuro é um abismo escuro, mas pouco importa onde terminará a minha queda. De qualquer forma, um dia seremos poeira. Quem é você? Quem sou eu? Sei apenas que navegamos no mesmo barco furado, e nosso porto é desconhecido. Você tem seus jeitos de tentar. Eu tenho os meus. Não acredito nos seus, talvez também não acredite nos meus próprios. Não lhe peço que acredite em mim.
(Caio Fernando de Abreu)

6:45

Aquele sentimento diferente, era isso que eu sentia. Só podia ser.
Acordei fisgada naquele dia anterior por algo não-sei-o-que, fiquei pensando se tinha tido pesadelos ou se tinha provas no dia. Nada correspondia.
Segui em frente, de maneira calma. Segui minha rotina de maneira comum, me vesti lentamente e olhei pro relógio: estava adiantada 20 minutos.
Quando estava pronta, deitei novamente. Fiquei olhando o teto, tentando entender o que estava acontecendo e eu não tinha mais medo. (Talvez eu tivesse te superado)
Continuei assim até que o celular tocou: hora de me levantar e ir pegar o onibus. Calcei meu tênis, peguei minha bolsa e olhei pro relógio: ainda faltavam 20 minutos.
Dejavu, nessa hora da manhã? Eu lembro, eu realmente me lembro do celular ter tocado. Eu tenho certeza disso.
Então, peguei meu caderno vermelho de escrever histórias, uma caneta qualquer e fiquei encarando o papel: nada saía. Fiquei presa tentando escrever uma frase qualquer até que o celular - novamente - tocou. 6:45, ele mostrava. Guardei o caderno na minha bolsa e a caneta no estojo, levantei e olhei no relógio: 6:25.
Estava ficando louca, essa era a verdade. Continuei tentando escrever, tentando pensar e eu simplesmente não via nada. Minha mente estava vazia e qualquer coisa parecia uma possibilidade, mas nada era o suficiente.
Não sentia absolutamente nada e o meu quarto parecia pequeno, sufocante.  Peguei minha bolsa e minhas coisas e fui até a sala: 6:30. Só cinco minutos? Parecia que eu estava a horas naquilo. Até que eu adormeci no sofá. E acordei assustada: 6:35. Estranho.
Quando o celular tocou, tive a certeza de que era 6:45, afinal, era o horário que ele tocava. Arrumei novamente minhas coisas dentro da bolsa, fui em direção a porta, girei a chave e a maçaneta, e o céu estava preto: era cedo ainda. Olhei para o meu celular e ele apontava: 6:25.
Eu estava sendo enganada na maior cara de pau pelo meu celular e pelo mundo. A terra girava lentamente e  em questão de um segundo, retrocedia um pouco, só pra me ver puta por não ter sobre o que pensar, escrever ou fazer. Resolvi que iria andando pra escola, relaxar.
Fui indo devagar, cheguei na metade do caminho e conferi: 6:45. Finalmente. Fiquei olhando para o celular até que.... 6:25 novamente. Estou sendo enganada pelo meu celular, preciso de um novo.
Cheguei na porta da escola, ela estava fechada ainda: 6:30. E agora? Vou ir até a praça (Fiquei tentando pensar em você) lugar pelo qual eu já tinha passado. Fiquei sentada num banco, olhando meus pés, olhando algumas folhas e olhando algumas pessoas chegando com seus carros ao centro da praça: quinta-feira, dia de feira. Eu vi eles se organizarem e parecia que eu estava a uma hora ali, até que meu celular tocou: 6:45. Só isso? Ok.
Fui indo em direção a escola novamente, confiro a hora e..... 6:25. Meu Deus. O que eu fiz de errado? Já estamos a 24 horas brincando disso? Me diga.
E isso continuou, continuou, continuou até que eu finalmente voltei para casa e me deitei. Adivinha? 6:45. Me levantei e olhei o relógio: 6:25.
- Ei, você, que tá de brincadeira comigo, faz favor né. Me deixa dormir, pelo menos. - Gritei, mentalmente.
Cocei meus olhos e acordei de verdade. Eu estava de pijama, eram 6:30 e talvez eu me atrasasse pra pegar o ônibus. Mas agora o relógio não ia voltar.
É o que eu acho.
(Passei o dia pensando nisso, pensando no significado e sabe de uma coisa? Nem pensei em você. )
Sorri um pouco agora, que cheguei à conclusão de que algo havia mudado e esse algo era eu. Afinal, antes tarde do que nunca.

30 de set de 2011

Sobre si mesmo


"Se alguém me perguntar quando comecei a sentir a minha vida mais interessante, eu tenho a resposta na ponta da língua: quando comecei a me interessar mais por mim. A ser mais gentil comigo. A dar menos espaço ao que não tem importância e a respeitar o tamanho do que, de fato, me importa. A querer me conhecer melhor... A ter bem menos pressa pra chegar sei lá onde. A apurar o ouvido pra sentir a música das coisas mais simples, que cantam bonito e muitas vezes baixinho. Quando comecei a me enjoar da mania de tentar entender tanto e abri o coração para apreciar mais. Quando comecei a buscar conforto em estar na minha companhia. Às vezes, ao acordar, eu me olho no espelho e me digo: Vamos lá, Ana, fazer o melhor que a gente puder desse dia que eu estou com você. De uns tempos pra cá, não é que tem sido verdade!"
Ana Jácomo

Raiva


Seu coração bate mais devagar, seus olhos ficam semi abertos e você entra numa dança sem fim: se mantém preso num sentimento que não faz bem. E continua assim. Até que se vinga.
Isso é a raiva.
Você tenta fugir dela, dizer que não sente. Mas é impossível esquece-la, nem que seja por um segundo. Seu coração continua batendo devagar, como se quisesse parar pra simplesmente poder golpear um alguém, de tamanha incessatez. Então, seu cérebro manda uma carga de adrenalina. Sentiu? Tá um pouco mais rápido. Você está se movendo, indo em direção, parando de pensar.
Talvez cometa um crime.
Seu sorriso continua ali, aberto, no rosto. Sendo irônico por si mesmo, quebrando uma barreira física e mental, desapropriando o desconhecido e questionando os próximos. Você começa a ir mais rápido, seus pensamentos sumiram de vez. Só vê uma cor: Vermelho. Sangue. Dor. Você está perdido, não é mesmo? Vontade de gritar, dizer que odeia tudo e todos. Que nada é o suficiente e que fizeram péssimas escolhas por você.
Até seu passado tem culpa e seu futuro é a sua escapatória.
Mais adrenalina. Você quase consegue ouvir as batidas, como um tambor que a velocidade foi aumentando freneticamente até quem toca começar a machucar as mãos, começar a chorar. É assim que você se sente, com as mãos machucadas, mas com ódio.
Você chora, você diz que não entende. É só a raiva consumindo seu corpo lentamente, te dizendo como agir, o que falar.
Perdido. É assim que você está. Deveria procurar algum lugar à voltar.
Então seus pensamentos vão voltando lentamente, sua consciência começa a pesar, mas sua raiva continua ali, intacta. Até que ela some: Acaba, de repente.
Só fica a duvida de quando ela vai voltar, de como seus pés irão suportar correr, fugir tanto.
Você deveria se achar, para poder depois procurar algo. Já parou pra pensar?

22 de set de 2011

A tal da evolução.


Eu já escrevi sobre superação, amor e morte. Já escrevi também sobre meus medos, meus momentos, meus amores e desafetos. Até que cheguei num status que pra mim não tenho mais o que dizer.. até que o assunto vem.
É complicado manter um blog, uma vida, um sentimento, o que quer que seja por muito tempo. Porque se nós, que somos (im)perfeitos, somos finitos, quem dirá o resto das coisas, né?
Quando somos pequenos, nossas mães nos ensinam a doar as roupas e os brinquedos que não nos servem mais, o que talvez seja a melhor lição que nos ensinam: a compartilhar. Compartilhar amor, compartilhar a dor, conhecimento e dúvidas, simplesmente ter o prazer de dividir com alguém, aquilo que não cabe só no seu peito. Entender alguém, pelo simples fato de que um dia alguém te entendeu.
Você pensa no futuro? Eu penso e quando penso, imagino algo bem diferente, surpreendente. Quero ter filhos, e você? Mas eu quero fazer diferente com eles, quero que eles tenham o que eu não tive, sejam mais felizes do que eu fui, tenham mais amigos, chorem menos...
Engraçado, nunca queremos o mal ao nosso próximo, nunca imaginamos que ele vá sofrer, mas eles sofrem. Sofrem, porque é da vida deles. É mais uma lição, mais um calo na mão.
Estudei esse bimestre sobre a essência da nossa cultura e percebi, que por mais que haja o racismo, haja preconceitos, defeitos na nossa sociedade, hoje vivemos num mundo mais justo. Há 50 anos atrás quem diria que gays sairiam por ai de mãos dadas e ninguém olharia torto? Quem diria que eles iam até se casar, com papel assinado e tudo mais? Pois é. É a tal da evolução.
Conforme evoluímos, ultrapassamos nossas próprias barreiras e conhecemos novas pessoas, acabamos deixando de ser o que éramos e nos tornamos em um novo alguém, nos reinventamos. Isso todos os dias. Todas as noites.
Mudanças nunca são ruins, você apenas mudou. Aceite isso. Não tente voltar atrás: vai ser cansativo e você vai continuar mudando, mudando e mudando, até perceber que não vai parar de mudar, até perceber que você nunca vai ser como era antes.
Egocentrismo é uma prova disso: Antes, as pessoas pensavam de uma maneira geral, por que era importante na época, importante para a sociedade. Hoje, você quer ter o cabelo vermelho? Ok. Você quer ter cabelo vermelho, sobrancelhas roxas e unhas verdes? Ok. Ninguém liga, ninguém se importa. Muito menos eu. Tá entendendo? Você tem o seu próprio espaço pessoal, pra divulgar o que pensa, o que acha bonito e interessante: seu corpo e seu cérebro. Algumas pessoas vão se identificar, outras não vão gostar. Mas não é um problema.. o que é ótimo. O problema de verdade é quando as pessoas se mantém tão entretidas em si mesmas, que esqueceram que apartir do momento que ela tem direitos, ela tem deveres e o outro também. Se você ferir meu direito, posso te denunciar, e vice-versa.
Como entender a sociedade atual? Muito simples: Não entenda. Países são diferentes, culturas são diferentes e as pessoas entre si são mais diferentes ainda. Mas há quem vai gostar, há quem vai cuidar e há quem não vai ligar. É só se acostumar.
Você vai acabar esquecendo um dia, superando, entendendo e não ligando. Você vai acabar compartilhando, vivendo o futuro, tendo filhos, vendo a evolução e vai chegar a uma única decisão final: ainda há muito mais a ser feito. Ainda há mais. E sempre haverá.
O importante é não deixar de lutar pelo que acredita, pelo que acha certo e pelo que condena: porque você pode estar certo e nem estar sabendo.

Relacionamento: Rainha


Ando intimista. Gosto de escrever textos, como se as pessoas estivessem conversando comigo, como se eu estivesse ali, na frente delas, contando minha história e elas contando a delas. Mas não dá pra ser sempre assim. Da mesma forma que nem toda paixão vira amor, e nem todo sentimento é real. Vou contar uma história.
Havia uma princesa, que se apaixonou por um príncipe. Eles namoraram durante um longo tempo, secretamente. Acontece que um dia, o príncipe pediu pra ela tomar um tal chá, mas sua intuição disse pra ela não tomar.. Ela tomou, é claro. Ela ficou adormecida durante longos e longos anos, até que um dia ela acordou.
Seu reino estava destruído, seu pai havia morrido há tanto tempo e sua madrasta já estava em leito de morte: Ela confessou que a havia enfeitiçado, que tinha feito todas as atrocidades e que seu grande amor era um ator. Tudo bem. Ela ia superar, esse é o problema.
Você se sente como a princesa, as vezes? Com tudo dando certo...... até que dá tudo errado. Você nunca espera, você nunca tá preparado.
Sorrir fica difícil nesse momento. Quando te perguntam se tá tudo bem, você tem vontade de dizer que tá tudo mal, mas não quer que se preocupem. Ficar sozinho é a solução mas também o maior desafio.
Gostaria de te dizer o que fazer.. mas nem eu sei.
Vou contar o que eu faço: Releio conversas, mensagens e procuro erros, defeitos. Falo com as amigas, pergunto o porquê e fico sem uma resposta. Então, como se nada estivesse ruim o suficiente, coloco a culpa em mim, digo que eu fiz algo errado. Se identificou? Pois é.
Agora vou contar os erros: Reler as conversas, mensagens e procurar erros, defeitos. Falar com as amigas tá tudo bem, mas não tem porquê. Acabou. Foi assim. Tinha que ser, aceite. E se culpar? A culpa não é sua. Você tem defeitos, mas ele gostava de você assim no começo. O problema é ele.
Ele te traiu? Não foi por algo que você não fez, foi por algo que ele não sentiu. Ele terminou com você? Melhor assim, pensa comigo. Você não tá com um par de chifres em cima da testa e você vai sofrer.. só que menos. Pois não vai tentar concertar o inconcertável.
Não tente ser amiga, discutir sobre futebol ou música. Vocês terminaram, quebraram o que tinham, quer dizer.. eu acho né. Pois não adianta nada terminar um minuto e no seguinte dar os dedinhos e fingir que nada aconteceu. Assim como não dá pra ignorar o passado.
Teve algo bom? É claro que teve, sempre vai ter. Não vale a pena esconder. Mas acabou. As lembranças vão ficar com você, vão te acompanhar e muitas vezes você ainda vai se lembrar, até que vai se desvincular. Vai ir esquecendo aos poucos, parando de pensar.

Tá ouvindo alguma coisa? Nem eu. Acho que passou.
Superar um relacionamento é difícil, ainda mais quando dura bastante tempo ou tem sentimento. Mas você não tem que esquecer o que é bom. Guarde, aliás. Isso faz parte da sua história e você vai querer conta-la, algum dia qualquer.
Ah, e a princesa? Ela salvou o reino, encontrou um novo amor e teve alguns filhos. Como manda o figurino.
Tudo vai dar certo, confia em mim.

7 de set de 2011

O passado com amor

Como esquecer antigos amores? Difícil.
Quando somos crianças, nós lemos e ouvimos histórias de casais que ficam juntos pra sempre e queremos aquilo pra nós mesmos também. (Pelo menos as meninas.) Quem nunca sonhou que era a cinderela, bela adormecida ou a branca de neve, né? O problema é que a gente cresce.
Nós crescemos, vivemos e enfrentamos o mundo e descobrimos maravilhas e histórias ainda mais impressionantes - pelo fato de serem reais. Então você deseja aquilo, anseia por aquilo. 
Até que vem um menino e rouba seu coração. Ele é sorrateiro, se faz de desentendido e quando vê você só pensa nele, em como contar pra ele e em como seria se não tivesse ele - o que te deixa preocupada. Ele se declara, você dá um sorriso. E então ele te beija. Aquele beijo calmo, surreal. Você está vivendo seu conto de fadas e nem sabia. O tempo vai passando e tudo vai dando certo (do seu jeito) e vocês estão cada vez mais unidos, porém, venho cá dizer: felicidade alheia incomoda. E incomoda de verdade. Então, mais sorrateiramente ainda as brigas vem se tornando constantes, fofocas vão se tornando maiores e mentiras são contadas, fatos são omitidos e a menina só sabe chorar. E o menino não sabe o que fazer.
Continuar, insistir? Devo realmente prosseguir?
Você insiste. Afinal, que conto de fadas não passa por um turbilhão de coisas ruins, né? Mas essas coisas ruins continuam e chorar não é mais tão agradável e você se pega pensando novamente: ''como seria sem ele?'' e acaba imaginando uma vida legal, diferente. Acaba imaginando que no final das contas ia ser feliz. Finalmente, quando se percebe isso, é a hora de dizer tchau e falar: ''nós ainda podemos ser amigos'' o que é MENTIRA. Vocês podem tentar, mas é impossível. Vocês tem toda uma história juntos e ser amigos seria como te dar um tapa na cara todos os dias. Ninguém gosta de tapas na cara.
O tempo passa. Já ouviu isso? Então, acredite. Aquele seu conto de fadas vai ter um outro príncipe, sério. 
O tempo já passou: Acredita que foram muitos meses longe um do outro - apesar das ligações dele? Apesar dele insistir em ser seu amigo, apesar de você ainda sentir algo por ele? Você superou isso de uma certa forma, só não se desvinculou, coisa tal qual é a parte mais necessária do processo. Se desvincular: Apagar fotos, apagar memórias: Não precisa ser totalmente, você deve guardar o que realmente precisar. Mas jogue o lixo fora, faça uma limpeza no seu coração e deixe tudo limpinho. Alguém está a chegar.
''Oi'' ele diz. Ele pergunta como você está, como foi o seu dia e o que você achou de tal filme. Você ri com ele, brinca com ele, anda com ele. Você pensa no seu ex fazendo essas coisas? Acho que não.
É ai que a tua ficha cai: você superou. Não totalmente, afinal, amores são eternos e únicos na sua essência, mas superou.
Até que o seu ex volta, te atrapalha todos os planos e te pede pra voltar.
Eu espero que você diga não. Porque? Se ele realmente te amasse, tanto tempo não teria passado e outras não teriam sentido o que você sentiu com ele.
O amor é complicado e a paixão é mais ainda. Não é realmente compreensível, mas ela deixa pistas de como lidar. 
No final do dia, encare os fatos: Outro quer estar em seu coração, é só você deixar. 
Deixe, prometo que não vai se arrepender.

Dedicado à Giovana Francisco. 

Finalmente

"Nós temos muitas chances nessa vida. Nós tenhos chances de mudar o destino, chances de mudar o que pensam de nós e temos chance de destruir isso tudo - basta querer.
Quando nos perdemos, precisamos que alguém nos ajude a encontrar o caminho de volta.
Ai entra você.
Pedir arrego é uma das coisas mais difíceis desse mundo, porém quando se pede, sabe-se que a coisa tá feia. Quando se pede arrego, sabe-se que a pessoa não aguenta mais ir contra a maré, que acabou a munição da sua arma, que falta motivos pra continuar a lutar.
É por isso que eu te agradeço.
Você pode ler muitos poemas - mas eles nunca vão te ensinar sobre amor. A professora de português/literatura pode tentar descrever, mas só você sabe definir o que realmente é um romance. Nós sempre sabemos, é instintivo.
Ouvi pessoas dizerem que é impossível, que tudo o que nós podemos fazer é previsível e que somos jovens. Jovens, adolescentes e imaturos que nada conhecem.. Nada além do amor.
Na adolescência é a época que tudo mais dói: qualquer briga parece ser definitiva, e volta a ser uma amizade cinco minutos depois. Qualquer amor parece ser o perfeito pra você, parece ter encontrado o homem ou mulher da sua vida, dai então tudo desmorona. Nessa época, nós descobrimos como definir onde colocar um pouco de fantasia e um pouco de realidade, aprendemos como viver com isso. É por isso que é tão crucial.
Acontece que sonhos também se tornam realidade.
É por isso que a esperança tem de ser sempre como quando vai chegando o natal e somos crianças: Você tem esperança que aquela tia-avó não te dê roupa e que seus pais finalmente comprem o presente certo.
Mas então, aprendemos de verdade: o destino não é prevísivel, quando você menos esperar, você vai ser surpreendido.
E então, finalmente, tudo vai dar certo. "

Dedicado à Guilherme Momma.

7 de ago de 2011

#laçodefita: Há momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.
Clarice Lispector

Aperte o play.

Eu gosto de ouvir musica, e me sinto numa trilha sonora eterna.
Apenas coloque o play.
Vou andando pelas calçadas da cidade, vou imaginando o futuro das pessoas, imaginando como elas serão, com quem irão se casar, como irão morrer ou simplesmente por quem irão sofrer.
Imagino se elas notam que eu faço isso, imagino se elas terão um futuro comigo. Vejo uma vida toda diante dos meus olhos e depois a vejo sumir novamente.
A vida continua, esse é o problema.
Uma vez, com uma menina loira dos olhos verdes, imaginei que seriamos amigas, que ela me contaria seus segredos, que eu seria sua madrinha de casamento e que seus filhos seriam amigos dos meus filhos. E então nunca mais a vi.
Outro dia, me deparei numa armadilha, em dois caminhos secretos os quais eu já sabia a direção: vi o presente e o futuro de uma pessoa. Ou pelo menos o que eu acho que será dele. Um rapaz tão novo, tão cheio de vida, talvez se torne aquele velho tão cheio de amarguras, tão cheio de ódio. Ou então aquele menino, aquela criança, faça as escolhas certas e acabe apenas com amor.
Eu sinto sua falta, talvez seja essa a verdade.
Quando nós perdemos o rumo, a musica chega a ter um sabor. Você sente seu sofrimento na musica, colhe sua dor e adoça com acordes diferentes e que fazem o autor se encher de técnica e orgulho de ter criado tal melodia.
Você sempre sabe que vai precisar de alguém, mas você sempre sabe que esse alguém vai embora algum dia.
Eu poderia ter imaginado uma vida com você a lá Hollywood: cheia de altos e baixos, cheia de virtudes, de brigas, mas sempre com um final feliz.
Não imaginei nada.
Eu lembro das tardes quentes, noites frias, dos abraços, dos beijos, do querer e não ter, do poder te ver e preferir ficar longe. Eu lembro de quando era preciso dizer sim, e você também preferiu dizer não.
A vida vai continuar, afinal? Porque eu continuo andando, eu continuo imaginando, eu continuo vendo futuros perversos, futuros perdidos e futuros brilhantes. Mas eu nem consigo ver o meu.
Talvez não fosse pra dar certo. Porém eu quis.

29 de jul de 2011

#laçodefita início

Yay, nova sessão no blog, hoje. Como vocês perceberam, o nome dessa sessão é: Laço de fita. Toda semana, ou sempre que pudermos, postaremos no blog, histórias, pensamentos, textos de diferentes autores, com o intuito de complementar o conteudo já apresentado pela nossa dupla dinâmica. Espero que gostem, seus lindos. :D





"Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão.
Você não precisa saber que eu choro porque me sinto pequena num mundo gigante. Nem que eu faço coisas estúpidas quando estou carente. Você nunca vai saber da minha mania de me expor em palavras, que eu escrevo o tempo todo, em qualquer lugar. Muito menos que eu estou escrevendo sobre você neste exato momento. E não pense que é falta de consideração eu dividir tanto de mim com tanta gente e excluir você dessa minha segunda vida, porque há duas maneiras de saber o que eu não digo sobre mim: lendo nas entrelinhas dos meus textos e olhando nos meus olhos. E a segunda opção ninguém mais tem. "



Por: Verônica H.

21 de jul de 2011

Caminhos incertos

Conviver com nossos pensamentos não é fácil. E provavelmente nunca vai ser.
Nós pensamos em quem se deveria esquecer, e nos preocupamos com quem não quer que nos preocupemos. Nós imaginamos um mundo lindo e perfeito, desejamos que aquilo se torne realidade, então, abrimos os olhos.
Abrir os olhos talvez seja a parte mais difícil do esquema. Porque não é um simples despertar, é acordar pra realidade e no fundo ninguém é preparado pra isso.
Quando nos contam histórias de princesas, eles tem como objetivo nos fazer acreditar que sonhar é bom e que algo ruim só acontece, e depois melhora. E quando não é tão simples assim? Será que seria complicação do nosso próprio pensamento?
Existe também o medo: E se a realidade nos decepcionar, e se as pessoas reais nos decepcionarem?
Tem um comercial que diz ''As questões que movem o mundo'' ou algo assim. As questões são movidas pelo medo e pela curiosidade. Afinal, temos medo do que não conhecemos e temos curiosidade pra conhecer.
As vezes você é surpreendida, as vezes alguém te dá carinho, atenção. Te ajuda. E então essa pessoa vai embora. É complicado aceitar que ela não possa ficar ali junto pra sempre, mas isso não quer dizer que ela não esteja pra sempre naquele instante, guardado em sua memória.
Por isso que amar é a parte mais complicada. Amar envolve estar na realidade e sonhar com um futuro. Acontece que o futuro escapa das nossas mãos e acaba sendo decepcionante, e afetando a realidade - que até então ia bem. Isso seria auto destruição, coisa que todos nós somos capazes de fazer, até inconsciente.
E hoje eu estava pensando com meus botões, com a minha massa cinzenta ou de que cor vocês quiserem. O amor que aquele cara te deu, ou disse que te deu aquele momento, é realmente eterno, pois, era aquilo que ele sentia naquele momento, e aquele momento está vivo em vocês dois, está vivo na memória, na inconstância da vida.
Então, quando um menino disser que te ama, naquele momento, provavelmente seja verdade, só não quer dizer que em outros momentos mais também seja.
Nós precisamos parar de julgar as pessoas como um todo, sendo que elas são constituídas por partes.
Nós precisamos aceitar isso também.
Talvez a vida não seja movida por perguntas, e sim por aceitação. Aceitar que nem tudo vai dar certo, aceitar que uma pessoa não vá te amar pra sempre e a todo momento. Aceitar que uma hora você vai morrer, aceitar que uma hora as coisas tem que acabar. Aceitar que apesar de nós não vivermos em um conto de fadas, tudo vai dar certo no final. Não certo do jeito que imaginamos, e sim do modo que precisamos.
Acordar. Aceitar. Viver.
E no fim, a gente acaba descobrindo o valor da saudade: aquela pessoa que te faz muito bem, e você acabou esquecendo, sem motivo nenhum. Saudade é te fazer procurar novamente aquilo, é te fazer procurar o que lhe faz bem.

12 de jul de 2011

Estradas sem fim.



Caminhos. 
Tantos a seguir, estradas, escolhas, momentos. A vida tem me mostrado novas formas de seguir em frente. Superar, suprir necessidades. Objetivos, realizações, desejos. Decidi seguir um outro caminho. Estava acostumada a caminhar, lentamente, em uma estrada qualquer. Um pouco emburacada, que o rumo não tinha fim. Parecia que eu caminhava em círculos. Sempre da mesma forma, sempre as mesmas emoções. Tive algumas quedas e já havia até me acostumado com elas. De tão acostumada, já não me afetavam mais. Decidi então parar. Olhar ao meu redor. Comecei a rever meus conceitos, mudar de opinião, fazer novas hipóteses.
Desde então, tenho posto em prática tudo o que pensei. Mudei, reinventei. Superei. Surgiu-me então, novos caminhos, novas ideias, novas vontades. Continuei. Conheci um novo mundo, com outros sentimentos, outras  sensações. Talvez mais intensas do que as outras. Ganhei marcas, marcas mais profundas, que ficarão em mim por muito tempo. Descobri que  tudo o que eu acreditava, era pouco. Pouco para imensidão que é a vida. Peguei uma carona com um mais novo amigo. Demos as mãos e escolhemos então percorrer essa nova estrada juntos. Decidimos começar a viver.   

5 de jul de 2011

Sobre a espera

Espera.
Aquele verbo, aquela ação que te consome o cérebro e usa/abusa de toda a sua criatividade.
Aquela menina, esperava aquele menino à algum tempo. Então, aquela tal menina começou a imaginar possíveis motivos para aquele tal menino não aparecer. Ele podia ter morrido, a dor de cabeça podia ter se expandido, ele podia ter saído com os amigos, ele podia estar com outra. Claro, porque ela não havia pensado nessa possibilidade antes?
Em situações de espera como essa, o cérebro simplesmente não te permite pensar em opções boas, é como se fosse contra a sua lei, é como se fosse mais um motivo pra quando aquele menino aparecer, eles brigarem, a fim de que ela realmente saiba a verdade e que essa verdade seja o que ela tinha imaginado: Ele estava com outra.
Mulher é um bicho louco, adora inventar asneira. Por eu ser mulher, ter melhores amigas, ouvir seus medos, suas histórias sempre, que eu posso afirmar: Tudo que uma mulher puder transformar em erro masculino, elas transformam. Qualquer partida de futebol é afirmação de que ele tem outra ou que não a ama.
Talvez seja só carência. Mulher é eternamente carente, exatamente por isso homem tem que falar que a ama, que gosta dela toda hora. Tem que dar carinho, abraçar e principalmente: não pode mudar a rotina. Porque ai ela começa a pensar coisas erradas novamente, e é como se vivesse uma eterna espera: a de que ele cometa um erro.
Acontece que humanos são seres falhos, que erram. Logo, elas esperarem isso deles, é como uma bomba: as vezes leva algum tempo pra explodir, mas ela explode.
Eu poderia escrever até um pequeno manual de como agir com as mulheres, mas se você seguir a risca vai ser mais um bom motivo de afirmação.
Mulher é um bicho louco, mas quando se faz tudo certo, quando ela finalmente aprende a confiar plenamente, se torna a sua melhor amiga, sua companheira, sua amante.
E então, quando aquele menino chega, aquela menina abre um sorriso. Ela sabe que ele poderia estar com outra, doente, morto ou qualquer coisa, mas, agora, ele está com ela.

23 de jun de 2011

Presença de perda



Querida perda,
Espero que a sua chegada, seja lenta e tranquila. Que não seja tão devastadora, para que eu possa me acostumar com essa nova ideia. A sua chegada é tão óbvia que costuma ser complexa. Leva tempo para eu aprender a conviver com a sua presença. Com o que perdi, com o que ficou, comigo e com todos. Mesmo sabendo que é o ciclo da vida e que ele nunca acaba, não és tão comum como parece. Ou tão amiga.
Espero que você me ensine algo, algo que eu possa colher e replantar, com uma mais nova experiência. Queria também, que você chegasse desacompanhada. Mesmo sabendo que isso não irá acontecer. Pois consigo, trazes a saudade. E a saudade, traz tristeza. Eu sei que és constante na vida, e sempre irá me acompanhar. Mas a cada vinda sua, você me acerta, me derruba. Me destrói. E quando eu me recupero, você me acerta de novo. E o ciclo se repete outra vez. Sei que isso tudo faz parte da vida. Sei que a vida me dará algo, e em breve, irá me tirar o que possuo. Talvez eu aprenda com isso, talvez eu conquiste algo mais. Ou talvez eu me torture novamente com a falta. Já que sei que um dia você irá chegar, tento me preparar para uma boa recepção. Mas eu preciso que me ajudes. Que não me faça querer desistir. Que me mostre um outro lado nessa história. Me dando força e conhecimento. Desapego ao que perdi. E que logo você vá de partida. Me dando a tão desejada liberdade. E novas coisas, e novos motivos. E uma nova paz.

18 de jun de 2011

Superação

Você me olhava, como se eu fosse a pessoa mais importante do mundo. Prestava atenção no que eu falava, como se tudo fosse realmente algo relevante. Você sorria das minhas piadas sem graça e também me abraçava no frio.
Quando eu precisava de alguém pra conversar, você estava lá, sempre disposto. E quando eu não precisava também.
Eu me acostumei.
Era fácil acostumar com aquela voz doce, aquele abraço, aquele beijo na bochecha e aquele sorriso. É fácil, na verdade.
Nós nunca esperamos que algo vá acabar, quando ele acaba de se tornar rotina, mas, acaba.
E o que realmente importa, não é o que aconteceu, como aconteceu e sim como você superou. A minha filosofia é: você pode superar bem ou pode superar mal. Quando você escolhe a segunda opção, xinga-lo é o primeiro passo. O segundo é ignora-lo. E o terceiro é sentir remorso. Porém, quando se escolhe a primeira opção, você acaba tendo apenas um passo: esquecer. Por mais que com a primeira opção te faça sentir um pouco mais de dor, no final, vai acabar passando mais rápido, sem remorso, só você.. e finalmente, você.
A vida é uma caixa de surpresas, o problema é que, a cada escolha, se ganha duas novas caixas (ou mais de duas) e, você tem apenas de escolher uma. O problema é que não se sabe por qual caminho cada caixa vai te levar, ou quais consequências e prejuízos cada uma vai te trazer. É questão de sorte, ainda por cima.
Eu ainda sinto falta do seu cheiro. E talvez eu vá sentir falta disso pra sempre. O que importa é que eu vou superar.
Você deixando ou não. Meu coração querendo ou não.
A verdade é que tudo vai passar.



"Enquanto não encerramos um capítulo, não podemos partir para o próximo. Por isso é tão importante deixar certas coisas irem embora, soltar, desprender-se. As pessoas precisam entender que ninguém está jogando com cartas marcadas, às vezes ganhamos e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é." (Fernando Pessoa)

2 de jun de 2011

Plural.



Duas vidas, duas pessoas completamente diferentes e tão iguais. Ambos não desejavam nada, hoje anseiam a presença um do outro. Como dois imãs. Seus corpos exercem a lei da atração de forma inexplicável. Um abraço apertado, um beijo roubado e um “Eu te amo” sussurrado, já eram o suficiente. Um tapa bem dado, um beliscão, uma mordida, e uma careta pra descontrair. Era possível ouvir as risadas mesmo do corredor. 
Por onde passavam atraiam olhares, e os sorrisos não saiam de seus rostos. Os carinhos eram valorizados e sabiam aproveitar cada minuto da presença um do outro.  Quando se afastavam, logo sentiam o aperto no peito. Antes de se encontrarem, o frio na barriga com uma boa dose de ansiedade. Eram melhores amigos. 
A confiança era à base de tudo. Minutos, horas, dias distantes e sentiam uma enorme falta um do outro. Do toque, do cheiro, do abraço, dos beijos. A cumplicidade dominava a relação. Havia entre os dois um desejo, um pouco mais que atração e um forte sentimento. A amizade era quem reinava na história. Era a estrutura que sustentava as duas torres. Torres que antes estavam prestes a desmoronar. 
Não precisavam de muito, talvez apenas uma boa conversa e uma xícara de café. Minto. Eles apenas precisavam um do outro. Juntos superavam as dificuldades. Fizeram novos caminhos, novas histórias. Decidiram, quase sem querer, descobrir o mundo juntos. 
Todos os adoravam, torciam por ambas as felicidades. Desejavam o bem. Quem via de longe tinha uma única certeza. Eles também. Não era preciso muitas palavras para descrever o que sentiam. Na verdade, não havia descrição. Seus olhares, suas carícias e seus sorrisos os entregavam. Suas memórias guardavam os detalhes que não podiam ser descritos com papel e caneta. Eles dividiam as coisas, compartilhavam suas vidas. Eles estavam felizes. Eles se amavam. 

1 de jun de 2011

Marilyn


E eu fico lembrando do seu andar. Era calmo, surreal, parecia que flutuava. Eu ficava louco com aquilo. E seu batom vermelho? Aquilo me remetia as vadias, mas, eu sempre queria encostar naquela sua boca, te beijar calmamente e te fazer surtar. Seu cabelo loiro platinado, brilhava ainda mais no sol, o que podia cegar qualquer pessoa.
Você era mais bonita que qualquer pessoa desse mundo.
E sua sensualidade então? Meu Deus. Eu te olhava nos olhos, e tu não dizias nada. Sem sorrisos. Mas eu podia ver que me chamava, que me queria alí do seu lado, te tocando.
Tudo por uma janela.
Você foi minha paixão surreal durante alguns anos e eu tinha plena certeza de que uma hora ia ficar contigo. Ah, como eu tinha.
Me lembro bem de quando comecei a te mandar flores e cartas anonimas. Todas elas tão cheias de sentimento e verdade. E você ignorava.
Era meu anjo e meu demonio.
Você andava, agia como um anjo. Mas, no fundo você estava ardendo em fogo. Um demonio surreal, da qual encantava a todos.
Mas eu ainda queria você só pra mim.
Aquela imagem, do seu vestido se levantando, seus olhos fingindo vergonha, sua cor só um pouco diferente, aquilo foi crucial.
Não imaginava qual seria seu fim, sem mim.
E um dia, policiais tomam conta do seu lugar na janela, e seu sorriso se apaga. Sua voz é calada. Seu batom vermelho é colocado de lado. Um anjo novamente.
Não queria aquela separação, como não queria que você tivesse se casado com outros. Eu te queria só pra mim. Eu queria seu veneno todo colocado em mim.
Mas a guerra é uma mão de duas vias, e os tempos que passamos juntos estão eternizados em minha memória.
Sua carta, a primeira para mim, foi a ultima coisa que eu li, antes de ir pro céu ou inferno, te encontrar.

1º de junho de 1926 - 5 de agosto de 1962

29 de mai de 2011

Um romance

Num dia qualquer, numa praça qualquer, com um sentimento qualquer. Eles se olharam, ela sorriu discretamente e continuou seu rumo. Ele apenas a observou caminhar lentamente até o fim daquela praça. Ela imaginava que aquilo era o começo de algo, e ele apenas não pensava em nada.
A vida é um quebra-cabeça no qual todas as peças estão perdidas, e você tem que acha-las, para no final, apenas liga-las e ter a sua resposta.
Ela acabou tropeçando, e ninguém a ajudou. Ele estava a um pouco mais de um metro de distância.
Ele continuava andando, ignorando o fato dela ter caído, ignorando o fato de que um dia, eles poderão ter alguma coisa. Ela passou a ignorar a presença dele.
Todo dia, sete horas da manhã, eles se encontravam no mesmo ponto e ela sempre fazia questão de olhar em seus olhos. Ele fazia questão de desviar.
O homem é um bicho complicado: Olha, mas não admite. Gosta, mas tem medo. Ama, mas finge que odeia.
E a mulher é um bicho mais complicado ainda: Ela olha, admite, porém depois finge que nada existiu. Ela gosta, ela não tem medo, mas então acaba criando um rancor qualquer. Ela ama, ela se doa, mas, quando há uma pequena crise, age como se estivesse na segunda guerra mundial.
Um dia, um amigo em comum dos dois acabou promovendo uma festa, em prol de sua promoção no emprego, agora seria o chefe.
Eles se viram, e ele tomou um porre. Ela tomou água. Ele continuava quieto no seu canto, ela fazia um vexame. Ela dizia "Tudo culpa do álcool'' Até que alguém se aproximou, puxou-a pelo braço, e levou-a até a cozinha, dizendo o que acabara de observar: ''Você só tomou água. Se quisesse chamar a atenção de alguém, deveria ter procurado outra forma.''
Ela olhou para cima, viu ele.
Ele sorriu. Ela chorou.
Eles viviam o mesmo momento, estavam sentindo a mesma coisa, mas, agiam de formas diferentes.
É por isso que os seres nasceram para se completar, para poder juntos criar um melhor que os dois. E é por isso, que, após aquela festa, ela teve de ir embora. Sua mãe, que morava longe, havia morrido.
Ele nunca mais a viu.
Ela nunca mais o viu.

7 de mai de 2011

Voando para longe

Muitas coisas podem acontecer em 15 minutos. Um onibus pode bater, várias pessoas podem morrer, e muitas outras nascer. Sonhos podem ser destruídos, sonhos podem começar a ser escritos, imaginados.
Mas 15 minutos ainda é insuficiente.
Eu havia te traído, sim, como todos imaginavam. Mas, o que nem todos imaginavam, é que eu havia me apaixonado por você.
Quando eu te trai, quando eu vi outra mulher ao meu lado, eu vi que não era naquele lugar que eu desejava estar.
Você nunca fez o gênero de perdoar, mesmo. Então, se eu realmente explicar alguma coisa nesses 15 minutos, vai ser usado contra mim. Tanto vai, que eu sei que até meu silêncio vai ser usado.
Que todas as verdades vão se tornar mentiras, que todos os beijos vão se tornar sacrilégios.
Podia pedir desculpas, perdão, me ajoelhar e beijar seus pés, mas, sei que na verdade não vai funcionar.
Me sinto culpado, na maior parte do tempo, mas dai passa. Sabe aquele sentimento de não era pra ser mesmo? É isso que eu sinto. O problema é que, se fosse pra ser, as chances agora são negativas.
O que fazer com essas incertezas?
- Eu podia te perguntar uma última coisa? - Ela disse, enquanto se sentava ao meu lado, me olhava cheia de ternura, com um toque de dor.
- Claro.
- Por que?
Boa pergunta. É tipo aquela falta no futebol, você não sabe por que realmente o cara fez, sendo que ele vai ser penalizado depois, mas, ele fez, tá recebendo cartão amarelo ou vermelho, e prejudicando o próprio time, a si mesmo.
Eu podia dizer a verdade, mas, a verdade a machucaria. Se eu disser que simplesmente quis, ela vai surtar, me xingar, falar mal de mim pras amigas, e então vai encontrar um cara legal. Se eu disser a verdade ela nunca vai esquecer.
Mulheres. São tão complicadas, e ao mesmo tempo tão frágeis. Se ferem por pouco, mas, aguentam toneladas de problemas sem sair do salto. Como entender, tais figuras incompreensíveis?
Acho que no final vai tudo acabar virando merda mesmo, e, ela não merece a verdade, pelo menos não agora.
- Por que eu quis.
Ela soltou algumas lágrimas, se levantou e então foi embora. Me lembrou aquelas cenas em câmeras lentas, levou no máximo 3 segundos, mas, parecia que era uma eternidade. Ela se levantando, olhando em meus olhos, pegando a sua bolsa, olhando para o chão, observando a sala onde estávamos, se despedindo mentalmente de mim, uma ultima lágrima de dor verdadeira rolando, e ela caminhando em direção a porta, abrindo-a e deixando a chave no chão, com o ato de nunca mais voltar.
Tchau, querida. Muito obrigado pelos dias.

9 de abr de 2011

Isso se chama vida. Segunda parte.

Quero deixar claro, logo de início, que o primeiro e o segundo texto não se completam, esse tem um teor parecido, mas com uma mensagem completamente diferente.
Enfim, vamos ao texto:


Quando nós pensamos ter construido um muro em volta de nós, que nada mais pode afetar-nos, algo acontece. Você, aquela pessoa, aparece. Um sorriso seu e o dia se torna perfeito, uma briga e parece o apocalipse. Isso se chama paixão, que é sinônimo de dependência.
O mundo é um lugar de perfeitas possibilidades, e de igualdade. Por que em geral, todo mundo pode fazer de tudo pra mudar. Independente da cor, raça ou dinheiro existente no seu colchão ou no seu bolso.
Você imagina que não, mas a verdade é que é sim.
O maior defeito do ser humano é acreditar que ele vai realmente precisar de algo supérfulo. A mil anos atrás, sem computador, televisão e etc, o homem evoluia e fazia teorias que só foram comprovadas nos dias de hoje. Mil anos antes.
Mas será que tudo o que consideramos certo, que as leis da física são realmente reais, que aquele romance está fadado ao fracasso? Difícil prever.
Eu gostaria de saber se pelo caminho que ando, e pelas decepções que passo, algo realmente extraordinário vai acontecer. Caso contrário, ainda dá tempo de mudar de opinião. Afinal, você tem o livre árbitrio e uma tal de liberdade, que no fundo nem existe realmente.
Deveríamo-nos perder mais, pra deixar que a vida nos encontre. Talvez isso funcione.

25 de fev de 2011

Isso se chama vida.

Quando você sorri, você só quer que alguém sorria de volta. Que alguém te entenda.
Você não precisa estar no topo do mundo, mas estar em primeiro lugar na vida de alguém.
Ser importante, independente dos defeitos.
É por isso que os sonhos são ótimos.
Nós podemos sonhar em como seria se aquilo existisse, se um dia aquilo se tornasse real. Podemos imaginar nossa vida como um filme, ou como se nós fôssemos observados por milhares de câmeras a todo momento. Algumas pessoas até poderiam chorar quando nos vissem chorando. Algumas outras iam achar aquilo tudo tediante.
Os momentos vem e vão, a felicidade nesse tempo não é eterna. Afinal, nós vivemos numa busca: Algo que nos agrade mais, que nos permita melhores contatos. Algo que complete nosso cérebro e nos mantenha ocupados a ponto daquilo tudo nunca acabar. Talvez isso possa ser chamado de prisão. Ou então de paixão.
Você um dia vai se decidir. Você vai escolher, e nem vai perceber. O tempo vai passar, você vai ter vontade de voltar atrás, mas não vai poder.
Isso por que o tempo é sim relativo, mas independente disso, nós tivemos a escolha. Ela fora feita e ponto.
Como aceita-la quando ela parece ter sido um erro?
Começar de novo ou recomeçar.
Não vai existir um fim até você realmente declarar ele. Não, não vai.
É por isso que aqui é o nosso céu e o nosso inferno: Você tem sempre a escolha. O problema é lidar com ela. Ainda bem que a memória nos ajuda de vez em quando, e nos faz esquecer tudo no final das contas.
E é realmente tudo tão simples. Só falta coragem de parar de complicar.

1 de fev de 2011

Sem nome, apenas uma suposição.

O medo move as pessoas. Disso ninguém duvida, afinal, alguma grande pessoa disse isso, e não há motivos para contraria-la.
E se eu te disser que não é o medo que move as pessoas, você vai me dizer o que? Que eu estou errada?
Talvez.
Hoje em dia vivemos num mundo em que a liberdade é a palavra e a função é a censura. Nós achamos que temos a liberdade, mas a verdade é que não à temos. Nós nem ao menos saberíamos o que fazer com ela. Não fomos criados para ela.
Eu fico imaginando o que Deus pensava quando nos deu um cérebro maior do que o comum para os animais, quando ele nos deu o livre arbítrio ou quando simplesmente ele resolveu nos deixar pensar por um segundo.
Tenho a impressão de que Ele se arrependeu.
O que move as pessoas é a curiosidade. A gente pode até sentir medo, mas, se o medo fosse realmente maior, nós não faríamos tal coisa. Mas nós fazemos. Com medo, sem medo, com coragem liquida ou em pó, nós sempre fazemos. Nós temos curiosidade de saber nossos limites, de explorar o mundo. E quem diz o contrário, é o que tem medo, mas uma hora acaba cometendo todos os delitos de uma vez só.
É incompreensível, com certeza. Seria possível, então, talvez, se tornar compreensível?

18 de jan de 2011

Amor.

Todo mundo fala de amor. Fala que amor é uma coisa linda, que só acontece uma vez na vida. Até eu mesma já escrevi sobre amor, e sempre escrevo. A diferença é que agora eu sinto.
Ele tem cinco meses, e menos de um metro. Oito quilos. Eu sabia que o amava na primeira vez que o vi. 
Tinha medo de pegar ele no colo, de dar um beijo na sua bochecha. Tinha e tenho medo de não faze-lo feliz o suficiente.
A gente sabe que ama, quando o amor nos faz amadurecer conforme o mesmo cresce, não quando desaparece, não quando ele se torna impossível.
É por isso que o amor não é carnal, é sentimental.
Eu amo meu irmão. Sou coruja mesmo. Só que vocês tem que entender que ele foi a melhor coisa que aconteceu pra mim. Aquele sorriso, aqueles olhos esperando o momento no qual eu vou abraçá-lo. É muito amor e eu simplesmente nunca disse um eu te amo pra ele. Nunca precisou. Sempre ficou claro.
Por isso, nunca se iludam quando alguém disser que te ama. Às vezes não é amor, é só um querer estar perto.
Pois, quando realmente for amor, não vai ser necessária uma palavra se quer, porque você vai sentir no sangue, nos olhos, no coração. 

Definição de amor:


Amor: 1 Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, ou de alguma coisa; a m o r ao próximo; a m o r ao patrimônio artístico de sua terra. 2 Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro ser ou a uma coisa; devoção; culto; adoração.

         Dizem que o amor é algo, que nem Deus soube definir, foi algo que os humanos criaram pelo qual, Ele teve certo apreço. Foi algo que Ele aprendeu a ter com seu filho. Mas a verdade, é que o amor não existe.
O amor é um sentimento, um fator que nos liga n’outra pessoa. É o conjunto de coisas que aos nossos olhos, torna tal pessoa bela a ponto de desejar-lhe bem, de querer-lhe perto para sempre. É o prazer carnal, unido à ligação, com um desejo irreal de que tais momentos sejam eternos. É se contentar com a felicidade d’outro, mesmo que ela não faça parte da sua. 

12 de jan de 2011

Massa de tomate

Existia um tempo, no qual, nós achávamos e tínhamos certa certeza, sobre aquilo que devíamos esperar. Por exemplo: Uma moça bonita, era sempre boa. Uma feia, era má. Um menino montado num cavalo alazão branco certamente seria um princípe e outro montado num burrico era um pobre miserável. Rótulos dos quais a sociedade se baseou e se baseia até hoje, em um momento no qual não existe mais certezas.
Porque, pense bem, hoje em dia nem toda pessoa legal é exatamente aquilo que achamos lindo, e nem toda pessoa feia é exatamente aquilo que chamamos de chato.
Hoje em dia os rótulos foram jogados fora, só que o pensamento sobre ele, continua ali.
É como uma massa de tomate temperada. Você tem a sua preferida, mas ela deixa de ser fabricada. Você procura uma que lembre a sua, pela embalagem dela - só que o sabor é completamente diferente. Então, você experimenta todas as parecidas, ou que lembrem, e no final nenhuma te lembra aquela. Você está preso a um gosto, a um pensamento e certamente não sente necessidade de muda-lo, porque até tal momento, ele estava dando certo.
Só que, quando as coisas começam a dar errado, você nem ao menos imagina uma possibilidade de ser diferente.
Você continua insistindo naquilo, dando pequenos murros em ponta de faca. Cortando sua mão lentamente. E logo, você tem uma ferida grande, aberta, precisa de tratamentos.
A quem recorrer, a quem pedir um apoio? Não há ninguém em que você confie alí - afinal, você não confia nem em si mesmo, sua auto-estima foi-se a tempos.
Chamar a policia, o corpo de bombeiros, paramédicos? Nada disso vai resolver. Você precisa de um curativo e não pode fazer ele sozinho.
Você pode chamar um vizinho, é claro. Mas você não vai com a cara dele e nem ele com a sua. Tanto é que vocês já até brigaram por culpa de uma folha de árvore sua que caiu na calçada dele. Uma folha.
É uma emergência, você vai precisar apelar. Você vai até lá, bate. Ele abre, e você mostra o machucado. Você entra e ele começa a fazer o curativo, a conversa vai acontecendo, e de repente você se pega pensando '' como nós temos tanto em comum!'' e esquece o antigo rótulo. A antiga massa de tomate, a antiga faca.
O que eu quero dizer, é que se nós continuarmos presos nesses rótulos antigos, cortanto aos poucos nossas mãos, nós vamos acabar deixando de descobrir pessoas maravilhosas - que ás vezes podem estar ao nosso lado.

6 de jan de 2011

História: Jasmine e a Hipopotamo

    Em uma terra distante, conhecida como Cidade, havia uma pequena garota, que não era tão pequena assim. Na verdade, ela era normal, tinha um tamanho normal, o problema é que os outros eram grandes demais.
    Ela tinha um metro e sessenta e todos os outros tinham mais do que o dobro do seu tamanho. A Cidade, era feita sob medida a todos eles, então as maçanetas eram no alto, as portas eram terrivelmente grandes, os parques de diversões, os jardins. Tudo era adaptado à pessoas grandes.
    Jasmine - esse era o seu nome - não podia ir a nenhum desses lugares, porque ela simplesmente não conseguia abrir a porta, entrar em algum brinquedo no parque de diversões, ou comprar comida.
    Então ela resolveu se mudar. Resolveu ir para uma cidade, onde todas as outras pessoas eram pequenas, para que ela pudesse se sentir normal. A cidade escolhida foi Encantado. Lá, tudo era absolutamente pequeno. As portas, os carros, os parques de diversões e etc.
    Um dia, ela resolveu que ia visitar alguns vizinhos, e a grande - não tão grande - surpresa, nem ao menos seus pés passavam pela porta.
    Foi quando ela resolveu se mudar de novo, para uma cidade mediana.
    A cidade mediana, tinha o nome de bixo, um nome estranho e o qual ela jamais gostara. O nome era Hipopotamo. Ela não entendia o porque de ter um H alí no início, para começar. Ela também não entendia o porque da cidade ter nome de bixo. E muito menos de um bixo tão estranho como aquele. Mas, ela ignorava todas essas coisas.
    Então ela entrou na cidade e procurou uma casa - coisa que fez em todas as outras. Nessa cidade, a dificuldade não fora tão grande. Na verdade, ela encontrou com certa facilidade. Jasmine conseguia passar na porta, e ela não parecia tão grande, ela parecia adequada. Ela também podia comprar comida e ir ao parque de diversões. Ela conseguiu até ir ao cinema.
    Foi então que a grande mudança realmente aconteceu: Jasmine se apaixonou.
    Mudança não tão grande para quem vê a história à tamanha distância, mas para ela foi significativa. Foi a primeira vez que se apaixonou por alguém, exatamente do seu tamanho e que se encaixava exatamente nela. Então, ela se sentiu na obrigação de se manter feliz constantemente - afinal, ela só havia pedido uma cidade na qual se encaixasse, e no final acabou encontrando um amor e uma cidade. Não havia mais motivo para reclamação.


Espero que gostem. É uma analogia, então dêem uma analisada.